segunda-feira, 30 de abril de 2007

VIRADA CULTURAL - MAIO DE 2007



VIRADA CULTURAL NA CASA DAS ROSAS – MAIO / 2007


Dia 05 (Sábado)

16h – Na Edícula – Leitura Dramática do Conto Pela passagem de uma grande dor, de Caio Fernando Abreu. Com: Jaílson Lima, Silvana Becker e Guilherme Coelho.

16h – Sala 1 – Bate-papo com leitores sobre o livro Nervo Exposto, de João Pavesi, escritor que cruzou Cuba de bicicleta e registrou suas alegrias e consternações a respeito de um povo e sua cultura. Mediação feita pela professora Idália Majejon, Cubana, residente no Brasil há 7 anos, professora da Pontifícia Universidade Católica - PUC, Consultora de Cultura Latino Americana e Tradutora.

HALL

18h – PROJETO VIVA ARTE – A Associação Paulista Viva, com o apoio da Casa das Rosas e da Padaria Xodó, criou em setembro de 2006 o projeto Viva Arte, trabalho de inclusão que, através da música e da poesia, busca integrar alunos da rede pública na região da Avenida Paulista. Com aulas de violão e percussão, as crianças vivenciam, questões culturais de primeira ordem para a formação do cidadão consciente e apto a contribuir com a sociedade. Na Virada Cultural, estes alunos apresentam um recital de música e poesia como resultado do trabalho realizado entre janeiro e abril de 2007.

19h – ESPECIAL MUSICLUBE – O Musiclube, grupo de fomento à criação musical de invenção, surgiu em 2006 com o apoio da Casa das Rosas, capitaneado pelo artista paraibano Pedro Osmar. Na virada cultural, este grupo apresenta o CD Musiclube II, álbum lançado no final de 2006. Participação de Zulu de Arrebatá, Malungo, Esso, Naimã, Celso Alencar, Lupe Albano, Newton Wal, Marina Fama e outros.

21h – RECITAL O OBSERVADOR E O NADA é um recital poético em diálogo com a forma teatral. Construído como um monólogo a partir do livro homônimo de Micheliny Verunschk, o espetáculo reúne temas como sedução, morte, encontro, desencontro e voyerismo. Micheliny Verunschk é autora também de Geografia Íntima do Deserto (Landy, 2003) com o qual foi indicada para o Prêmio Portugal Telecom de Literatura de 2004. O espetáculo tem a participação do músico Edinho Almeida e trilha sonora de Ricardo Bolognini.

22h – ESPETÁCULO A LETRA DA RUA - A literatura da rua e sobre a rua é a matéria-prima do show lítero-musical com textos de vários autores apresentados pelo Grupo Viva Voz, composto por Frederico Barbosa (poeta), Clenir Bellezi de Oliveira (escritora) e Marcelo Ferretti (músico), além dos cantores e compositores Luiz Gayotto, Lú Horta e Paulo Padilha. A poeta Alice Ruiz faz uma participação especial.

Dia 06 (domingo)

0h – SARAOKÊ (sarau e música, aberto ao público) – o público será convidado a subir no palco e declamar poemas próprios e de autores consagrados numa divertida experiência conjunta com a improvisação musical de Luiz Gayotto, Lú Horta, Paulo Padilha e Marcelo Ferretti.

0h – (Na Edícula) LEITURA DRAMÁTICA: "Margaridas", texto de Vanessa Morelli, uma comédia negra, que conta a história de duas mulheres às voltas com o desaparecimento de um homem muito amado, além de um casal cujo relacionamento é regido por um grau de discussão naturalíssimo e uma velhinha cuja diversão é tecer comparações entre os tempos de antanho e a juventude atual. A dramaturgia de "Margaridas" tem um misto de rodriguiana, becketiana e uma influência inglesa. Na leitura dramática de "Margaridas" estarão as atrizes Débora Aoni, Fernanda Sophia , a autora Vanessa Morelli, além dos atores convidados Will Prado e Vera Monteiro.

3h – SHOW COM TRIO ZABUMBÃO - O Trio Zabumbão, formado por Fabinho do Zabumba, Flavinho e Chambinho, apresentará grandes números da poesia cantada nordestina, com clássicos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Dominguinhos e Alceu Valença, entre outros autores. O hall da Casa das Rosas se transformará em pista de dança para que o público desfrute, com todos os sentidos, o tradicional forró pé-de-serra.

