quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

RECITAL DO RASCUNHOS POÉTICOS & SOPA DE LETRINHAS

Pessoal,

Vejam só a nova dobradinha :

- SOPA DE LETRINHAS
Sexta dia 29 de Fevereiro, 21:30, no Vila Teodoro (R Teodoro Sampaio, 1229, Pinheiros, SP)

- RECITAL DO RASCUNHOS POÉTICOS
Sábado dia 1º de Março, 18:30, na Casa das Rosas (Av Paulista, 37, Bela Vista, SP)

É só chegar !!!

Bjs e abçs
CS

MÚSICA

Carlos Savasini

Flui pelos ouvidos
encadeia
mescla texturas de poros
camadas
martela osso por osso
tímpano
caminha nas curvas do ventre
nervoso
de cores, formas e meio
volume
sabor de fruto e veludo
volúpia
fornica o corpo e a mente
impacto
instiga paz e revolta
age
emplaca postura e palco
horizonte
promove, protesta e provoca
guerra
e vence no silêncio que a cerca.

(23/02/2008)

ENTENDA-SE BEM

Carlos Savasini

Esta noite fica
guardada em cada memória :
prazer e respeito.

(23/02/2008)

ENTENDA-SE BEM

Carlos Savasini

Esta noite fica
guardada em cada memória :
prazer e respeito.

(23/02/2008)

FOME ZERO

Carlos Savasini

Gatos malhados não comem ninguém
nem pardais, pombas, rolinhas e a andorinha sinhá
só ração e almofada
novelo e papel crepom.

Não se fazem mais gatos malhados
nem andorinhas, sinhás, rolinhas e pombos
somente lobos, anões e comedores de miojo
que não comem ninguém,
coitados.

(23/02/2008)

FREQÜENCIA MODULADA

Carlos Savasini

Não mano, sem jabá não dá :
falta coisa, alguma coisa, consistência,
peso, presença e figurino.

Não mano, sem jabá não dá :
não rola, não pega, não gruda,
não dá liga nem meio de campo.

Não mano, sem jabá não dá :
só no feijão preto, só na tapioca,
só na pobreza não dá.

Sem jabá, mano, não dá.

(23/02/2008)

FAUSTOLO X CRASSO

Carlos Savasini

E ninguém sentou naquela mesa vazia
naquele canto vago de cara pro mundo
na mesa calada, beata, que fica
muda na cachaça intacta e copos vazios
cadeiras guardadas para nunca mais.

Vez por outra, somente, as viúvas
pasmam no canto do boteco vazio
e cospem na cova sob a mesa
sob os penicos vazios
sob as garrafas, ainda, bem cheias.

(23/02/2008)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

HANGAR

Carlos Savasini

Pousado em teu colo
âncora e freio de mão :
daqui jamais decolo.

(18/02/2008)

CONSTITUIÇÃO

Carlos Savasini

Muita luta,
poucos louros,
vida feita de suor e choro.

(18/02/2008)

METAMORFOSE

Carlos Savasini

Novas calçadas
faixas novas
novos habitantes.

Ainda e sempre há novas surpresas
na velha e paulistana Avenida Paulista.

(18/02/2008)

FULIGEM

Carlos Savasini

Quando incendeia o teu fogo
incendeia o meu corpo
carvão de teu amor.

(18/02/2008)

QUEM CHEGA

Carlos Savasini

Perfume ondulante
ar que se agita instantâneo
e para no anúncio : tu.

(17/02/2008)

BATUCADA

Carlos Savasini

Alguma coisa acontece
destroça o meu coração
quando te olho
mirando meus olhos
muda
gritando sem falar.

Palpita o meu tambor.

(17/02/2008)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

SEM DENTES

Carlos Savasini

Nariz de tridente
olhares de fogo
borboleta nas orelhas do Dumbo
tudo por conta dos olhares dela, oh taturana,
que tonta
foi comer o bicho,
o bicho da goiaba no chão.

