Carlos Savasini
De aflição e agonia
açoites sem anestesia
em saudosismo insosso
em paladar já oco
de palavras certas
cheias
certeiras.
De espinhos e estorvo
estratos de esteio
sublimam suportes
de espelhos trincados
imagens vazias
cinzas
sem vida.
De orgasmos e urros
ostentação sem humos
fumaça forasteira
de cheiro esparso
toques raros
rasos
rasteiros.
O céu perdeu-se de gás
a terra de fundo
o mar de fossa
o ser do outro
e o certo de porto.
(20/07/2008)
terça-feira, 29 de julho de 2008
AURORA
Por Binho Santos, Bruno R Furlen, Carlos Savasini, Carmem Sanches, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Aliberti e Samara Sieber.
No dilúvio dos copos
sorriem as espumas
nos cantos da mesa
escorrendo desejos
sortidos e esparsos
aquosos e fluidos
vida líquida
amniótica
correnteza
poço sem fundo
liberdade nos verbos
cruzamento de gestos
olhares, cadências
Dolentes, brisas perpassam as letras ...
Lentas, as frases sem verbos timbram
no papel a hora clara ...
Rara, a aurora da alma deslumbra ...
Rubra, a neve colore o vazio e vive
no umbral das campinas ... umbigo !
Canto de minh’alma, ecoa pelas pradarias
voa livre sem barreiras
até que um dia ...
os copos se quebram
nos rochedos
das angústias.
(19/07/2008)
No dilúvio dos copos
sorriem as espumas
nos cantos da mesa
escorrendo desejos
sortidos e esparsos
aquosos e fluidos
vida líquida
amniótica
correnteza
poço sem fundo
liberdade nos verbos
cruzamento de gestos
olhares, cadências
Dolentes, brisas perpassam as letras ...
Lentas, as frases sem verbos timbram
no papel a hora clara ...
Rara, a aurora da alma deslumbra ...
Rubra, a neve colore o vazio e vive
no umbral das campinas ... umbigo !
Canto de minh’alma, ecoa pelas pradarias
voa livre sem barreiras
até que um dia ...
os copos se quebram
nos rochedos
das angústias.
(19/07/2008)
MATIZES
Por Binho Santos, Carlos Savasini, Carmem Sanches, Osvaldo Pastorelli, Samara Sieber e Vitória Paterna.
Meu corpo se enrosca no copo da noite
e revela a plenitude de somente ser
encanto e mistério permeiam a madrugada
copo e corpo se mesclam na mente
o véu argênteo permite a translação
do ser em não ser e o que fosse, seria
meu corpo se enrosca no corpo do seu destino
entrelaçam-se os sonhos
enlaçam-se os medos
costuram-se nossas vidas
enquanto, num canto escondido,
mudo e escuro,
alimento o branco de sorrisos
que mordem os braços da noite
– e é ele, o teu único sorriso,
branco, vermelho, cor de crepúsculo,
da cor desse teu sangue
que pinta meu amor na tua pele.
Roço os olhos dessa pele ácida
dormida em flácido corpo
ouço os órgãos da palavra dita
e adormeço no corpo
da noite sonhando
como o ser único e pleno
envolto em noite negra
risos vermelhos
e sonho incolor.
(19/07/2008)
Meu corpo se enrosca no copo da noite
e revela a plenitude de somente ser
encanto e mistério permeiam a madrugada
copo e corpo se mesclam na mente
o véu argênteo permite a translação
do ser em não ser e o que fosse, seria
meu corpo se enrosca no corpo do seu destino
entrelaçam-se os sonhos
enlaçam-se os medos
costuram-se nossas vidas
enquanto, num canto escondido,
mudo e escuro,
alimento o branco de sorrisos
que mordem os braços da noite
– e é ele, o teu único sorriso,
branco, vermelho, cor de crepúsculo,
da cor desse teu sangue
que pinta meu amor na tua pele.