5h - MUITAS MULHERES UM CHICO - As musas inspiradoras de grandes poetas são o argumento deste espetáculo de arte integrada que homenageia as figuras femininas da obra de Chico Buarque. Com teatro, literatura e muita música, o espetáculo faz uma leitura cênica das músicas do compositor através de seus personagens: Geni, Ana de Amsterdã, Cecília, Beatriz, Carolina, Rita, Rosa, Lili Braun, Terezinha, Angélica e Iracema. Além das “mulheres do compositor” o espetáculo contém trechos de textos clássicos de Lima Barreto, Brecht, José de Alencar e Nelson Rodrigues. Rosälia Älbuquérque, cantora e atriz pernambucana atualmente em São Paulo, canta e protagoniza as cenas, acompanhada de Leo Saldanha e Virgínia Barbosa na percussão.

7h – CAFÉ DA MANHÃ para todos aqueles que passaram a madrugada conosco!

Das 10 às 18h (domingo) - Rua do Livro na Virada Cultural - O Projeto Rua do Livro, idealizado e realizado pelo programa “São Paulo: um estado de leitores”, instalou semanalmente em dezembro de 2006 um espaço cultural privilegiando o incentivo à leitura. Agora, dentro da extensa programação da Virada Cultural, pretende replicar a iniciativa no espaço livre no entorno da Casa das Rosas. Editoras de grande porte e visibilidades serão convidadas a participar do evento que promoverá a circulação do livro e a difusão do conhecimento através de diversas tendas expositivas. Para maiores informações, visite o blog http://ruadolivro.blogspot.com.br

12h – RODA DE SAMBA: ESCOLA DE BAMBAS. Depois de dois meses de estudos, pesquisas e experimentações musicais, o grupo Haroldosamba apresenta ao público uma visão nova e criativa da história do samba brasileiro. O show é resultado do projeto Escola de Bambas, premiado pelo PAC 2006, da Secretaria de Estado da Cultura, desenvolvido na Casa das Rosas pelo crítico musical André Domingues (também idealizador do projeto) e pelo percussionista Betinho Sodré. No elenco estarão Iracema Monteiro, Alexandre Ribeiro, Betinho Sodré, Marco Bertáglia, Cabelinho, Marcelo Otávio e Kico Nogueira (diretor musical do grupo). Apoio: Instrumentos Redenção.

ROSA

Carlos Savasini

Alma inodora
Por vezes veludo
Por vezes espinho
Rosa vinho quando rosa vida
Rosa negra quando rosa morte

Alma não rosa
Por vezes urbana
Por vezes idílio
Rosa símbolo, vida em botão
Rosa inodora, rosa incolor

Rosa não ser, não alma, não vida
Rosa marcada em passagem por flor
Broto botão, veludo e espinho
Broto de véu e flores no chão
Rosa tapete, símbolo e marcas
Rosa persona, flor de mito e missão
Rosa vermute, carmim, convulsão.

(29/04/2007)

DATA

Carlos Savasini

Bolacha tem data de validade
Iogurte tem data de validade
Remédio tem data de validade

Cachaça tem validade indeterminada
Se bem fechada e guardada ao abrigo da luz

Só em gente é que não vem impressa

(29/04/2007)

TRICOTEIRO

Carlos Savasini

Um frango sem asas
Sem bicos, sem grilos, sem galos
Não tece manhãs.

(29/04/2007)

SIGA

Carlos Savasini

Siga, simplesmente siga
Mate a morte por falta de tempo
A falta de tempo por excesso de gaze
O excesso de gaze por muito frescor.

Siga, simplesmente siga.

(26-29/04/2007)

domingo, 29 de abril de 2007

ABORTO

Carlos Savasini

Aborto ou vômito
E idéias ao vento
Veneno nas veias do corpo
Não há desculpas pra vida
Nem culpa no soro
Aborto e vomito
Idéias ao vento
Sento sobre o liquidificador
Defeco no ventilador
E ligo
Se não dá ânsia, dá nojo
Aborto de idéias
Vômito ao vento
E versos, se pá, nas pauladas do mundo.