(16/02/2008)

20

Carlos Savasini

Vinte raízes
vinte muros
vinte meretrizes
vinte açoites pelas ruas
vinte anos pela vida e nada
nenhuma resposta
nenhuma certeza
nem poucas
nem vinte.

(16/02/2008)

VEM VINDO

Carlos Savasini

Cai a derradeira
folha seca no quintal.
Vem vindo a garoa.

(16/02/2008)

EITCHA

Carlos Savasini

Eta neguinho danado
tu ta muito acovardado,
nem pra me enfrentar !

Eta neguinho malhado
tu ta tão branco e lavado
borrado e amarelo na cara,
nem pra se defender !

Eta neguinho lascado
tu ta tão cabaço e danado
que não tem graça brigar !

Eta neguinho acabado !

(16/02/2008)

EXCLAMAÇÃO

Carlos Savasini

Dúvidas sempre
respostas jamais
perguntas
palavras soltas na mente
verdades mascadas
aceitas
preceitos, conceitos
vertigem
barriga vazia
saco sem pé
a mente
mensagem, miragem
tudo menos certezas
perguntas
palavras soltas ao vento.

(15-16/02/2008)

ORIGAMI PAULISTA

Carlos Savasini

Desbravando São Paulo
de boteco em boteco
o chopp e as fritas tentam
provocam nossa resistência
o paladar e a falta de praia.

Descobrindo São Paulo
de pizza em pizza
o vinho embola a língua
confundindo o sotaque
calabrês da romana.

Desdobrando São Paulo
de bolinho em bolinho
de bacalhau e falafel
trança o mourisco português
do Belém, do Brás, da padaria.

Destilando São Paulo
de brioche em brioche
o francês que não tem em Paris
torce a língua do padeiro
mescla de mineiro e baianês.

Desbotando São Paulo
de arroz em arroz
tirinha de salmão no saquê
abre o olho, japonês :
quem vende pastel é chinês !

Desfilando em São Paulo
de hambúrguer e fritas
Tio Sam só encanta crianças
vestindo amarelo e vermelho
palhaço careca e sem graça.

Dobrando São Paulo
de gomos em gomos
salsicha e cerveja gelada
festa de filhos e pais
hot-dog e balão.

Desbravando São Paulo
de salão em salão
tanto faz o sotaque :
caiu na rede é peixe,
na mesa, somente alegria.

(15/02/2008)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

É CEDO DEMAIS

Carlos Savasini

Cedo, mas tão cedo
que nem o tempo desperta
nem o relógio funciona
nem o dia consegue nascer.

Cedo, mas tão cedo
que nem os olhos querem abrir
nem as colchas querem sair
nem os pés querem levantar.

Cedo, mas tão cedo
que nem o mundo acorda
nem o café desperta
nem o motor funciona.

Cedo, mas tão cedo
que nada me tira do sono
que nada me livra do abandono
que nada jamais me consola
tão cedo.

(11/02/2008)

PELE

Por Carlos Savasini, Ednei Pereira, Gabriela Cuzzuol, Nando Távora e Osvaldo Pastorelli

Luzes, cozer, copos transitam
..............................no teu corpo
gozos, dançar, cálices passam
........................no teu escapulo
entre cálices e copos de cerveja
sua presença não passa em vão
se esconde
por onde nem o vento vai
de onde nem o tempo escapa
e se esconde nas fibras da pele amada.

(09/02/2008)

DESOPILAÇÃO

Carlos Savasini

No cantinho amontoado da mente,
barraco de cachola suburbana,
não tem jeito não :
dá nó nos neurônios, enovela tudo,
dá choque, convulsões, insônia, pira,
força o crânio para fora,
vulcão que jamais se controla.

(09/02/2008)

ALÉM DO VENTO

Carlos Savasini

Ainda mudo-me para as bandas do lado de lá
depois do canto aonde o vento faz a curva
bem depois do varal em que Judas deixou as cuecas
lá, bem longe, aonde ninguém pode importunar
o meu sussurro e meu enlace ao meu amor.
Ainda vou e levo só você, meu grande amor.