Roço os olhos dessa pele ácida
dormida em flácido corpo
ouço os órgãos da palavra dita
e adormeço no corpo
da noite sonhando
como o ser único e pleno
envolto em noite negra
risos vermelhos
e sonho incolor.
(19/07/2008)
SINESTESIA
Por Binho Santos, Bruno R Furlen, Carlos Savasini, Carmem Sanches, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Aliberti, Samara Sieber, Selda Roldan e Vitória Paterna.
Céu azul de anil e laranja
leve, livre e luxuriante
leva o firmamento frouxo
ao fluxo firme de fé em fissuras e feitiços
amaldiçoadas as horas em que me entreguei
ao vôo, ao copo, ao corpo
e na penumbra, sonhos inesperados
tornam-se claros
foge no auge, eu que te afogo em mim
eu, que subi até os estratos mais altos
para, sem véu, sem vácuo, amar-te vadio
sou gaivota, sou gestante, sou gente
gente que grita, gente que chora
gente que canta, gente que ora
que por hora quer ser feliz
na ágora, com todos, agora
eu, entre o que é céu e mar, sou ar
que penetra nos espaços descuidados
bato janelas, arredondo saias, lanço chapéus
com a força de corrente, sou ar corrente
na fimbria do ser
leveza que esbarra
nos móveis da alma
em sorriso de mesa alegria
sirvo o jantar na ampla sala
abro meus braços
e respiro o afeto do universo
do horizonte
deito meu corpo ao lado do teu
deito meu espaço ao lado do teu
leve e lancinante
lascivo
luxuriante
bendita a hora em que descobri
que minha vida seria tua.
Que cores tingem esta noite virgem ?
(19/07/2008)
Céu azul de anil e laranja
leve, livre e luxuriante
leva o firmamento frouxo
ao fluxo firme de fé em fissuras e feitiços
amaldiçoadas as horas em que me entreguei
ao vôo, ao copo, ao corpo
e na penumbra, sonhos inesperados
tornam-se claros
foge no auge, eu que te afogo em mim
eu, que subi até os estratos mais altos
para, sem véu, sem vácuo, amar-te vadio
sou gaivota, sou gestante, sou gente
gente que grita, gente que chora
gente que canta, gente que ora
que por hora quer ser feliz
na ágora, com todos, agora
eu, entre o que é céu e mar, sou ar
que penetra nos espaços descuidados
bato janelas, arredondo saias, lanço chapéus
com a força de corrente, sou ar corrente
na fimbria do ser
leveza que esbarra
nos móveis da alma
em sorriso de mesa alegria
sirvo o jantar na ampla sala
abro meus braços
e respiro o afeto do universo
do horizonte
deito meu corpo ao lado do teu
deito meu espaço ao lado do teu
leve e lancinante
lascivo
luxuriante
bendita a hora em que descobri
que minha vida seria tua.
Que cores tingem esta noite virgem ?
(19/07/2008)
domingo, 27 de julho de 2008
PONTO
Carlos Savasini
De fome, sede ou falta
de tristeza, ausência ou cirrose
de tempo, acidente ou bala perdida
toda morte é morte
todo fim é poético
de espinho na garganta
e flor no canto da boca.
(19/07/2008)
De fome, sede ou falta
de tristeza, ausência ou cirrose
de tempo, acidente ou bala perdida
toda morte é morte
todo fim é poético
de espinho na garganta
e flor no canto da boca.
(19/07/2008)
FALASTRÃO
Carlos Savasini
Desculpe, querido, passe :
a tua insolência farta,
o teu desajuste fica,
remendo que não se ajusta.
No teu relicário casto
o teu poemário falso
ilude o primeiro verso,
detona qualquer soneto
e mata qualquer poeta
de desgosto.
(19/07/2008)
Desculpe, querido, passe :
a tua insolência farta,
o teu desajuste fica,
remendo que não se ajusta.
No teu relicário casto
o teu poemário falso
ilude o primeiro verso,
detona qualquer soneto
e mata qualquer poeta
de desgosto.
