Por Binho Santos, Bruno Furlan, Carlos Savasini, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Siqueira Gaspareto, Samara Sieber, Vitória Paterna e Yolanda Queiros Parreira
Fofocas, fofocas, fofocas
histórias da vida alheia
flertes impróprios
impropriedades
verdades que não querem calar
papéis, torpedos, bilhetes
veneno jorrando das línguas torpes
a alegria na depreciação alheia
muda de donos como muda a direção dos ventos,
o vento sente ?
Sinta o vento e a dor das palavras
as palavras que cortam
as palavras que jorram
as palavras que matam.
Entre a boca e o peito, a farpa.
Entre a mão e o medo, o ódio.
Quem mais dizer pode de si
o que sorrateiro desanda nas valas das falas ?
Sobressaltos, sobre passos, vultos tortos
nas ruas escuras quem se esconde ?
Meias palavras desenham poesias
que se calam entre dentes de bocas pudicas.
Bocas escondem palavras
que devem ser ditas
em cada esquina :
a vós todos vocacionados poetas
tenho a dizer que vale a pena a cada instante
falar do que pensamos para juntos
construir o amanhã mais ameno,
que a justiça nos traga a paz.
Poetas das ruas, das vidas ditas vividas
poeta de cada instante, de cada momento
o poeta constrói, destrói, rabisca na vida
a sua poesia,
poesia que é vida que lhe move pela vida.
Que o veneno escorra
que o veneno jorre
que o veneno penetre nas veias
papéis, torpedos, bilhetes,
que as verdades nunca se calem.
(13/09/2008)
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