quinta-feira, 24 de julho de 2008

RASTROS

Carlos Savasini

I

Nunca mais uma dose,
loucura pouca é bobagem :
ou ao céu as asas se estendem
ou ao inferno as mãos chafurdam.

II

Nunca mais meias palavras
ou meias verdades
ou meias mentiras :
meio copo vazio pede a sanidade acética
e meio copo cheio pede o porre homérico.

III

Nunca mais o silêncio agonizante
ou a verborragia vazia :
antes o muro que as forças neutraliza,
antes o campo que as forças dispersa.

IV

Nunca mais pouca loucura,
nunca mais pouca sanidade :
negro que é negro é preto e reluz,
branco que é branco é claro e ofusca.

V

Meu lado é o que deixa pegadas.

(13/07/2008)

2 comentários:

FÁBIO SANTOS disse...

Esse poeta está ficando cada vez mais ousado... Carlos, o que eu mais gosto no seu estilo é uma tensão constante entre a sutileza e a brutalidade, aquilo que se contém e o que está preste a arrebentar. Acho que nos seus momentos mais felizes, como nesse poema extremamente feliz, você deixa isso muito à mostra. Parabéns!

Carlos Savasini disse...

Binho,
Obrigadão, mesmo !
E ler isto de um poeta do seu quilate é melhor ainda.
Grande abraço,
CS