(09/02/2008)

BILHETE

Carlos Savasini

Estamos aqui de passagem
na lama nossos passos se apagam
as pegadas deixadas não marcam
a chuva que lava e leva tudo
as marcas fugazes deixadas na terra.

Estamos aqui de passagem
melhor marcarmos firme a dura pedra
grafar papéis de notas, versos e tintas
deixar aos céus as marcas que não se lavam
que não se apagam, que não deixam morrer.

Estamos aqui de passagem
feitos de pó e de barro
lascando pedras, grafando letras, dedilhando
buscando alguma forma de tornar estrelas
o cuspe de nada que somos na terra.

Estamos aqui de passagem.

(09/02/2008)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

EXISTE

Carlos Savasini

a verve insiste
a noite é curta
o dia existe
o compromisso
o fim
o amanhã

(06/02/2008)

A DOR DA ESPERA II

Carlos Savasini

Ai ! Que agonia ...
a espera alucina
e você que não chega.

(06/02/2008)

FUTE (BOL)

Carlos Savasini

Futebol por aqui é best-seller.
Logo calo-me logo
e deixo a poesia de lado.

(06/02/2008)

A CHUVA

Carlos Savasini

A chuva chega discreta
reta cai e escorrega
escorre e cai de teto em teto
de teto em toldo
e da lona ao chão.

A chuva chega e cai
escorre pelo piso
calçada e sarjeta
asfalto e bueiro
nas rugas do chão.

A chuva chega e acalma
resgata o cheiro da terra
cala e aplaca os gritos da alma
fala silenciosa e pinga
gota por gota o gosto do céu.

A chuva chega displicente
certa como sempre se fez
presente como sempre se faz
eternamente instintiva
certeira e molhada.

A chuva chega presente
certa como tudo que é certo
lisa, precisa e cheia
completa de todo encantamento
justa, precisa e verdadeira.

(06/02/2008)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

HAIKAI SEM KIGO ?

Carlos Savasini

Flor de outono agora
toda fora de estação
mata o meu kigo.

(06/02/2008)

TRILHO SEM ESTAÇÃO

Carlos Savasini

Quaresmeiras e manacás,
flores de abril,
florescem agora
em fevereiro,
em pleno carnaval.

Em julho, quem sabe, nada
de hortênsias e azaléias,
de frio e garoa,
somente flamboyãs e orquídeas
sem quentão nem São João.

O clima, agora, niño e niña
chicos malucos no eixo da terra
dizem : terremotos, vulcões e tsunamis
se acertem nos trilhos do mundo
e nos livrem dos meteoros, amém.

(06/02/2008)

É NOITE, É NOITADA

Carlos Savasini

Noites em claro
noitadas em vão
conversas vazias se estendem por horas
promessas, provérbios, lições de moral
reflexões sobre a relatividade das coisas
sobre a liberdade das pessoas
sobre o acho sem nunca um grão de certeza
por dentro das noites vãs, dos abraços ocos,
dos beijos secos e olhares sem brilho.

Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodopios, volteios, retomada de assuntos
que vão e que voltam sempre à caráter
sempre com ar de nunca já vistos
sempre com gosto de almoço requentado
e sempre com nódoa de molho agora azedo
por dentro das noites vãs, dos peitos ocos,
das vozes roucas e línguas sem brilho.

Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodadas e gritos, toda sorte de algazarras,
vozes berrando verdades, ouvidos surdos,
tiques, trejeitos, posturas manjadas,
nas caras e bocas faltam peito e retaguarda
e tudo se desnuda, nivela e revela
por dentro das noites vãs, das faces ocas,
das mentes frouxas e corpos sem vida.

(06/02/2008)

O QUE NÃO É

Carlos Savasini

Por debaixo da porta
o perfume de café,
na mesa o aroma da noite
muito após a hora do jantar.

O ronco do motor do ônibus ronrona
rompe o silêncio da janela,
o galo ainda sequer cantou na esquina,
os cães continuam a ladrar.

A ponta da caneta desliza sobre o papel
o som que surge é quase inaudível,
apita o vigia sobre a ruidosa bicicleta,
a labuta do poeta é quase sempre inglória,
nunca vive ou faz a glória em vida,
pouco canta o canto feito para a voz.

