Carlos Savasini
Comboios e trens e carros e táxis
passos e pés e andarilhos que passam
tudo que esvai-se na falta que fazes.
(17/10/2008)
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
UM SALVE
Carlos Savasini
Lascas de vida
pedaços
gostos que jamais se esquecem
roubados
beijos que nunca fenecem
sonoros
saliva trocada na ponta da língua
sabores
lascas de vida
queridas
desejadas
intensas
e quistas.
(17/10/2008)
Lascas de vida
pedaços
gostos que jamais se esquecem
roubados
beijos que nunca fenecem
sonoros
saliva trocada na ponta da língua
sabores
lascas de vida
queridas
desejadas
intensas
e quistas.
(17/10/2008)
UM SALVE
Carlos Savasini
Lascas de vida
pedaços
gostos que jamais se esquecem
roubados
beijos que nunca fenecem
sonoros
saliva trocada na ponta da língua
sabores
lascas de vida
queridas
desejadas
intensas
e quistas.
(17/10/2008)
Lascas de vida
pedaços
gostos que jamais se esquecem
roubados
beijos que nunca fenecem
sonoros
saliva trocada na ponta da língua
sabores
lascas de vida
queridas
desejadas
intensas
e quistas.
(17/10/2008)
RECEITUÁRIO
Carlos Savasini
Viver intensamente é necessário
sentir pungentemente o que acontece
o tempo traz a brisa, o vento escárnio,
a veia incandescente escreve a prece.
Conquistas vêm aos poucos a quem tece
no pus as quedas, pontos do calvário,
viver intensamente é necessário
sentir pungentemente o que acontece.
Assim se escreve em vida o relicário
deixando ao tempo eterno o que te aquece
fazendo o próprio ser um alfarrábio
preciso e forte ao tudo que repete
viver intensamente é necessário.
(17/10/2008)
Viver intensamente é necessário
sentir pungentemente o que acontece
o tempo traz a brisa, o vento escárnio,
a veia incandescente escreve a prece.
Conquistas vêm aos poucos a quem tece
no pus as quedas, pontos do calvário,
viver intensamente é necessário
sentir pungentemente o que acontece.
Assim se escreve em vida o relicário
deixando ao tempo eterno o que te aquece
fazendo o próprio ser um alfarrábio
preciso e forte ao tudo que repete
viver intensamente é necessário.
(17/10/2008)
CARINHO
Carlos Savasini
Cada qual tem seu lugar
o meu tem apreço
o teu ojeriza
embora habitem tão próximo endereço.
(17/10/2008)
Cada qual tem seu lugar
o meu tem apreço
o teu ojeriza
embora habitem tão próximo endereço.
(17/10/2008)
SEDA E KATANA
Por Carlos Savasini, César Veneziani, Kátia Dutra (Tyta), Marisa del Santo e Vitória Paterna
Olhares discretos de gueixa
cílios se enroscam nos seus
pudores fervendo suores
sangue jorrando tremores.
Ser gueixa, servir o amor,
escrava do prazer e da dor
há asas nos sonhos dos homens
volúpia, no corpo o ardor
roupas provocando o contato
lábios úmidos manchados
cabelos presos e perfume
inundando o espaço.
Sou gueixa, exalando desejo
seu fetiche, seu anseio
sou prazer, seu espelho
sou mulher, sou sua caverna :
desbrave-me.
Você gueixa, eu samurai
à honra defendo
com o fio do katana.
Desarme, carcamano
sou gueixa do mundo
meu corpo hoje é seu
sem chicote e katana.
(11/10/2008)
Olhares discretos de gueixa
cílios se enroscam nos seus
pudores fervendo suores
sangue jorrando tremores.
Ser gueixa, servir o amor,
escrava do prazer e da dor
há asas nos sonhos dos homens
volúpia, no corpo o ardor
roupas provocando o contato
lábios úmidos manchados
cabelos presos e perfume
inundando o espaço.
Sou gueixa, exalando desejo
seu fetiche, seu anseio
sou prazer, seu espelho
sou mulher, sou sua caverna :
desbrave-me.
Você gueixa, eu samurai
à honra defendo
com o fio do katana.
Desarme, carcamano
sou gueixa do mundo
meu corpo hoje é seu
sem chicote e katana.
(11/10/2008)
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
CHÃO
Carlos Savasini
Opera, opero
opera, opero
espera, opero
opera, espero
apara, espera
esbarra, opera
esbarra, opero
opaco, esbarra
opera
espera
opera
aparo
que espera
que opera
que esbarra
que escorre
que acaba
que escorre
que opera / perário
que opera
que opero
e nunca
nunca
nunca
nunca
nunca
acaba.
(11/10/2008)
Opera, opero
opera, opero
espera, opero
opera, espero
apara, espera
esbarra, opera
esbarra, opero
opaco, esbarra
opera
espera
opera
aparo
que espera
que opera
que esbarra
que escorre
que acaba
que escorre
que opera / perário
que opera
que opero
e nunca
nunca
nunca
nunca
nunca
acaba.