(28/04/2007)

SE

Carlos Savasini

Se Deus duvidar
Quiçá o mundo toma jeito
E põe na cruz a guerra santa.

(28/04/2007)

sexta-feira, 27 de abril de 2007

SOLSTÍCIO

Carlos Savasini

Solfejo sobre pés e sobre tons
Martírio musical em forma certa
Monjolo deita notas, gotas, sons
Tortura pinga e pinga em luz incerta.

Aurora solitária ao norte e morte
Martini engarrafado, rimas, chão
Contorno exagerado, corte ou sorte
Tortura taciturna busca o grão.

O verso corrompido cabe em tentos
Atento aos passos, correm todos lentos
Na forma que por si já fez história.

Os pés caminham tontos, fim da luta
Gotejo alguma verve na labuta
Na calma de atingir alguma glória.

(21-24-26/04/2007)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

RECITAL DO RASCUNHOS POÉTICOS

SÃO PAULO, CIDADE PRODÍGIA EM OPÇÕES DE LAZER, CULTURA E ATÉ DE TRABALHO, NÃO PARA NEM NO FERIADO DE 1º DE MAIO !

O QUE ? RECITAL DO RASCUNHOS POÉTICOS
QUANDO ? SÁBADO, 28 DE ABRIL DE 2007
A QUE HORAS ? 20:00 HORAS
AONDE ? CASA DAS ROSAS (AV PAULISTA, 37, SÃO PAULO, SP)
QUANTO ? DE GRAÇA

APAREÇAM !

SAUDAÇÕES POÉTICAS
CARLOS SAVASINI & OSVALDO PASTORELI
Ainda nesta semana :

- dia 26/04/07 (hoje !), às 22:00 : show do grande Vlado Lima, no Vila Teodoro (Rua Teodoro Sampaio, 1229, Pinheiros, São Paulo, SP - quase esquina com a Av Henrique Schaumann)

- dia 27/04/07 (amanhã !), às 20:00 : Concertos Literários com abertura de músicos e compositores do Clube Caiubi, na Biblioteca Temática Alceu Amoroso Lima (Av Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo, SP - esquina com a Rua Cardeal Arcoverde - a uma quadra do Vila Teodoro)

- dia 27/04/07 (também amanhã !), às 21:00 : Sopa de Letrinhas, o Sarau do Caiubi, no Vila Teodoro (Rua Teodoro Sampaio, 1229, Pinheiros, São Paulo, SP - quase esquina com a Av Henrique Schaumann - a uma quadra da Alceu Amoroso Lima) - Poeta Homenageado : Vlado Lima (comemorando aniversário com a galera !)

Aguardos !

CS
Vejam o que ganhei deste grande amigo :

para os amigos Savasini e Zi

A guitarra rasga a nuvem em pedaços de amizades que se espalha no sentimento do mundo onde a toalha com desenhos trabalhados guarda a alma da poesia.

PROCELAS

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Escolhido o tema
Não me venha com novenas
Nem sequer com novelas
Me venha com diálogos
Sem churumelas
E que sejam para ela

Não me venha com chuleta
Com chupetas, churros, mamadeiras
Se não mando-te pras procelas
Onde afogarei nas águas salgadas
A saudade dela

(22/04/2007)

domingo, 22 de abril de 2007

LEVADA

Carlos Savasini

Gente da gema
Gente da boa
Balada de amigos aos montes
Pisco de olhar
Pisco a flertar
Pingando a goteira da vida

Balada levada de amigos
Volteio de amor e de musas

Gosto de gelo
Gosto na boca
No escuro o desejo te busca
Verso em louvor
Versos de amor
Versando o que sinto por ti

Volteio de amor e de musas
Gracejo e certeza de amor

Graça ao te ver
Graça ao te ter
Gracejo de risos e festas
Certo ao querer
Certo ao dormir
Certeza de um sonho feliz

Gracejo e certeza de amor
Balada e levada de amigos
Volteio de amor e de musas

(20-21/04/2007)

SÓ QUEM NÃO QUER

Carlos Savasini

Vistas previstas
Cenas comuns
Gosto ao largo do olhar popular

Fotos tiradas
Quadros pintados
Nada de novo nas artes, no enfoque

Versos datados
Vista marcada
Tudo já dito por culpa do que disse

Mude o foco
Mude o globo
Mude o toque do tambor já cansado

Mude o samba
Mude a pena
Mude o rumo daquilo já dito
Cristo visto de costas
Ego visto de fora
Cego visto sem dó

Só não vê quem não quer

(21/04/2007)

LÁGRIMA QUE RI

Carlos Savasini

Sambista feito palhaço
Ri na roda, chora lá fora
Chapéu na mão, cartola e careca
Lamento no surdo e cuíca.