(19/07/2008)
DE PASSAGEM
Carlos Savasini
À Mário Quintana
Que passem os anos
mas passem feito fantasmas
ora invisíveis, ora inexistentes,
ora terríveis e temíveis feito a provação que impulsiona
feito a falta que busca, que move e que não prostra
feito o medo que provoca desejo e negação
feito o tempo que ora foge e nunca sobra
e ora re-visita o que passou.
Pois que passem os anos
que passem as horas
que passem instantes
e passem os outros,
menos eu e o passarinho.
(19/07/2008)
À Mário Quintana
Que passem os anos
mas passem feito fantasmas
ora invisíveis, ora inexistentes,
ora terríveis e temíveis feito a provação que impulsiona
feito a falta que busca, que move e que não prostra
feito o medo que provoca desejo e negação
feito o tempo que ora foge e nunca sobra
e ora re-visita o que passou.
Pois que passem os anos
que passem as horas
que passem instantes
e passem os outros,
menos eu e o passarinho.
(19/07/2008)
quinta-feira, 24 de julho de 2008
EM TUDO, EM NADA
Carlos Savasini
A solidão é tudo em si. O excesso,
se não dos outros, das coisas,
é tudo além do próprio ser.
(18/07/2008)
A solidão é tudo em si. O excesso,
se não dos outros, das coisas,
é tudo além do próprio ser.
(18/07/2008)
RASTROS
Carlos Savasini
I
Nunca mais uma dose,
loucura pouca é bobagem :
ou ao céu as asas se estendem
ou ao inferno as mãos chafurdam.
II
Nunca mais meias palavras
ou meias verdades
ou meias mentiras :
meio copo vazio pede a sanidade acética
e meio copo cheio pede o porre homérico.
III
Nunca mais o silêncio agonizante
ou a verborragia vazia :
antes o muro que as forças neutraliza,
antes o campo que as forças dispersa.
IV
Nunca mais pouca loucura,
nunca mais pouca sanidade :
negro que é negro é preto e reluz,
branco que é branco é claro e ofusca.
V
Meu lado é o que deixa pegadas.
(13/07/2008)
I
Nunca mais uma dose,
loucura pouca é bobagem :
ou ao céu as asas se estendem
ou ao inferno as mãos chafurdam.
II
Nunca mais meias palavras
ou meias verdades
ou meias mentiras :
meio copo vazio pede a sanidade acética
e meio copo cheio pede o porre homérico.
III
Nunca mais o silêncio agonizante
ou a verborragia vazia :
antes o muro que as forças neutraliza,
antes o campo que as forças dispersa.
IV
Nunca mais pouca loucura,
nunca mais pouca sanidade :
negro que é negro é preto e reluz,
branco que é branco é claro e ofusca.
V
Meu lado é o que deixa pegadas.
(13/07/2008)
A DOR DA ESPERA IV
Carlos Savasini
Aguardo sim, mas mesmo
assim não fico satisfeito
enquanto a solidão é sem você.
(18/07/2008)
Aguardo sim, mas mesmo
assim não fico satisfeito
enquanto a solidão é sem você.
(18/07/2008)
SOBRE CATA-VENTOS E GIRASSÓIS
Carlos Savasini
Roda, rodamoinho
do fundo à superfície
rodando os meus pensamentos.
(13/07/2008)
Roda, rodamoinho
do fundo à superfície
rodando os meus pensamentos.
(13/07/2008)
O CONVITE, A NEGATIVA E O PALHAÇO
Carlos Savasini
Aqui, assim, de frente
açulando e atiçando a pele
pulando e prostrando a febre
chamando os seus olhos aqui.
Assim, aceso, de fato
acendendo e armando o falo
pululando e preparando o ato
convidando os seus olhos assim.
Aqui, palhaço, paro
advertido e acuado calo
provendo e promovendo o sarro
calando aos seus olhos assim.