(11/10/2008)
SETE LÉGUAS
Carlos Savasini
Morre o feto e nasce a criatura
o ventre é o seleiro do mundo
e o mundo a perdição da sepultura.
(11/10/2008)
Morre o feto e nasce a criatura
o ventre é o seleiro do mundo
e o mundo a perdição da sepultura.
(11/10/2008)
PARTIDO
Carlos Savasini
Há quem choca-se com a bunda
o cunilíngua, o falo e a cona.
Há quem choca-se com o corpo
o sentido, o sensual e o despudor.
Há quem excita-se com o proibido
a censura, o comedido, a vida dúbia.
Há quem excita-se com máscaras
cortinas, clausura e prisão.
Há que excita-se
e quem choca-se.
Dói-me quem não toma partido.
(11/10/2008)
Há quem choca-se com a bunda
o cunilíngua, o falo e a cona.
Há quem choca-se com o corpo
o sentido, o sensual e o despudor.
Há quem excita-se com o proibido
a censura, o comedido, a vida dúbia.
Há quem excita-se com máscaras
cortinas, clausura e prisão.
Há que excita-se
e quem choca-se.
Dói-me quem não toma partido.
(11/10/2008)
BALANÇO
Carlos Savasini
Um lance, um beck, uma onda
wave conversível no mar
hi-fi na cuba, gim e jazz
solstício de outono jamais
qualquer descompasso, eu mato
garanto que prendo o ternário
amarro o soneto no armário
as meias dançando no asfalto
qualquer lombada estraçalho
arregaço qualquer alinhado
qualquer traço de alvura prevista
maculo o demais ensaiado
o demais engessado : olha o groove
salta um pé, o pé, calçado, a pé
compasso, esquadro, espaço e fé
dês-fé, pirraça, espaço e breque
um quer, sequer, se vai, eu fui
se quer, se foi, se nada mais importa
importo tudo e mesclo e vai
e vai e vai e vem e vai
e vem e vai e vai e fica
um lance, um beck, um break, a onda
tudo vai na wave e jazz
no groove
o balanço é um só.
(07/10/2008)
Um lance, um beck, uma onda
wave conversível no mar
hi-fi na cuba, gim e jazz
solstício de outono jamais
qualquer descompasso, eu mato
garanto que prendo o ternário
amarro o soneto no armário
as meias dançando no asfalto
qualquer lombada estraçalho
arregaço qualquer alinhado
qualquer traço de alvura prevista
maculo o demais ensaiado
o demais engessado : olha o groove
salta um pé, o pé, calçado, a pé
compasso, esquadro, espaço e fé
dês-fé, pirraça, espaço e breque
um quer, sequer, se vai, eu fui
se quer, se foi, se nada mais importa
importo tudo e mesclo e vai
e vai e vai e vem e vai
e vem e vai e vai e fica
um lance, um beck, um break, a onda
tudo vai na wave e jazz
no groove
o balanço é um só.
(07/10/2008)
PALAVRAS
Por Binho Santos, Carlos Savasini, Cesar Veneziani, Kátia Dutra – Tyta, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Aliberti, Sergio Jardino, Sonia Moschetti, Vitória Paterna e Yolanda Queiros Parreira
Páginas entreabertas, folhas
castiçais de luzes castas
letras baças, embaralhadas,
convulsões.
O poeta vive a palavra laçada,
rebelde quando existe
na tempestade do que pensa.
Ele, no escuro de penumbra,
se procura no dizer ...
Solitário, caça palavras
nos alfarrábios
dos tempos cinza
petrificado na alma
acalmando a tempestade
na palma da mão
mãos que deslizam
que afeiçoam e que concretiza
a vontade da carícia.
Folhas brancas rabiscam palavras
– noivas virgens –
a revelar mais do que pretende o poeta
– alma, luz, entrega
caminhando a cada dia sem saber
pra onde vai, mil venturas nos esperam
quando tem capacidade vê-se o céu bordado
de estrelas e a terra de lua cheia
a brindar a natureza humana.
A palavra profetiza
numa boca santa ou maldita
ânimo fere, mata
salva vida.
O pequeno condutor das palavras
rabisca a folha constantemente
tenta expressar o sentimento
que lateja em sua mente.
Palavras são um meio
atos abstratos que encerram
desejos imediatos postergados
re-idealizam atos inconcretos.
A palavra isolada
não é nada
mero conceito disperso
o poeta funde
na unidade do verso.
Palavra escrita
idéia concretizada
nos papéis da vida e morte
exteriorização de pensamentos.
(04/10/2008)
Páginas entreabertas, folhas
castiçais de luzes castas
letras baças, embaralhadas,
convulsões.
O poeta vive a palavra laçada,
rebelde quando existe
na tempestade do que pensa.