O poeta, infelizmente, é criador
daquilo que quiçá um dia vingue.

(04/02/2008)

O QUE É, O QUE É ?

Carlos Savasini

Define-se poesia ?
Não !
Muito menos em poemas.
Em prosa ?
Talvez.

O risco é muito grande.

(04/02/2008)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

TROPEÇO

Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli

Respira o ar da tarde
toma o lanche
e sai
rola ladeira abaixo
tropeça no meio fio
tropica na guia da sarjeta
bate a cachola no pé da mesa
reclama, bate o pé, clama
se levanta no meio da lama
pára no próximo bar
e vai embora
ao anoitecer
deita no regaço de Nix
na cabeça estrelas e astros
faz uma prece à Ogum
trocando o band-aid da testa
toma o remédio, fecha a porta
dorme e sonha respirando a tarde.

(03/02/2008)

ARADO

Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli

Se a semente é dura, a semeadura
dura muito mais que a falta de chuva
escorre no caminho a vida dura
entre seixos e pedras pontiagudas
pesada trajetória
e expectativa seca
a terra esconde tesouros
segredos não revelados na aparente aridez
o horizonte é seco, a semente é dura
o caule ereto é firme e verde
no resplandecer do céu lúcido
onde a vida semente sempre perdura
existe pranto e acalento
os dois lados da moeda
céu e inferno
convergem no horizonte : crepúsculo.

(03/02/2008)

SEMENTE

Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli

Na dança do sol, girassóis inclinam-se para a vida
vida-sol, vida flores e frutos
espalham a semente procriação
versificação de pétalas e raios.

Na dança do vento, ondas verdejantes semeiam o amanhã,
o amanhã sorriso e planos
na beleza dos girassóis inclinando-se para a vida,
para o sol que arde sem queimar.

(03/02/2008)

EFÊMERO

Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli

Entre uma linha e outra vive-se
bem ou mal, depende da opção,
felicidade não envelhece
não se vende, dá ou empresta.

Entre um linha e outra morre-se
vive-se mal e envelhece,
encerra-se o ciclo, renovação,
não se enterra, corrói ou apodrece.

Entre uma linha e outra faz-se o ciclo.

(03/02/2008)

SATISFAÇÃO

Por Carlos Savasini, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli

Andanças e compras,
passeio entre amigos,
presentes e no almoço
conversa e descontração
numa boa
a vida boa
bateu à nossa porta
sentou à mesa do almoço
comeu, bebeu e dormiu sentada
entre um copo e outro
entre risos e pacotes
na pequena cidade
que respira arte
amanhece arte
dorme na arte
e no céu limpo
há o sorriso arte
da arte comércio
arte medida em cifrões.

(03/02/2008)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

SEM MAQUIAGEM

Carlos Savasini

Novas imagens, sondagens,
fotos de nós, amigos, lugares,
nunca e jamais foto-montagens,
pores-do-sol, tremidas fora,
somente as boas e com força as mais ou menos,
mais de nós e menos as outras.

Nossa história se refaz
nos clicks-memórias da vida
sem flash-maquiagem de nós.

(02/02/2008)

NA BALADA

Carlos Savasini

I

Momentos fazem milagres :
numa hora tudo vale,
na outra, quem sabe ?

II

Deram-te um número, você liga :
“Quem ?
Não mora mais aqui.”

III

Num sábado apático o reencontro :
“Eu te conheço !”
“Nunca te vi mais gorda.”

IV

O passado se renova :
que venha
o próximo milagre.

(02/02/2008)

GÊMEOS

Carlos Savasini

Sou humano e humanos são dúbios :
a tradição mantém-me ereto,
a novidade mantém-me vivo.

(02/02/2008)

IMPÉRIO DO SENTIDO

Carlos Savasini

Reinado de aromas no pastel,
ou melhor : os do Empório do Pastel,
amanhã os do Embu, aromas de Minas por aqui,
segunda, quiçá, os da maresia em Boracéia,
terça o dos dentes das serpentes do Butantã,
quarta no aroma e recantos do centro.

