Carlos Savasini
I
Nunca mais uma dose,
loucura pouca é bobagem :
ou ao céu as asas se estendem
ou ao inferno as mãos chafurdam.
II
Nunca mais meias palavras
ou meias verdades
ou meias mentiras :
meio copo vazio pede a sanidade acética
e meio copo cheio pede o porre homérico.
III
Nunca mais o silêncio agonizante
ou a verborragia vazia :
antes o muro que as forças neutraliza,
antes o campo que as forças dispersa.
IV
Nunca mais pouca loucura,
nunca mais pouca sanidade :
negro que é negro é preto e reluz,
branco que é branco é claro e ofusca.
V
Meu lado é o que deixa pegadas.
(13/07/2008)
2 comentários:
Esse poeta está ficando cada vez mais ousado... Carlos, o que eu mais gosto no seu estilo é uma tensão constante entre a sutileza e a brutalidade, aquilo que se contém e o que está preste a arrebentar. Acho que nos seus momentos mais felizes, como nesse poema extremamente feliz, você deixa isso muito à mostra. Parabéns!
Binho,
Obrigadão, mesmo !
E ler isto de um poeta do seu quilate é melhor ainda.
Grande abraço,
CS
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