Ele, no escuro de penumbra,
se procura no dizer ...
Solitário, caça palavras
nos alfarrábios
dos tempos cinza
petrificado na alma
acalmando a tempestade
na palma da mão
mãos que deslizam
que afeiçoam e que concretiza
a vontade da carícia.
Folhas brancas rabiscam palavras
– noivas virgens –
a revelar mais do que pretende o poeta
– alma, luz, entrega
caminhando a cada dia sem saber
pra onde vai, mil venturas nos esperam
quando tem capacidade vê-se o céu bordado
de estrelas e a terra de lua cheia
a brindar a natureza humana.
A palavra profetiza
numa boca santa ou maldita
ânimo fere, mata
salva vida.
O pequeno condutor das palavras
rabisca a folha constantemente
tenta expressar o sentimento
que lateja em sua mente.
Palavras são um meio
atos abstratos que encerram
desejos imediatos postergados
re-idealizam atos inconcretos.
A palavra isolada
não é nada
mero conceito disperso
o poeta funde
na unidade do verso.
Palavra escrita
idéia concretizada
nos papéis da vida e morte
exteriorização de pensamentos.
(04/10/2008)
MONOCROMÁTICO
Carlos Savasini
Tom sobre tom se revolve
nada sem cor se resolve
tintura em preto e branco
arco-íris em dois tons.
(04/10/2008)
Tom sobre tom se revolve
nada sem cor se resolve
tintura em preto e branco
arco-íris em dois tons.
(04/10/2008)
ECO
Carlos Savasini
Na encruzilhada a encomenda,
no alto da torre uma cruz,
no pano de fundo a suástica,
nada disto dá-me medo.
Na face do outro a carranca,
no peito de alguém o rancor,
na voz de quem ouço a mentira,
nada disto dá-me medo.
No escuro do peito a vertigem,
no fundo do corpo o vazio,
o nada de mim que é só eco,
isto, sim, é que faz-me ter medo.
(04/10/2008)
Na encruzilhada a encomenda,
no alto da torre uma cruz,
no pano de fundo a suástica,
nada disto dá-me medo.
Na face do outro a carranca,
no peito de alguém o rancor,
na voz de quem ouço a mentira,
nada disto dá-me medo.
No escuro do peito a vertigem,
no fundo do corpo o vazio,
o nada de mim que é só eco,
isto, sim, é que faz-me ter medo.
(04/10/2008)
CALEIDOSCÓPIO
Carlos Savasini
As palavras pululam
pulam puras de um papel a outro
ligam-se em novas amarras
multiplicam-se
escolhidas uma a uma no poema
sonolentas e outonais
aquecidas num dia que começou em chuvoso
e não sabe se finda
memorável, letárgico ou abominável
mas que há de findar
como findam-se os versos
como findam-se as rimas
de infinitas palavras.
(04/10/2008)
As palavras pululam
pulam puras de um papel a outro
ligam-se em novas amarras
multiplicam-se
escolhidas uma a uma no poema
sonolentas e outonais
aquecidas num dia que começou em chuvoso
e não sabe se finda
memorável, letárgico ou abominável
mas que há de findar
como findam-se os versos
como findam-se as rimas
de infinitas palavras.
(04/10/2008)
BAÚ
Carlos Savasini
Dos anos dourados
aos louros dos anos
os sonhos alados
descansam decanos.
De passos cansados
e espinhos agudos
os tentos frustrados
nos lembram de tudo.
A glória não tida
intensa memória
tão dura na lida.
Persiste na história
fissuras e marcas
lembranças nas arcas.
(25/09 – 04/10/2008)
Dos anos dourados
aos louros dos anos
os sonhos alados
descansam decanos.
De passos cansados
e espinhos agudos
os tentos frustrados
nos lembram de tudo.
A glória não tida
intensa memória
tão dura na lida.
Persiste na história
fissuras e marcas
lembranças nas arcas.
(25/09 – 04/10/2008)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
TEM-SE
Carlos Savasini
Estilhaços gasosos deste olhar
prestimosa presença que não falha
castiçal que me aquece no teu mar
tal entranha que tem-me e agasalha.
(27/09/2008)
Estilhaços gasosos deste olhar
prestimosa presença que não falha
castiçal que me aquece no teu mar
tal entranha que tem-me e agasalha.
(27/09/2008)
ESCOLHA
Carlos Savasini
Se deus te deu a escuridão
clarão de olhos vendados
lua nova em noite de cristal
foi o outro que deu-me a permissão
de escolher o que enxergar
de olhos abertos ou não.
(27/09/2008)
Se deus te deu a escuridão
clarão de olhos vendados
lua nova em noite de cristal
foi o outro que deu-me a permissão
de escolher o que enxergar
de olhos abertos ou não.
(27/09/2008)
PRIMAVERIL
Carlos Savasini
Nesta noite linda
nosso amor não finda
veste a flor presente
que jamais ausente
deixa de encantar.