O reino dos aromas é aqui
onde tudo se mistura, nostalgia e futuro,
descobrindo sempre um novo perfume.

(02/02/2008)

MASMORRA

Carlos Savasini

Quando nada perturba o meio
nada estabelece a convulsão,
olhares se cruzam, mãos tamborilam,
corpos se assentam, bocas bocejam.

Quando nada perturba o meio
o sono chega e faz morada,
o olho tonto titubeia e cai,
o corpo sonso encosta e dorme.

Quando nada perturba o meio
nada, nem a voz se escuta bem,
tudo atordoa e zune feito zumbido de mosca,
feito os tropeços do ronco da moça.

Quando nada perturba o meio
o menor gracejo ouve-se ao longe,
a festa parece do lado,
a balburdia invade sorrateira.

Quando nada perturba o meio
resta turbinar o volume do som,
ou ele ou algo mais ácido,
átono, impetuoso ou rock’n’roll.

Quando nada perturba o meio
e nada perturba o meio,
só o grito salva,
irmãos !
: só o grito salva.

(02/02/2008)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

FLOREIRA

Carlos Savasini

A floreira, hoje, está mais completa
o destino trouxe a flor em semente
e germina em cor que sempre acarreta
fluidez de amor de um astro cadente.

O sentido vivo pede descente
expressão de amor, carinho e seleta
a floreira, hoje, está mais completa
o destino trouxe a flor em semente.

A pequena fala não se aquieta
pois enquanto cala fica dormente
e destrava juras lindas e certas
palavras de amor tão belas, não mente,
a floreira, hoje, está mais completa.

(01/02/2008)

SE ... (FUI)

Carlos Savasini

Amigos, se fui
deixei um pouco de mim
a cada um de vocês.

(01/02/2008)

MEA CULPA

Carlos Savasini

Se cometi erros, vivi,
expus-me à tomada de decisões,
aflorei toda minha humanidade,
toda minha incapacidade
de ser correto e justo e sempre bom.

Se vivi e cometi erros,
expressão máxima da condição humana,
arrependi-me ou irei no tempo devido
e buscarei o perdão daqueles que fiz sofrer
por ser o certo, o justo, o necessário.

Se vivi e vivi, errei e cometi
toda sorte de mazelas, toda sorte de absurdos,
o tempo corre e por sorte clareia e mostra cada tropeço,
cada excesso, cada face da expressão humana
que vivi, que cometi, que fez-me ser gente
nos tempos, contratempos e tropeços desta vida.

(01/02/2008)

COLAÇÃO DE PATENTE

Carlos Savasini

“Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia”

(Toni Bellotto)

Os desembargadores são pessoas de respeito. Os novos, então, merecem toda reverência. O momento é único. O lugar também tem que ser. A cerimônia tem que ser preciosa.

Até polícia tem que estar presente. Afinal, desembargador é gente muito importante. Convidado de desembargador é gente distinta. Família de desembargador ganha o céu sem escalas. Sem dízimo. Sem esmola.

Só não tem distinção gente como agente. Não temos nem polícia para brincar de polícia e ladrão. Somente ladrão.

(28/01/2008)

DILEMA

Carlos Savasini

O princípio é um ?
Nunca !
O fim jamais converge.

(27/01/2008)

PALAVRAS

Carlos Savasini

Minh’alma divaga jazzisticamente
juntando palavras precisas no ar
cambiando o tema, no tema, partindo e voltando,
mutando a partir do mundo real
nas voltas, volteios, no vértice do tema,
do lema,
inquieto surto quando o corpo contorce
quando o pensamento exige mais que as mãos
quando a tensão exige mais que o pensamento
quando o fôlego exige mais que as palavras
quando o sopro exige mais que as notas
quando a voz exige mais que os pulmões
quando o nada exige mais que o silêncio


........................................................quando


o pensamento exige mais que o verso
não cabendo em palavras.

Minh’alma divaga
volteia
jazzisticamente
muda
e se cala
sem

(27/01/2008)