quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

MASMORRA

Carlos Savasini

Quando nada perturba o meio
nada estabelece a convulsão,
olhares se cruzam, mãos tamborilam,
corpos se assentam, bocas bocejam.

Quando nada perturba o meio
o sono chega e faz morada,
o olho tonto titubeia e cai,
o corpo sonso encosta e dorme.

Quando nada perturba o meio
nada, nem a voz se escuta bem,
tudo atordoa e zune feito zumbido de mosca,
feito os tropeços do ronco da moça.

Quando nada perturba o meio
o menor gracejo ouve-se ao longe,
a festa parece do lado,
a balburdia invade sorrateira.

Quando nada perturba o meio
resta turbinar o volume do som,
ou ele ou algo mais ácido,
átono, impetuoso ou rock’n’roll.

Quando nada perturba o meio
e nada perturba o meio,
só o grito salva,
irmãos !
: só o grito salva.

(02/02/2008)

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