Neste colo sinto
tudo que há de lindo
linho em pele terna
dama minha eterna
colcha de ninar.
Neste teu afago
deito-me ao teu lado
largo o pensamento
pois no meu intento
sei somente amar.
Neste novo enleio
sinto e te tateio
todo encantamento
neste teu momento
posso só cantar.
Nesta noite intensa
pele quente e tensa
fibras amorosas
bailam várias horas
para te encantar.
(27/09/2008)
Nesta noite linda
nosso amor não finda
veste a flor presente
que jamais ausente
deixa de encantar.
Neste colo sinto
tudo que há de lindo
linho em pele terna
dama minha eterna
colcha de ninar.
Neste teu afago
deito-me ao teu lado
largo o pensamento
pois no meu intento
sei somente amar.
Neste novo enleio
sinto e te tateio
todo encantamento
neste teu momento
posso só cantar.
Nesta noite intensa
pele quente e tensa
fibras amorosas
bailam várias horas
para te encantar.
(27/09/2008)
BUQUÊ
Carlos Savasini
“Ela não vive sem ele
ele sem ela está só”
Selda Rondan
Tal qual cama sem colchão,
floreira sem ramalhete
e mortadela sem pão
ela não vive sem ele.
Tal qual relógio sem pulso,
deserto isento de pó
e balanço sem impulso
ele sem ela está só.
Tal qual o sal sem o mar,
tal qual olhar sem o flerte,
namorico sem xodó.
Tal qual sentir sem amar
ela não vive sem ele,
ele sem ela está só.
(21/09/2008)
“Ela não vive sem ele
ele sem ela está só”
Selda Rondan
Tal qual cama sem colchão,
floreira sem ramalhete
e mortadela sem pão
ela não vive sem ele.
Tal qual relógio sem pulso,
deserto isento de pó
e balanço sem impulso
ele sem ela está só.
Tal qual o sal sem o mar,
tal qual olhar sem o flerte,
namorico sem xodó.
Tal qual sentir sem amar
ela não vive sem ele,
ele sem ela está só.
(21/09/2008)
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
TEMPO DE CRIANÇA
Por Carlos Savasini, Cesar Veneziani, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Aliberti, Sônia Moschetti, Vitória Paterna e Yolanda Queiros Parreira
Toda criança tem um tio engraçado,
toda criança tem um avô debochado,
toda criança tem uma avó rechonchuda,
lembranças café com leite e pão com manteiga
tão doces que ficam para uma vida inteira.
Toda infância tem portas abertas,
sombras, memórias mágicas,
passos. Ritos de passagens.
A primeira palavra lida
a primeira oração
o primeiro amigo
a escola, a bola
a alegria da descoberta
até que, um dia, a gente cresce
e a magia parece que acaba,
mas lembrança é coisa que não se mata,
fica guardada, agarradinha ao coração,
dura um tempão
e faz nos lembrar do doce,
do tombo, da bola, das bonecas
que os irmãos cortavam os cabelos delas
e as deixavam todas carecas.
No tempo da infância tudo é novidade
é preciso ter paciência para facilitar
o entendimento do que a criança quer
e ensinar na medida do possível
e incentivar o aprendizado conforme o entendimento.
Nas palavras
refaz-se a criança
no adulto
cujas memórias
não se apagam
não diluem o leite
o porre
a saudade que não morre
feridas que não fecham,
fome de pão com manteiga.
(20/09/2008)
Toda criança tem um tio engraçado,
toda criança tem um avô debochado,
toda criança tem uma avó rechonchuda,
lembranças café com leite e pão com manteiga
tão doces que ficam para uma vida inteira.
Toda infância tem portas abertas,
sombras, memórias mágicas,
passos. Ritos de passagens.
A primeira palavra lida
a primeira oração
o primeiro amigo
a escola, a bola
a alegria da descoberta
até que, um dia, a gente cresce
e a magia parece que acaba,
mas lembrança é coisa que não se mata,
fica guardada, agarradinha ao coração,
dura um tempão
e faz nos lembrar do doce,
do tombo, da bola, das bonecas
que os irmãos cortavam os cabelos delas
e as deixavam todas carecas.
No tempo da infância tudo é novidade
é preciso ter paciência para facilitar
o entendimento do que a criança quer
e ensinar na medida do possível
e incentivar o aprendizado conforme o entendimento.
Nas palavras
refaz-se a criança
no adulto
cujas memórias
não se apagam
não diluem o leite
o porre
a saudade que não morre
feridas que não fecham,
fome de pão com manteiga.
(20/09/2008)
ENXAQUECA
Carlos Savasini
Faço tudo por você
cama feita, mesa posta
banho quente, vinho aberto
faço tudo por você
peixe fresco, suflê de ricota
baladas no som, castiçais, talheres de prata
massagem, terno, buquê de rosas
faço tudo por você
Novalgina, Buscopan, Neosaldina
e essa puta dor de cabeça
que não vai embora.
