Pessoal,
Vejam só a nova dobradinha :
- SOPA DE LETRINHAS
Sexta dia 29 de Fevereiro, 21:30, no Vila Teodoro (R Teodoro Sampaio, 1229, Pinheiros, SP)
- RECITAL DO RASCUNHOS POÉTICOS
Sábado dia 1º de Março, 18:30, na Casa das Rosas (Av Paulista, 37, Bela Vista, SP)
É só chegar !!!
Bjs e abçs
CS
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
MÚSICA
Carlos Savasini
Flui pelos ouvidos
encadeia
mescla texturas de poros
camadas
martela osso por osso
tímpano
caminha nas curvas do ventre
nervoso
de cores, formas e meio
volume
sabor de fruto e veludo
volúpia
fornica o corpo e a mente
impacto
instiga paz e revolta
age
emplaca postura e palco
horizonte
promove, protesta e provoca
guerra
e vence no silêncio que a cerca.
(23/02/2008)
Flui pelos ouvidos
encadeia
mescla texturas de poros
camadas
martela osso por osso
tímpano
caminha nas curvas do ventre
nervoso
de cores, formas e meio
volume
sabor de fruto e veludo
volúpia
fornica o corpo e a mente
impacto
instiga paz e revolta
age
emplaca postura e palco
horizonte
promove, protesta e provoca
guerra
e vence no silêncio que a cerca.
(23/02/2008)
ENTENDA-SE BEM
Carlos Savasini
Esta noite fica
guardada em cada memória :
prazer e respeito.
(23/02/2008)
Esta noite fica
guardada em cada memória :
prazer e respeito.
(23/02/2008)
ENTENDA-SE BEM
Carlos Savasini
Esta noite fica
guardada em cada memória :
prazer e respeito.
(23/02/2008)
Esta noite fica
guardada em cada memória :
prazer e respeito.
(23/02/2008)
FOME ZERO
Carlos Savasini
Gatos malhados não comem ninguém
nem pardais, pombas, rolinhas e a andorinha sinhá
só ração e almofada
novelo e papel crepom.
Não se fazem mais gatos malhados
nem andorinhas, sinhás, rolinhas e pombos
somente lobos, anões e comedores de miojo
que não comem ninguém,
coitados.
(23/02/2008)
Gatos malhados não comem ninguém
nem pardais, pombas, rolinhas e a andorinha sinhá
só ração e almofada
novelo e papel crepom.
Não se fazem mais gatos malhados
nem andorinhas, sinhás, rolinhas e pombos
somente lobos, anões e comedores de miojo
que não comem ninguém,
coitados.
(23/02/2008)
FREQÜENCIA MODULADA
Carlos Savasini
Não mano, sem jabá não dá :
falta coisa, alguma coisa, consistência,
peso, presença e figurino.
Não mano, sem jabá não dá :
não rola, não pega, não gruda,
não dá liga nem meio de campo.
Não mano, sem jabá não dá :
só no feijão preto, só na tapioca,
só na pobreza não dá.
Sem jabá, mano, não dá.
(23/02/2008)
Não mano, sem jabá não dá :
falta coisa, alguma coisa, consistência,
peso, presença e figurino.
Não mano, sem jabá não dá :
não rola, não pega, não gruda,
não dá liga nem meio de campo.
Não mano, sem jabá não dá :
só no feijão preto, só na tapioca,
só na pobreza não dá.
Sem jabá, mano, não dá.
(23/02/2008)
FAUSTOLO X CRASSO
Carlos Savasini
E ninguém sentou naquela mesa vazia
naquele canto vago de cara pro mundo
na mesa calada, beata, que fica
muda na cachaça intacta e copos vazios
cadeiras guardadas para nunca mais.
Vez por outra, somente, as viúvas
pasmam no canto do boteco vazio
e cospem na cova sob a mesa
sob os penicos vazios
sob as garrafas, ainda, bem cheias.
