Carlos Savasini
Por debaixo da porta
o perfume de café,
na mesa o aroma da noite
muito após a hora do jantar.
O ronco do motor do ônibus ronrona
rompe o silêncio da janela,
o galo ainda sequer cantou na esquina,
os cães continuam a ladrar.
A ponta da caneta desliza sobre o papel
o som que surge é quase inaudível,
apita o vigia sobre a ruidosa bicicleta,
a labuta do poeta é quase sempre inglória,
nunca vive ou faz a glória em vida,
pouco canta o canto feito para a voz.
O poeta, infelizmente, é criador
daquilo que quiçá um dia vingue.
(04/02/2008)
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