(20/09/2008)
Faço tudo por você
cama feita, mesa posta
banho quente, vinho aberto
faço tudo por você
peixe fresco, suflê de ricota
baladas no som, castiçais, talheres de prata
massagem, terno, buquê de rosas
faço tudo por você
Novalgina, Buscopan, Neosaldina
e essa puta dor de cabeça
que não vai embora.
(20/09/2008)
OCULTADO
Carlos Savasini
Passarinho sem gaiola
flores sem vasos de barro
e você sem camisola
sem grilhões e sem amarras
somente com o meu amor
todo seu.
(20/09/2008)
Passarinho sem gaiola
flores sem vasos de barro
e você sem camisola
sem grilhões e sem amarras
somente com o meu amor
todo seu.
(20/09/2008)
SILENCIOSO
Carlos Savasini
Amor é solidão que se completa
é sentido que aproxima os indivíduos
e completo somente no respeito
que preserva em cada ser o que se é.
Amar é conviver na solidão
é acatar
a seqüência de momentos sem paixão.
Quem ama sabe calar.
(20/09/2008)
Amor é solidão que se completa
é sentido que aproxima os indivíduos
e completo somente no respeito
que preserva em cada ser o que se é.
Amar é conviver na solidão
é acatar
a seqüência de momentos sem paixão.
Quem ama sabe calar.
(20/09/2008)
BETUMINOSO
Carlos Savasini
Entardeceres que matam
luares que afagam
copos que afogam
lentes que brilham disformes
cores de vinho de horizonte e tal
e gotas de pus que escorrem
secas do céu de azul
do céu de anil
do céu de anágua negra sobre
ao largo e ao lado
por todos os cantos e lados
sirenes e lentes e pus
copos disformes
corpos distorcem
bordas que extorquem
lentes que brilham
luzes que afogam
tardes que matam
corpos que afagam
toques distantes
caindo a noite
caindo nos olhos
negrume
et cetera e tal.
(19/09/2008)
Entardeceres que matam
luares que afagam
copos que afogam
lentes que brilham disformes
cores de vinho de horizonte e tal
e gotas de pus que escorrem
secas do céu de azul
do céu de anil
do céu de anágua negra sobre
ao largo e ao lado
por todos os cantos e lados
sirenes e lentes e pus
copos disformes
corpos distorcem
bordas que extorquem
lentes que brilham
luzes que afogam
tardes que matam
corpos que afagam
toques distantes
caindo a noite
caindo nos olhos
negrume
et cetera e tal.
(19/09/2008)
LABAREDA
Por Binho Santos, Carlos Savasini, Osvaldo Pastorelli e Samara Sieber
Explodimos atônitos nos focos
de uma luz frágil, amor !
Por quanto tempo me aguardarás ?
Amor ... nos castelos de vidro te amo !
Te amo nas ondas do que eu sou
te amo vindo de ti mesmo
te amo quando não sabes que és tu
amor ... presença ... verdade.
Tijolos de espelhos
castelos de sal
a imagem que expõe é real
teu calor sente-se apenas de perto
queimando a pele
sussurrando nos arrepios
ouvindo a tua voz : eu te amo.
(13/09/2008)
Explodimos atônitos nos focos
de uma luz frágil, amor !
Por quanto tempo me aguardarás ?
Amor ... nos castelos de vidro te amo !
Te amo nas ondas do que eu sou
te amo vindo de ti mesmo
te amo quando não sabes que és tu
amor ... presença ... verdade.
Tijolos de espelhos
castelos de sal
a imagem que expõe é real
teu calor sente-se apenas de perto
queimando a pele
sussurrando nos arrepios
ouvindo a tua voz : eu te amo.
(13/09/2008)
A MESA AO LADO
Por Binho Santos, Bruno Furlan, Carlos Savasini, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Siqueira Gaspareto, Samara Sieber, Vitória Paterna e Yolanda Queiros Parreira
Fofocas, fofocas, fofocas
histórias da vida alheia
flertes impróprios
impropriedades
verdades que não querem calar
papéis, torpedos, bilhetes
veneno jorrando das línguas torpes
a alegria na depreciação alheia
muda de donos como muda a direção dos ventos,
o vento sente ?
Sinta o vento e a dor das palavras
as palavras que cortam
as palavras que jorram
as palavras que matam.
Entre a boca e o peito, a farpa.
Entre a mão e o medo, o ódio.
Quem mais dizer pode de si
o que sorrateiro desanda nas valas das falas ?
Sobressaltos, sobre passos, vultos tortos
nas ruas escuras quem se esconde ?
Meias palavras desenham poesias
que se calam entre dentes de bocas pudicas.
