domingo, 13 de dezembro de 2009

DESVENTURA

Carlos Savasini

Não amo tudo o que faço
nem faço tudo o que amo
há sempre um pedaço que falta
e espinhos que rasgam meus pés.

Não tenho tudo o que amo
nem amo tudo o que tenho
a vista baça e cansada,
o contorno dos olhos insones.

Amo integralmente o que gosto
e sublimo assim o que é posse,
amo assim as pessoas
que são sem jamais terem donos.

(04/04/2009)

COBIÇA

Carlos Savasini

No céu da tua boca
a estrela tão cobiçada
que busco co’a língua.

(04/04/2009)

CELESTIAL

Carlos Savasini

As liras já não tocam mais
depois da primeira harpa
depois do primeiro anjo
e depois do último porre.

(04/04/2009)

domingo, 23 de agosto de 2009

UTERINO

Carlos Savasini

Lembranças de uma antiga ceia
memórias de uma mão nas coxas
e saudade ao preencher das carnes.

Só não me lembro da hora do parto
em que nasci ao perder a memória.

(28/03/2009)

CAIADA

Carlos Savasini

Da página caiada de nada
pureza indistinta e deslavada
ofusca o poeta mais que a luz do dia
e cega mais que a noite em lua nova.

Da página caiada de pureza
organdi de fibra e celulose,
há saudade de seiva e raiz.

Da página caiada que ofusca
mente apenas o sentido que não pulsa.

Da página caiada e cega
enxerga e nasce ao primeiro rabisco.

(28/03/2009)

domingo, 16 de agosto de 2009

P & B

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Apesar de toda intensidade das cores derramadas no céu durante o por do sol de ontem, 15 de Agosto de 2009, surpreendeu-me a textura de alguma fotos tiradas em preto e branco. Compartilho desta grata surpresa com vocês.
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As fotos foram tiradas da janela do prédio em que moro, na zona oeste de São Paulo.
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Bjs e abçs
CS.
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domingo, 19 de julho de 2009

Depois de um longo e tenebroso inverno ...

... volto a publicar poemas aqui neste blog. Foi um período sem conexão, de férias e com o micro pifado. Agora, tentarei contornar a falta de tempo, os compromissos profissionais e acadêmicos para, aos poucos, atualizar este meu cantinho.
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Bjs e abçs
CS

LÍNGUA

Carlos Savasini

Desvelando os pudores de teu corpo
pelas curvas que ondeiam teus sabores
pela carne que exala teus odores
pela seiva em que provo e que te sorvo.

Desta boca que beija e que te alisa
e que molha teus frutos e teus vales
e que sopram segredos tal qual brisa
me embriago em ti qual nos meus bares.

Te desvendo pelas preces e sussurros
decifrando as palavras de teus ais
e fervendo sem vestes nossos urros.

Pois assim tu me pedes, diz-me : vais
não me deixe prostrar sem ter prazer
nem seguir sem te amar, que é não viver.

(21/03/2009)

CAPATAZ

Carlos Savasini

Beba, então, da própria insensatez,
embargue a voz, enrola a língua dupla,
ao teu veneno inexiste a solução.

(21/03/2009)

terça-feira, 14 de abril de 2009

ANARQUIA

Carlos Savasini

Artigo I

Cada qual é responsável por seus atos.

Artigo último

Ficam revogadas todas as disposições em contrário.

(14/03/2009)