(23/02/2008)
E ninguém sentou naquela mesa vazia
naquele canto vago de cara pro mundo
na mesa calada, beata, que fica
muda na cachaça intacta e copos vazios
cadeiras guardadas para nunca mais.
Vez por outra, somente, as viúvas
pasmam no canto do boteco vazio
e cospem na cova sob a mesa
sob os penicos vazios
sob as garrafas, ainda, bem cheias.
(23/02/2008)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
METAMORFOSE
Carlos Savasini
Novas calçadas
faixas novas
novos habitantes.
Ainda e sempre há novas surpresas
na velha e paulistana Avenida Paulista.
(18/02/2008)
Novas calçadas
faixas novas
novos habitantes.
Ainda e sempre há novas surpresas
na velha e paulistana Avenida Paulista.
(18/02/2008)
FULIGEM
Carlos Savasini
Quando incendeia o teu fogo
incendeia o meu corpo
carvão de teu amor.
(18/02/2008)
Quando incendeia o teu fogo
incendeia o meu corpo
carvão de teu amor.
(18/02/2008)
QUEM CHEGA
Carlos Savasini
Perfume ondulante
ar que se agita instantâneo
e para no anúncio : tu.
(17/02/2008)
Perfume ondulante
ar que se agita instantâneo
e para no anúncio : tu.
(17/02/2008)
BATUCADA
Carlos Savasini
Alguma coisa acontece
destroça o meu coração
quando te olho
mirando meus olhos
muda
gritando sem falar.
Palpita o meu tambor.
(17/02/2008)
Alguma coisa acontece
destroça o meu coração
quando te olho
mirando meus olhos
muda
gritando sem falar.
Palpita o meu tambor.
(17/02/2008)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
SEM DENTES
Carlos Savasini
Nariz de tridente
olhares de fogo
borboleta nas orelhas do Dumbo
tudo por conta dos olhares dela, oh taturana,
que tonta
foi comer o bicho,
o bicho da goiaba no chão.
(16/02/2008)
Nariz de tridente
olhares de fogo
borboleta nas orelhas do Dumbo
tudo por conta dos olhares dela, oh taturana,
que tonta
foi comer o bicho,
o bicho da goiaba no chão.
(16/02/2008)
20
Carlos Savasini
Vinte raízes
vinte muros
vinte meretrizes
vinte açoites pelas ruas
vinte anos pela vida e nada
nenhuma resposta
nenhuma certeza
nem poucas
nem vinte.
(16/02/2008)
Vinte raízes
vinte muros
vinte meretrizes
vinte açoites pelas ruas
vinte anos pela vida e nada
nenhuma resposta
nenhuma certeza
nem poucas
nem vinte.
(16/02/2008)
EITCHA
Carlos Savasini
Eta neguinho danado
tu ta muito acovardado,
nem pra me enfrentar !
Eta neguinho malhado
tu ta tão branco e lavado
borrado e amarelo na cara,
nem pra se defender !
Eta neguinho lascado
tu ta tão cabaço e danado
que não tem graça brigar !
Eta neguinho acabado !
(16/02/2008)
Eta neguinho danado
tu ta muito acovardado,
nem pra me enfrentar !
Eta neguinho malhado
tu ta tão branco e lavado
borrado e amarelo na cara,
nem pra se defender !
Eta neguinho lascado
tu ta tão cabaço e danado
que não tem graça brigar !
Eta neguinho acabado !
(16/02/2008)
EXCLAMAÇÃO
Carlos Savasini
Dúvidas sempre
respostas jamais
perguntas
palavras soltas na mente
verdades mascadas
aceitas
preceitos, conceitos
vertigem
barriga vazia
saco sem pé
a mente
mensagem, miragem
tudo menos certezas
perguntas
palavras soltas ao vento.