Bocas escondem palavras
que devem ser ditas
em cada esquina :
a vós todos vocacionados poetas
tenho a dizer que vale a pena a cada instante
falar do que pensamos para juntos
construir o amanhã mais ameno,
que a justiça nos traga a paz.
Poetas das ruas, das vidas ditas vividas
poeta de cada instante, de cada momento
o poeta constrói, destrói, rabisca na vida
a sua poesia,
poesia que é vida que lhe move pela vida.
Que o veneno escorra
que o veneno jorre
que o veneno penetre nas veias
papéis, torpedos, bilhetes,
que as verdades nunca se calem.
(13/09/2008)
Fofocas, fofocas, fofocas
histórias da vida alheia
flertes impróprios
impropriedades
verdades que não querem calar
papéis, torpedos, bilhetes
veneno jorrando das línguas torpes
a alegria na depreciação alheia
muda de donos como muda a direção dos ventos,
o vento sente ?
Sinta o vento e a dor das palavras
as palavras que cortam
as palavras que jorram
as palavras que matam.
Entre a boca e o peito, a farpa.
Entre a mão e o medo, o ódio.
Quem mais dizer pode de si
o que sorrateiro desanda nas valas das falas ?
Sobressaltos, sobre passos, vultos tortos
nas ruas escuras quem se esconde ?
Meias palavras desenham poesias
que se calam entre dentes de bocas pudicas.
Bocas escondem palavras
que devem ser ditas
em cada esquina :
a vós todos vocacionados poetas
tenho a dizer que vale a pena a cada instante
falar do que pensamos para juntos
construir o amanhã mais ameno,
que a justiça nos traga a paz.
Poetas das ruas, das vidas ditas vividas
poeta de cada instante, de cada momento
o poeta constrói, destrói, rabisca na vida
a sua poesia,
poesia que é vida que lhe move pela vida.
Que o veneno escorra
que o veneno jorre
que o veneno penetre nas veias
papéis, torpedos, bilhetes,
que as verdades nunca se calem.
(13/09/2008)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
ATÉ TU ?
Carlos Savasini
Varram para os pés das cadeiras
para debaixo das mesas
para os cantos esponjosos e frios
para longe dos olhos
longe de todos :
fora daqui !
Varram para os quartos de hotel
para as pocilgas ralés
para o meio da rua
para o quinto dos infernos
à puta que o pariu :
fora daqui !
Varram os cigarros das mesas
os vinhos das veias
os prazeres da vida
os prazeres da carne
os gozos, enfim.
Varram a liberdade daqui !
(18/09/2008)
Varram para os pés das cadeiras
para debaixo das mesas
para os cantos esponjosos e frios
para longe dos olhos
longe de todos :
fora daqui !
Varram para os quartos de hotel
para as pocilgas ralés
para o meio da rua
para o quinto dos infernos
à puta que o pariu :
fora daqui !
Varram os cigarros das mesas
os vinhos das veias
os prazeres da vida
os prazeres da carne
os gozos, enfim.
Varram a liberdade daqui !
(18/09/2008)
A SAUDADE
Carlos Savasini
Do forno o pão com manteiga
do bule o café
do relógio o badalo
da voz a vó que chama
e nem precisava (o perfume entrega)
e nem precisava (chamego não se nega)
e não precisava
deixar (assim) tantas saudades
que nem o perfume resgata.
(13/09/2008)
Do forno o pão com manteiga
do bule o café
do relógio o badalo
da voz a vó que chama
e nem precisava (o perfume entrega)
e nem precisava (chamego não se nega)
e não precisava
deixar (assim) tantas saudades
que nem o perfume resgata.
(13/09/2008)
MORADA
Carlos Savasini
E o céu nasceu vermelho, entardeceu anil e dormiu esverdeado
a bile, entretanto, escorreu de azul celeste,
os pés de azul marinho
no carro de azul calcinha.
Absinto, amigo, sinto muito :
que as estrelas habitem o céu.
(13/09/2008)
E o céu nasceu vermelho, entardeceu anil e dormiu esverdeado
a bile, entretanto, escorreu de azul celeste,
os pés de azul marinho
no carro de azul calcinha.
Absinto, amigo, sinto muito :
que as estrelas habitem o céu.
(13/09/2008)
PERFUME DE MULHER
Carlos Savasini
Essência de ti em vapor
vapor e neblina de odor
perfume nas roupas, na pele
no corpo e nas dobras do rosto
nas dobras e curvas dos nervos
odor de ti na memória
lembranças distantes de ti.
(13/09/2008)
Essência de ti em vapor
vapor e neblina de odor
perfume nas roupas, na pele
no corpo e nas dobras do rosto
nas dobras e curvas dos nervos
odor de ti na memória
lembranças distantes de ti.
(13/09/2008)
domingo, 19 de outubro de 2008
ASSEPSIA DO FATO
Carlos Savasini
De fato :
contra fatos não há argumentos,
mas as desculpas são tão criativas.