(13/07/2008)
Aqui, assim, de frente
açulando e atiçando a pele
pulando e prostrando a febre
chamando os seus olhos aqui.
Assim, aceso, de fato
acendendo e armando o falo
pululando e preparando o ato
convidando os seus olhos assim.
Aqui, palhaço, paro
advertido e acuado calo
provendo e promovendo o sarro
calando aos seus olhos assim.
(13/07/2008)
sábado, 19 de julho de 2008
EM TEMPO REAL
Carlos Savasini
A morte ao vivo e ao morto
onde os paparazzis flagram princesas
onde a Tamburello vira tangente
onde o Boeing aterriza no centésimo andar.
Assim é a vida
via satélite em closes, recortes
ao vivo e a cores.
(12/07/2008)
A morte ao vivo e ao morto
onde os paparazzis flagram princesas
onde a Tamburello vira tangente
onde o Boeing aterriza no centésimo andar.
Assim é a vida
via satélite em closes, recortes
ao vivo e a cores.
(12/07/2008)
ARGONAUTA
Carlos Savasini
Fim de caso
fim de linha
fim de tudo
de artifício.
Que o mundo ao menos acabe em barranco
em show de fogos pirotécnicos, pirófagos, piromaníacos.
Fim.
(12/07/2008)
Fim de caso
fim de linha
fim de tudo
de artifício.
Que o mundo ao menos acabe em barranco
em show de fogos pirotécnicos, pirófagos, piromaníacos.
Fim.
(12/07/2008)
NA CABEÇA
Carlos Savasini
E deu praga na cabeça
não a Praga do Danúbio
nem a praga da peste
nem a Praga de abóbadas e pontes.
Deu a praga de ogivas e arsenais
a praga do bem contra o mal
a praga beligerante do animal
da besta que ataca
que mata
que achaca.
E deu Praga na cabeça,
pena não ser um animal.
(12/07/2008)
E deu praga na cabeça
não a Praga do Danúbio
nem a praga da peste
nem a Praga de abóbadas e pontes.
Deu a praga de ogivas e arsenais
a praga do bem contra o mal
a praga beligerante do animal
da besta que ataca
que mata
que achaca.
E deu Praga na cabeça,
pena não ser um animal.
(12/07/2008)
SOBRE O CÉU, SOB O SOL
Carlos Savasini
Redoma de Gaia sobre nós
intenso, profundo, estonteante.
Casca de gás que não foge
inerte, composto, explosivo.
Repleto de si e não vemos
no azul, tão azul que até dói.
(09/07/2008)
Redoma de Gaia sobre nós
intenso, profundo, estonteante.
Casca de gás que não foge
inerte, composto, explosivo.
Repleto de si e não vemos
no azul, tão azul que até dói.
(09/07/2008)
PRESSÁGIO
Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli
nas linhas da vida escravizamos
nossos passos
nas ondas que sondam desprezando
nossos cascos
na rima da razão não sentimos
nossos casos
nas chamas da cama esvaziada
nossa roça
roçamos sentimentos
esvaziamos sentidos
vertemos gotas
na linha que escraviza
fria
encerramos
os passos
no dia a dia
nosso
em cada
morte sentida
(06/07/2008)
nas linhas da vida escravizamos
nossos passos
nas ondas que sondam desprezando
nossos cascos
na rima da razão não sentimos
nossos casos
nas chamas da cama esvaziada
nossa roça
roçamos sentimentos
esvaziamos sentidos
vertemos gotas
na linha que escraviza
fria
encerramos
os passos
no dia a dia
nosso
em cada
morte sentida
(06/07/2008)
SEIVA
Por Alexandra, Binho Santos, Carlos Savasini, Osvaldo Pastorelli, Rosangela Aliberti, Safira Conovalov, Sônia Maria Moschetti Silva, Vitória Paterna e Ezequiel Mendes Pereira (Zaque)
Os versos deslizam no fio tênue do frio,
escorrem de minha boca como mel, feito fel,
descobri que devo me descobrir e conhecer,
recriar no inexplicável do nosso ser.