(21/04/2007)

sábado, 21 de abril de 2007

ONTEM, NO VILA TEODORO

Gente,

Ontem teve, com perdão da palavra, um puta show do Ricardo Soares no Vila Teodoro. Quem não o conhece, não sabe o que está perdendo. Logo mais, ele, o cara, está com CD novo saindo do forno : confiram !

Blogue do Ricardo : http://www.ricardosoares.com.br/blog/

Inté !

CS

PIC

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle, Osvaldo Pastoreli e Safira Conovalov.


Meu paladar engrandece
Minha alma agradece
Companhia de amigos sob as árvores
Acalento para meu ser
Tormento para o meu vaso sanitário
Otária é como não sou agora.

Sinto-me música
Entre as árvores quietas
Que observam a poesia
Do corpo – alimento vivo.

O tempo parou
O corpo se alimentou
A natureza nos observou
E a alma silenciou.

A vista brilha enternecida
Baixa estrelas do céu à mesa
Encanta-nos sob a luz do sol
Gira como luz ininteligível.

Sinto-me justificada
Bem assim, compreensível
Mesa, amigos, arte amada.

(15/04/2007)

PONTO P

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle e Osvaldo Pastoreli.

Alma macho
Espírito fêmea
Entendimento macho – fêmea
Discípare átomo
Alma macho
Desejo de mudança
Coração plácido
No dançar das cadeiras
A mulher cadeirada
Faz perder a razão, floresce o tesão
E faz do homem
Alguém sem razão.

Busca macho – fêmea
Viver entre amor e paixão
E o desejo em sobreviver
Uma eterna paixão.

Orgasmo multi – étnico
Prazer bi – sexual
Vida multi – plural
Alma bígama
Macho – fêmea
Vinho – comida – arte – agressiva
Encontro de missão obsessiva
Fantasia etino - virtual
Arte heterossexual
Pão que semeia
Farinha que põe o pó no ponto G
Germina a poesia
E a poesia no ponto P de
Perversa.

(15/04/2007)

EMOÇÕES

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol, Michel Nozelas e Osvaldo Pastoreli.


Dormindo encostado na árvore
O sonho vem revigorando
A vida entre vinho
E conversa
Vida entre folhas de outono
Gotas fermentadas de uva
Cachos de vozes, sentidos
E sentimentos
Goles que me engolem
Tarde que me entardia
Poesia que me guia
Gula de palavras absolvidas
Que me absolvem
Conversas, goles e risadas
Pensamentos, opiniões e talvez contradições
Sobre a vida que vivemos ou gostaríamos
De viver.

(15/04/2007)

CREPÚSCULO

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle, Michel Nozelas, Osvaldo Pastoreli, Rosangela Aliberti e Safira Conovalov.

Quero virar formiga mesmo em sonho
Quero abraçar árvores na realidade
Quero viver mais momentos verdes
Alforria sem pastores alemães
Num canto absoluto
Ao entardecer no som
Do avião sobrevoando
Árvores em momentos poéticos.

Fim de tarde em Ibirapuera
Ter você aqui, pudera
Jardim com pintura de Renoir
Teus olhos me olham onde está
Vertigem para meus olhos e fígado
Palavras apimentadas com gengibre
Fazem delas um soneto de prazer
Que me entorpecem no anoitecer.

Eu peço para não acabar
Descubro o fazer, realizar
Rezo, tento perdurar
Sonho, há de não acabar
Convido amigos, carinhos, queridos
Queridas, musas e amigas
Toda poesia encantada
Olhos absolutos ... relatividade
Neste entardecer sem fim
Com toda poesia encantada
Poderíamos passar a vida inteira assim
Comemorando momentos com amigos e
Desconhecidos
Registrando com as imagens das fotos
E as lembranças do coração
Que serão lembrados
Sempre.