(13/09/2008)
De fato :
contra fatos não há argumentos,
mas as desculpas são tão criativas.
(13/09/2008)
FÊNIX
Por Binho Santos, Bruno Furlan, Carlos Savasini e Samara Sieber
Quantas vezes o sol não bate para você ?
E o que você faz sobre isso ?
Quantas vezes jogaram você num poço sem fim
e o que você faz sobre isso ?
Você renasceu dos seus sonhos
resistentes à lava dos vulcões
de muitas outras várias falas !
Você soergueu as próprias ruínas,
plantou, replantou, ceifou
talos de margaridas,
as rosas remurcharam
para reflorescer ao fim do dia ...
Você renasceu nos beijos do sol
vivenciou o amor
no brilho das estrelas
e adormeceu entre
as ramagens das árvores
sentindo o aroma
das rosas do teu abraço.
Quantos vulcões calaram
quantos ventos mudaram
quantas rodas cercaram
estradas sem direção,
quantas vezes o sol
não fez o final do dia ?
Mas mesmo assim você persiste
você insiste e é maior do que os poços
sem fundo
você insiste, insiste, sobrevive
e é maior do que o sol
o mesmo sol que brilha para
você e para todos.
(06/09/2008)
Quantas vezes o sol não bate para você ?
E o que você faz sobre isso ?
Quantas vezes jogaram você num poço sem fim
e o que você faz sobre isso ?
Você renasceu dos seus sonhos
resistentes à lava dos vulcões
de muitas outras várias falas !
Você soergueu as próprias ruínas,
plantou, replantou, ceifou
talos de margaridas,
as rosas remurcharam
para reflorescer ao fim do dia ...
Você renasceu nos beijos do sol
vivenciou o amor
no brilho das estrelas
e adormeceu entre
as ramagens das árvores
sentindo o aroma
das rosas do teu abraço.
Quantos vulcões calaram
quantos ventos mudaram
quantas rodas cercaram
estradas sem direção,
quantas vezes o sol
não fez o final do dia ?
Mas mesmo assim você persiste
você insiste e é maior do que os poços
sem fundo
você insiste, insiste, sobrevive
e é maior do que o sol
o mesmo sol que brilha para
você e para todos.
(06/09/2008)
PROCURA-SE
Por Binho Santos, Carlos Savasini, Leonice Tronco, Osvaldo Pastorelli e Samara Sieber
O que eu busco em você
é o que me falta ?
As raízes do seu ser
me aprisionam
ou me libertam ?
As suas palavras me calam ?
O que nos meus olhos, agora seus,
me refletem ?
Ou é o seu cheiro vago de ser
que me evapora no seu sol ?
Ou o que alegra
é sua angústia acasalada
nos meus braços ?
Ou a sua pele queimando
a minha pele ?
Ou o seu calor no calor
dos meus beijos
secos e úmidos
no aconchego
de nós dois ?
O que busco em você é o que completa
laços que libertam
palavras que acalmam
vínculos sem vincos e vícios
marcas que traçam caminhos
falas que buscam sentidos
ares que aplacam vapores
seu corpo etéreo me invade
o que eu busco em você –
seja feito de mim, de guerras,
abismos, de flores –
o que eu busco em você –
seja feito de pontes,
de fontes, de silêncios,
de carne ou de alma,
é você –
assim –
do jeito que você é.
(06/09/2008)
O que eu busco em você
é o que me falta ?
As raízes do seu ser
me aprisionam
ou me libertam ?
As suas palavras me calam ?
O que nos meus olhos, agora seus,
me refletem ?
Ou é o seu cheiro vago de ser
que me evapora no seu sol ?
Ou o que alegra
é sua angústia acasalada
nos meus braços ?
Ou a sua pele queimando
a minha pele ?
Ou o seu calor no calor
dos meus beijos
secos e úmidos
no aconchego
de nós dois ?
O que busco em você é o que completa
laços que libertam
palavras que acalmam
vínculos sem vincos e vícios
marcas que traçam caminhos
falas que buscam sentidos
ares que aplacam vapores
seu corpo etéreo me invade
o que eu busco em você –
seja feito de mim, de guerras,
abismos, de flores –
o que eu busco em você –
seja feito de pontes,
de fontes, de silêncios,
de carne ou de alma,
é você –
assim –
do jeito que você é.
(06/09/2008)
VERBO, VERSO : FETO
Por Binho Santos, Carlos Savasini, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Siqueira Gaspareto, Samara Sieber, Selda Roldan e Yolanda Queiros Parreira
Que não falte o verbo, o verso, o feto
a verve entre poetas e veias
musas e mesas e rodas de amigos
que não faltem os jovens idosos que se mesclam
com sábios jovens alimentando e deixando-se
alimentar pelas musas
na mesa-poesia em que rolam conversas
teorias fatos ações que marcam
no tempo o verbo poesia.