A seiva desliza no tênue fio do corpo,
ele é oco e contém poemas que saem escatologicamente,
pouco a pouco.
O sangue é frouxo fluxo, pedra que pulsa,
ancestralidade que lateja nos vácuos das veias,
o sangue fala nas fibras do papel,
vinca, finca e planta pés de amanhã.
A seiva desliza em púrpura pelo tronco
nas mortes e podas da calada noturna
em fins de semana quando morrem
as flores, as folhas e as raízes.
Os versos que deslizam corpo a corpo,
são história, arma que lavra
mais de uma palavra cravada
assinando a fala de um coração desgovernado.
(05/07/2008)
Os versos deslizam no fio tênue do frio,
escorrem de minha boca como mel, feito fel,
descobri que devo me descobrir e conhecer,
recriar no inexplicável do nosso ser.
A seiva desliza no tênue fio do corpo,
ele é oco e contém poemas que saem escatologicamente,
pouco a pouco.
O sangue é frouxo fluxo, pedra que pulsa,
ancestralidade que lateja nos vácuos das veias,
o sangue fala nas fibras do papel,
vinca, finca e planta pés de amanhã.
A seiva desliza em púrpura pelo tronco
nas mortes e podas da calada noturna
em fins de semana quando morrem
as flores, as folhas e as raízes.
Os versos que deslizam corpo a corpo,
são história, arma que lavra
mais de uma palavra cravada
assinando a fala de um coração desgovernado.
(05/07/2008)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
NO FIO DA NAVALHA
Carlos Savasini
Entre a unha e o osso a carne
entre a guelra e a escama o anzol
entre a terra e o caule o alicate
entre o ventre e a fome o alimento.
Entre a fé e a crença
entre deus e o diabo
segue a vida por um triz.
(05/07/2008)
Entre a unha e o osso a carne
entre a guelra e a escama o anzol
entre a terra e o caule o alicate
entre o ventre e a fome o alimento.
Entre a fé e a crença
entre deus e o diabo
segue a vida por um triz.
(05/07/2008)
POEMA GASTRONÔMICO
Carlos Savasini
De casca e ossatura
toda lesma e carne asquerosa
se vingam em vôngole e escargo
nas mãos de um chef francês.
(05/07/2008)
De casca e ossatura
toda lesma e carne asquerosa
se vingam em vôngole e escargo
nas mãos de um chef francês.
(05/07/2008)
CICLO
Carlos Savasini
De orgânicos orgasmos a terra ejacula
botões de flor e espigas de milho
pés de qualquer coisa e broto e alface
que alimenta o bicho
que alimenta o monstro
que alimenta o homem.
Em orgânicos orgasmos a terra come
flores murchas e palhoça seca
pés de gangrena, velhice e suicídio
que alimenta o bicho
que alimenta o monstro
que alimenta o fruto.
(05/07/2008)
De orgânicos orgasmos a terra ejacula
botões de flor e espigas de milho
pés de qualquer coisa e broto e alface
que alimenta o bicho
que alimenta o monstro
que alimenta o homem.
Em orgânicos orgasmos a terra come
flores murchas e palhoça seca
pés de gangrena, velhice e suicídio
que alimenta o bicho
que alimenta o monstro
que alimenta o fruto.
(05/07/2008)
A RUA MORREU
Carlos Savasini
Por veias rasgadas
esparsas
insones
a juventude envelhecida
sem facas nos dentes
sem flores nos dentes
sem verbo nos dentes
com papas nas línguas
morreu
nas ruas rasgadas
esparsas
sem vida.
(29/06/2008)
Por veias rasgadas
esparsas
insones
a juventude envelhecida
sem facas nos dentes
sem flores nos dentes
sem verbo nos dentes
com papas nas línguas
morreu
nas ruas rasgadas
esparsas
sem vida.
