terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

É NOITE, É NOITADA

Carlos Savasini

Noites em claro
noitadas em vão
conversas vazias se estendem por horas
promessas, provérbios, lições de moral
reflexões sobre a relatividade das coisas
sobre a liberdade das pessoas
sobre o acho sem nunca um grão de certeza
por dentro das noites vãs, dos abraços ocos,
dos beijos secos e olhares sem brilho.

Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodopios, volteios, retomada de assuntos
que vão e que voltam sempre à caráter
sempre com ar de nunca já vistos
sempre com gosto de almoço requentado
e sempre com nódoa de molho agora azedo
por dentro das noites vãs, dos peitos ocos,
das vozes roucas e línguas sem brilho.

Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodadas e gritos, toda sorte de algazarras,
vozes berrando verdades, ouvidos surdos,
tiques, trejeitos, posturas manjadas,
nas caras e bocas faltam peito e retaguarda
e tudo se desnuda, nivela e revela
por dentro das noites vãs, das faces ocas,
das mentes frouxas e corpos sem vida.

(06/02/2008)

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