(15/04/2007)

terça-feira, 17 de abril de 2007

FRUSTRADO

Carlos Savasini

Tantas vezes desejo desmedido
Na palavra que escapa pela boca
Desencanta meu sonho nela tido
Transformando a cantada em fala oca.

Me derramo em volteio colorido
A transformo em moderna neo-barroca
Neo-madona que grito em alarido
Ao que tenho sonoro cale a boca.

Fulgurante azedume agora impera
O que fora desejo não deflora
Pequenino se esconde de uma fera.

O passado frustrado vê-se agora
Reduzido e jogado em uma cama
Que se mela na mão que não aclama.

(15/04/2007)

PIQUENIQUE POÉTICO

Eu, Zi, Rosangela, Osvaldo, Luciana e Safira

Osvaldo, Luciana e Gabriela

Zi, Safira e Rosangela

Carol e Michel

Eterna musa Zi

domingo, 15 de abril de 2007

BOTÃO

Carlos Savasini

Rosa fria em sol poente
Céu lilás refletindo puto
A branca flor de abstrato sujo
Botão puro na cloaca do mundo.

(14/04/2007)

VEREDA

Carlos Savasini

Do tema entrelaçado e peles
Pêlos aveludados vestem pudores
Peitos velam busto em bicos vorazes
Bossa envereda o ritmo das carnes
Veredas de toques, versos e canetas
Escrevo meu poema em teu corpo.

(14/04/2007)

INFANTIL I

Carlos Savasini

Besouro, barbante e palito
Caixa de fósforos, roda – cartão e tesoura
Carro de bois infantil.

(14/04/2007)

INFANTIL II

Carlos Savasini

Vareta, cola e papel de seda
Barbante e lata de folha de flandres
Arraia voadora.

(14/04/2007)

Ó

Carlos Savasini

Chame Xangô e Oxalá
Negra Fulô no ofurô
Deu risada e chorou
Do tamanho : assim ó !

(14/04/2007)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

PRECE

Carlos Savasini

Ao som das ondas, marolas
Sorriso puro de alvura
Não rezo rezas corolas
Eu vivo a vida em candura.

(08/04/2007)

GRACEJO

Carlos Savasini

Asta la vista, my friend
Os dias foram tão bons
Que a língua embaralha de graça.

(08/04/2007)

SÚPLICA

Carlos Savasini

Ainda vinga o nosso pedido
Ainda vence a telepatia
Olhares abertos de fome e desejo
Cardápio que atiça saliva na boca
Vinga o espinho que fere a garganta
Vinga o vazio do garfo que escapa
Pulso que pede gosto e tempero
Boca fechada saliva desejo.

Ainda vinga o bucho vazio
Ainda vence a força da falta
Vista que lança isca e anzol
Busca que alça rede e carretel
Vinga o espeto roliço de ferro
Vinga o carvão de brasa branca e cinza
Pulso que fraco pulsa sem viço
Boca que seca saliva e sertão.

(08/04/2007)

NADA

Carlos Savasini

Brumas ao vento
Madeixas aos cachos
Nada me deixa de olhar por você.

(07/04/2007)

PAPARAZZI

Carlos Savasini

Na festa de corpos, bundas e peças
A pressa das fotos buscam instantes
Contentes momentos, brilho das festas
O corpo em contorno jaz redundante.

Ao tempo o que passa, passa e produz
Balanço de carnes, peles e estrias
Aos poucos o brilho logo reduz
Vontade, desejo, gosto, alegria.

O corpo que busca flashes de olhares
E faz atentado, atenta ao pudor,
Manga dos dedos que buscam fulgor.

O corpo que foi de muitos milhares
E jaz tão disforme, forma formol
Nunca, jamais cantará no arrebol.

(07/04/2007)

PICINGUABA


PICINGUABA
Carlos Savasini
Grelha ao alho e óleo
Frutos do mar ao ponto
Maresia fresca ao pé de areia.
(06/04/2007)

ENCONTRO

Carlos Savasini

Lembranças desta vida, o desafio,
Encontro de propostas, de desejo,
Bonança de encontrar-te no teu brio,
Vontade de estourar o escaravelho.