(29/06/2008)
CORPO CALADO
Carlos Savasini
O peito – o coração comprimido
afoga em sangue o grito
que morre e não tornar-se um verso.
(28/06/2008)
O peito – o coração comprimido
afoga em sangue o grito
que morre e não tornar-se um verso.
(28/06/2008)
O PERDÃO
Carlos Savasini
A morte absolvida em teu colo
abnega a carne de teu ventre.
O abraço envolto em meu tronco
abrange o eterno a um palmo.
Este braço – a verdade em teu toque
no qual eu busco eternidade viva.
(28/06/2008)
A morte absolvida em teu colo
abnega a carne de teu ventre.
O abraço envolto em meu tronco
abrange o eterno a um palmo.
Este braço – a verdade em teu toque
no qual eu busco eternidade viva.
(28/06/2008)
domingo, 13 de julho de 2008
SALVE
Carlos Savasini
À Juka, Bezão e Xamã
Se está vivo, está feito
na face e nos pés
nas pegadas
nas pálpebras
nas marcas deixadas
nas letras
nos sons
em todos nós e vocês
a história está viva.
(21/06/2008)
À Juka, Bezão e Xamã
Se está vivo, está feito
na face e nos pés
nas pegadas
nas pálpebras
nas marcas deixadas
nas letras
nos sons
em todos nós e vocês
a história está viva.
(21/06/2008)
BANDEIRANTE
Carlos Savasini
Pé ante pé
o passo me guia
o caminho faz-se de bota e facão
o destino
o distante
o lugar que inexiste me busca
o mistério
e a terra.
Melhor que o achar é trilhar
desbravar
e ficar.
(21/06/2008)
Pé ante pé
o passo me guia
o caminho faz-se de bota e facão
o destino
o distante
o lugar que inexiste me busca
o mistério
e a terra.
Melhor que o achar é trilhar
desbravar
e ficar.
(21/06/2008)
FEIÇÃO
Carlos Savasini
Feito o conto de fadas
leve, lustrosa e faceira
feito a fada de contas
linda, gasosa e pontual
feito o canto das sereias
febre, medusa e gestual
feito a sereia do canto
cela, prisão e eco
feito a queda, feito a máscara, feito espelho
feito o conto de fadas
feito o canto das sereias
feito o fato :
a solidão é verdadeira
e dói.
(21/06/2008)
Feito o conto de fadas
leve, lustrosa e faceira
feito a fada de contas
linda, gasosa e pontual
feito o canto das sereias
febre, medusa e gestual
feito a sereia do canto
cela, prisão e eco
feito a queda, feito a máscara, feito espelho
feito o conto de fadas
feito o canto das sereias
feito o fato :
a solidão é verdadeira
e dói.
(21/06/2008)
PARADOXO
Carlos Savasini
Silêncio analfabeto
se uma voz me falasse
diria o que ?
Apenas que eu me vá
neste monte de letras
mudas.
(20/06/2008)
Silêncio analfabeto
se uma voz me falasse
diria o que ?
Apenas que eu me vá
neste monte de letras
mudas.
(20/06/2008)
A BUSCA
Carlos Savasini
E o musico calou
as mesas seguem num só nem aí
no tom da lorota que segue
em conversas a beira mar
em histórias de além mar
subindo a serra do além.
E o musico calou
cansou do que vai sem ó nem dó
pois coloque a vida no saco e segue
persegue o seu dom por ouvidos
que ouvem além do mar
que querem mais que o beira mar
e busquem de fato o além.
(20/06/2008)
E o musico calou
as mesas seguem num só nem aí
no tom da lorota que segue
em conversas a beira mar
em histórias de além mar
subindo a serra do além.
E o musico calou
cansou do que vai sem ó nem dó
pois coloque a vida no saco e segue
persegue o seu dom por ouvidos
que ouvem além do mar
que querem mais que o beira mar
e busquem de fato o além.
(20/06/2008)
A PAGA
Carlos Savasini
Recuso o convite calado
o recado está dado :
mudez com mudez se paga.