Ah ! ... o verbo : de tudo o que umedece,
sua nas veias das rochas vermelhas,
de tudo o que pode sucumbir,
galga os meandros das estratosferas,
o verbo ... sangue para cactos de olhar !
Ah ! ... o feto : o líquido amniótico
escorrendo pela alma das palavras
as ditas, as caladas, as trancadas
as que fazem verso
e as que fazem espada.
Ah ! ... a palavra e seus delírios
o desejo e suas vertigens
os gritos estridentes das ruas
que fazem histórias, constroem dores
não vou falar de coisas intrigantes
que surpreendem a cada instante
quero mesmo é ter certeza
que convivo a cada instante
com a esperança de ser muito feliz ...
que as palavras não me faltem
que possa transcrever livre e feliz,
os sorrisos tão gentis, os olhares transparentes.
Nesta noite, nesta cidade, a alegria entre
a amizade e a poesia, vivemos o sonho mais feliz
o verbo mais intenso
o verso mais delirante
o feto mais promissor.
(06/09/2008)
Que não falte o verbo, o verso, o feto
a verve entre poetas e veias
musas e mesas e rodas de amigos
que não faltem os jovens idosos que se mesclam
com sábios jovens alimentando e deixando-se
alimentar pelas musas
na mesa-poesia em que rolam conversas
teorias fatos ações que marcam
no tempo o verbo poesia.
Ah ! ... o verbo : de tudo o que umedece,
sua nas veias das rochas vermelhas,
de tudo o que pode sucumbir,
galga os meandros das estratosferas,
o verbo ... sangue para cactos de olhar !
Ah ! ... o feto : o líquido amniótico
escorrendo pela alma das palavras
as ditas, as caladas, as trancadas
as que fazem verso
e as que fazem espada.
Ah ! ... a palavra e seus delírios
o desejo e suas vertigens
os gritos estridentes das ruas
que fazem histórias, constroem dores
não vou falar de coisas intrigantes
que surpreendem a cada instante
quero mesmo é ter certeza
que convivo a cada instante
com a esperança de ser muito feliz ...
que as palavras não me faltem
que possa transcrever livre e feliz,
os sorrisos tão gentis, os olhares transparentes.
Nesta noite, nesta cidade, a alegria entre
a amizade e a poesia, vivemos o sonho mais feliz
o verbo mais intenso
o verso mais delirante
o feto mais promissor.
(06/09/2008)
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
SOBRE O OLHAR E O PERCEBER
Carlos Savasini
Aquilo que não deixa mentir
aqueles
e os outros
que não deixam de ver
de crer
e perceber
que são os mesmos que não deixam mentir
que é o par que não deixa de ver
de vir
de entender
que o olhar não deixa mentir.
(13/09/2008)
Aquilo que não deixa mentir
aqueles
e os outros
que não deixam de ver
de crer
e perceber
que são os mesmos que não deixam mentir
que é o par que não deixa de ver
de vir
de entender
que o olhar não deixa mentir.
(13/09/2008)
5 MINUTOS PARA QUALQUER COISA
Carlos Savasini
Cinco vozes, cinco temas, cinco dentes
cinco garras nos pés, cinco plumas nas asas
cinco palavras descasadas
cinco tentativas desperdiçadas
cinco horas que não chega
cinco porres que não derrubam
cinco doses
cinco gotas de vômito
cinco tripas que não viram
cinco patas que não me seguram
cinco garras que não me cravam
cinco dentes que não me bicam
cinco asas
cinco nada que não me elevam
cinco horas que não chega
cinco goles
cinco porres
cinco gotas
cinco ciscos que não me levam além
cinco minutos de nada e silêncio e nenhum.
(06/09/2008)
Cinco vozes, cinco temas, cinco dentes
cinco garras nos pés, cinco plumas nas asas
cinco palavras descasadas
cinco tentativas desperdiçadas
cinco horas que não chega
cinco porres que não derrubam
cinco doses
cinco gotas de vômito
cinco tripas que não viram
cinco patas que não me seguram
cinco garras que não me cravam
cinco dentes que não me bicam
cinco asas
cinco nada que não me elevam
cinco horas que não chega
cinco goles
cinco porres
cinco gotas
cinco ciscos que não me levam além
cinco minutos de nada e silêncio e nenhum.
(06/09/2008)
INEFÁVEL
Carlos Savasini
Na busca da palavra impossível
vive o verbete inexistente
a página rasgada, o dicionário ausente
as letras que voam aquém
as notas que sorvem alguém
os poemas perdidos
a verve escondida
e a rima que não vem.
A palavra indizível
eclode
sem dizer a que veio.
(06/09/2008)
Na busca da palavra impossível
vive o verbete inexistente
a página rasgada, o dicionário ausente
as letras que voam aquém
as notas que sorvem alguém
os poemas perdidos
a verve escondida
e a rima que não vem.
A palavra indizível
eclode
sem dizer a que veio.
(06/09/2008)
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