O lábio, meu falante, no teu beijo,
Abraço que te abraça e cala o frio,
Lembranças desta vida, o desafio,
Encontro de propostas, de desejos

Memórias do passado, de teu brilho,
A fala que te busca em meu ensejo,
O lusco-fusco tenta o descarrilho
Amor que canta e dança num solfejo
Lembranças desta vida, o desafio.

(06/04/2007)

D'ARC

Carlos Savasini

Osso espúrio de Joana
Quem quer saber da santa
Que atire a primeira brasa.

(06/04/2007)

PORO

Carlos Savasini

A noite foi linda, sempre encantada,
Comida, bebida, tudo de bom,
Teu leito sedento, sede banhada
A fome do corpo é sempre teu tom.

O toque, arabesco, beija assanhada,
Teu braço me arrasta, faz o teu som,
Me banha com gosto de alma lavada
Não cansa da caça, faz por ter dom.

Com erva, com óleo, cheiro de corpo,
Teu cheiro que corre poro por poro,
No ventre me encharca puro, inodoro.

No gosto que provo, sinto o que sorvo
Acanho meu rosto junto do teu
No banho que lavo, rasgo meu véu.

(06/04/2007)

ASSIM

Carlos Savasini

Foi no céu de quase noite
Quando tudo pode ser
Leito ao léu de cão, açoite
Negro em luto pode ver.

Morte, foice, nada novo,
O que ter senão o certo ?
Vida foi-se ao largo e outro
Tudo é ser o nada incerto.

E foi assim que assim te vi
Por ti que sempre assim eu fui.

Foi no povo a festa, santa,
Olho prego mina e toma
Potro novo tudo encanta
Fica cego, o coice doma.

Nada canta, mas a voz
De uma trova surge o flerte
Salve santa, nunca noz
Na palhoça de querer-te.

E foi assim que assim te vi
Por ti que sempre assim eu fui.

Dor atroz é não tocar-te
Hoje ver-te é um milagre
Cale a voz, eu vou falar-te
Junto ter-te faz-me alegre

Hoje amar-te converteu
Meu agreste sem palmeiras
Hoje em verde, outrora ateu
Teu cipreste é de sereias.

E foi assim que assim te vi
Por ti que sempre assim eu fui.

(03-05/04/2007)

terça-feira, 10 de abril de 2007

PARAÍSO COMEÇA COM P - PICINGUABA TAMBÉM

Praia de pescadores e hoje também de turistas - barcos de pesca e escunas convivem lado a lado
Baia de águas calmas e mata atlântica beijando o mar

Barcos sob o chapéu de sol

Até à noite alguns barcos operam


Vista para a Praia da Fazenda

Vista da varanda da Pousada Rosa de Picinguaba

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A - TENTADO

Por Carlos Savasini, Luciana do Vale, Osvaldo Pastorelli e Rosangela Aliberti.

Insulto é ver as torres gêmeas (duas ?)
Edificando sua calça
Tornando um mala sem alça como você
Alguém para minha alçada ...
Duplas torres, duplas carnes, monte duplo
Par de montes seios, alças, busto
Tronco em par com calças justas
Montes somam malas de calcinhas e cuecas
O monstro fica em evidência
Mostra o prazer de todos,
O olhar belisca cenas
O olfato arranha a pele
A boca soletra momentos românticos
O mesmo sol toca tantos corpos
O presente não destrói os sonhos do amanhã
Que prevalece sempre
Haja o terrorismo que houver.

(31/03/2007)

FERTILIDADE CROCANTE

Por Carlos Savasini, Luciana do Vale, Marisa del Santo, Osvaldo Pastorelli e Rosangela Aliberti.

Chuva, rock e futebol
Um homem na cama, e
Uma mulher atenta
Um anjo safado com a boca lambuzada
De chocolate recém saído da TV
Espalha suspiros
Varinhas de condão
Põe no gráfico fantasias
Sorvete que fica quente
Boquete – croquete que
Crocanteia o relacionamento
Faz daquele jumento
Um homem articulado – de cú lambuzado
De lado – QI → 1001
Do outro carne escorrendo
Língua entre lábios e carnes
Vulva de terra e conquista
Mastro – croquete de jumento crocante
Espada ativa penetra
Em grutas desconhecidas
Revelam orgasmos de
Novas vidas
Descanso em paz
Pós orgias de letras / termino
Sorrindo em cima da mesa
O bom é concretizar ilusões
Doces além das salas de jantar.