(20/06/2008)
Recuso o convite calado
o recado está dado :
mudez com mudez se paga.
(20/06/2008)
quarta-feira, 9 de julho de 2008
E TUDO É DESERTO
Carlos Savasini
Seara, Saara
o deserto a galope
cavalga robusto
em cascos bem fortes
Seara, Saara
o caminho deserto
ilude um oásis
plantando miragens.
Seara, Saara
o ego a caminho
errando sozinho
na busca do acaso.
Seara, Saara
o caminho deserto
ilude os passantes
milhares de errantes.
Seara, Saara
o deserto a galope
te cala, te enlaça
o certame é certeiro.
Seara, Saara
o caminho deserto
ilude e promete
a flor da estação.
Seara, Saara
do ego de um só
te envolve, te engole
o caminho é deserto.
Seara, Saara
teu rumo é só pó.
(19/06/2008)
Seara, Saara
o deserto a galope
cavalga robusto
em cascos bem fortes
Seara, Saara
o caminho deserto
ilude um oásis
plantando miragens.
Seara, Saara
o ego a caminho
errando sozinho
na busca do acaso.
Seara, Saara
o caminho deserto
ilude os passantes
milhares de errantes.
Seara, Saara
o deserto a galope
te cala, te enlaça
o certame é certeiro.
Seara, Saara
o caminho deserto
ilude e promete
a flor da estação.
Seara, Saara
do ego de um só
te envolve, te engole
o caminho é deserto.
Seara, Saara
teu rumo é só pó.
(19/06/2008)
NOVAS
Carlos Savasini
Não há mais providências
o morro já tem seu governo
e não é o mesmo que o seu.
(18/06/2008)
Não há mais providências
o morro já tem seu governo
e não é o mesmo que o seu.
(18/06/2008)
TRAVADO
Carlos Savasini
Ficaste
estrela aberta em negro e fel
em nada feito a luz ausente.
Ficaste
floreira murcha em cinza e cal
em tudo feito a flor ausente.
Ficaste
caneta seca em fleuma e fúria
em nada feito o verso ausente.
Ficaste
poema certo em grito e dor
em todo feito a verve ausente.
Ficaste, sempre
ausente,
agora do passado.
– congela-te em qualquer conjugação.
(18/06/2008)
Ficaste
estrela aberta em negro e fel
em nada feito a luz ausente.
Ficaste
floreira murcha em cinza e cal
em tudo feito a flor ausente.
Ficaste
caneta seca em fleuma e fúria
em nada feito o verso ausente.
Ficaste
poema certo em grito e dor
em todo feito a verve ausente.
Ficaste, sempre
ausente,
agora do passado.
– congela-te em qualquer conjugação.
(18/06/2008)
NO PRELO
Carlos Savasini
O teu poema está escrito
todos os tons dispostos dos ombros
aos veios reumáticos dos dedos dos pés
na dança do corpo que açula teu baile.
O teu poema está vestido
todos os tipos que marcam a pele
aos berros rasgados do fluido viscoso
na cor do caldo que tinge o que falas.
O teu poema está transcrito
todos os poros figuram translúcidos
aos poços que ousam leitura na pele
no braile que impele entendimento profundo.
O teu poema está escrito
todos os trilhos cravados ao tempo
aos poucos marcados nas curvas
nas baias precisas das linhas que és.
(17/06/2008)
O teu poema está escrito
todos os tons dispostos dos ombros
aos veios reumáticos dos dedos dos pés
na dança do corpo que açula teu baile.
O teu poema está vestido
todos os tipos que marcam a pele
aos berros rasgados do fluido viscoso
na cor do caldo que tinge o que falas.
O teu poema está transcrito
todos os poros figuram translúcidos
aos poços que ousam leitura na pele
no braile que impele entendimento profundo.
O teu poema está escrito
todos os trilhos cravados ao tempo
aos poucos marcados nas curvas
nas baias precisas das linhas que és.
(17/06/2008)
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