(31/03/2007)

OUTONO ERÓTICO

Por Carlos Savasini, Luciana do Vale, Osvaldo Pastorelli e Rosangela Aliberti.

Abro o coração na sensibilidade da
Alma em busca do que perdi
Noites insones, sete pores-do-sol apagados
Cobertores e lençóis divididos,
Preconceitos engolidos, negociações desfeitas,
Amores incompreendidos ...
Luas nuas agora iluminam o caminho
Apagam os pores-do-sol de outrora
Formam-se vida e invadem a vagina
De uma mulher aluviada / aliviada
Encharcam o ventre de tesão e prazer
Preenchem a nova mulher
Envolvem lençóis e fantasias
Criam tentações – mitos – milagres
Fimbrias a escorrer o líquido – vida
Procriando vida úmida tão somente.

(31/03/2007)

18:20

Por Carlos Savasini, Luciana do Vale, Marisa del Santo, Osvaldo Pastorelli e Rosangela Aliberti.

Cerveja estúpida_mente gelada
Cereja comum_mente escancarada
Abre às idéias que poluem
No vozerio da chuva temporal
Chuva negra – cerveja gelada
Conversa que se inicia
No jornaleiro as letras dançam aos olhos
O vento revira sombrinhas, mastigamos prosas
As últimas águas de março
Deixam o verão e anunciam o
Outono aquecido pelo globo
Globo bobo – bobo globo
O mundo invertido, inversão
Voluntariamente atravessado
Travado, invertido, adulterado
No vem e vai de todos os dias
Nos olhares que se cruzam entre
Copos e garrafas
Há pessoas que bebem para amortizar a realidade
Há pessoas que não percebem os símbolos de status
Saltando das garrafas construindo aventuras radicais
Sem tirar a bunda do sofá
E há pessoas que bebem moderadamente ...

(31/03/2007)

domingo, 1 de abril de 2007

FLECHA

Carlos Savasini

Prado de campos e cedros
Lume de luzes incertas
Setas na pele e no peito.

(31/03/2007)

FLORESCE

Carlos Savasini

Há botão que em mim floresce
Em dor, candura e sedução
Afago afoito e nunca flor.

(31/03/2007)

SERPENTE

Foto retirada da internet

SERPENTE
Carlos Savasini

Lava a cabeça da cobra
Cabeça que pisca, segura e cospe
Cabeça que espuma, escorrega e come
Cabeça que pisca, envolve e penetra
Cabeça de cobra, cobiça que enrola
Cabeça de cobra, derrete e levanta
Delírio e maçã na boca da cobra.

(31/03/2007)

MERCADO ARCO-ÍRIS

Foto retirada da internet

MERCADO ARCO-ÍRIS
Carlos Savasini

Verde, verde
Shampoo de céu e corante
Azul, azul
Céu de cenoura e raiz
Anil, anil
Chão de grãos e sementes
Amarelo, amarelo
Amor em caixinhas de leite
Vermelho, vermelho
Polpa de frutas mascadas
Laranja, laranja
Morangas em cor de abóbora
Roxo, roxo
De vergonha preta e branca
Gôndola de costas pro mundo
Justiça a preço de ouro.

(31/03/2007)

ENQUANTO

Foto : Kevin Carter

ENQUANTO
Carlos Savasini

Enquanto a morte não chega
Penas, bicos e asas
Enquanto a morte não chega
Carranca e carneiro
Enquanto a morte não chega
Cabeça pesada e bucho vazio
Enquanto a morte não chega
Cruz e papelão
Enquanto a morte não chega
Cova e cabaça
Enquanto a morte chega e vai
Clique, celulóide e papel
Enquanto a morte cai e vai
Foto, papel e caneta
Enquanto a morte vai e cai
Pena, foto e papel
Enquanto a morte vai
Cai
Enquanto não chega.

(31/03/2007)

RASCUNHOS POÉTICOS (31/03/2007)

Atras : Safira, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Aliberti, Maria Luiza Palhas, Luciana do Valle, Marisa del Santo, Pedro e Carlos Savasini
Na frete : Fabio, Zi (a musa), Erica e Tyta