(15-16/02/2008)
Dúvidas sempre
respostas jamais
perguntas
palavras soltas na mente
verdades mascadas
aceitas
preceitos, conceitos
vertigem
barriga vazia
saco sem pé
a mente
mensagem, miragem
tudo menos certezas
perguntas
palavras soltas ao vento.
(15-16/02/2008)
ORIGAMI PAULISTA
Carlos Savasini
Desbravando São Paulo
de boteco em boteco
o chopp e as fritas tentam
provocam nossa resistência
o paladar e a falta de praia.
Descobrindo São Paulo
de pizza em pizza
o vinho embola a língua
confundindo o sotaque
calabrês da romana.
Desdobrando São Paulo
de bolinho em bolinho
de bacalhau e falafel
trança o mourisco português
do Belém, do Brás, da padaria.
Destilando São Paulo
de brioche em brioche
o francês que não tem em Paris
torce a língua do padeiro
mescla de mineiro e baianês.
Desbotando São Paulo
de arroz em arroz
tirinha de salmão no saquê
abre o olho, japonês :
quem vende pastel é chinês !
Desfilando em São Paulo
de hambúrguer e fritas
Tio Sam só encanta crianças
vestindo amarelo e vermelho
palhaço careca e sem graça.
Dobrando São Paulo
de gomos em gomos
salsicha e cerveja gelada
festa de filhos e pais
hot-dog e balão.
Desbravando São Paulo
de salão em salão
tanto faz o sotaque :
caiu na rede é peixe,
na mesa, somente alegria.
(15/02/2008)
Desbravando São Paulo
de boteco em boteco
o chopp e as fritas tentam
provocam nossa resistência
o paladar e a falta de praia.
Descobrindo São Paulo
de pizza em pizza
o vinho embola a língua
confundindo o sotaque
calabrês da romana.
Desdobrando São Paulo
de bolinho em bolinho
de bacalhau e falafel
trança o mourisco português
do Belém, do Brás, da padaria.
Destilando São Paulo
de brioche em brioche
o francês que não tem em Paris
torce a língua do padeiro
mescla de mineiro e baianês.
Desbotando São Paulo
de arroz em arroz
tirinha de salmão no saquê
abre o olho, japonês :
quem vende pastel é chinês !
Desfilando em São Paulo
de hambúrguer e fritas
Tio Sam só encanta crianças
vestindo amarelo e vermelho
palhaço careca e sem graça.
Dobrando São Paulo
de gomos em gomos
salsicha e cerveja gelada
festa de filhos e pais
hot-dog e balão.
Desbravando São Paulo
de salão em salão
tanto faz o sotaque :
caiu na rede é peixe,
na mesa, somente alegria.
(15/02/2008)
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
É CEDO DEMAIS
Carlos Savasini
Cedo, mas tão cedo
que nem o tempo desperta
nem o relógio funciona
nem o dia consegue nascer.
Cedo, mas tão cedo
que nem os olhos querem abrir
nem as colchas querem sair
nem os pés querem levantar.
Cedo, mas tão cedo
que nem o mundo acorda
nem o café desperta
nem o motor funciona.
Cedo, mas tão cedo
que nada me tira do sono
que nada me livra do abandono
que nada jamais me consola
tão cedo.
(11/02/2008)
Cedo, mas tão cedo
que nem o tempo desperta
nem o relógio funciona
nem o dia consegue nascer.
Cedo, mas tão cedo
que nem os olhos querem abrir
nem as colchas querem sair
nem os pés querem levantar.
Cedo, mas tão cedo
que nem o mundo acorda
nem o café desperta
nem o motor funciona.
Cedo, mas tão cedo
que nada me tira do sono
que nada me livra do abandono
que nada jamais me consola
tão cedo.
(11/02/2008)
PELE
Por Carlos Savasini, Ednei Pereira, Gabriela Cuzzuol, Nando Távora e Osvaldo Pastorelli
Luzes, cozer, copos transitam
..............................no teu corpo
gozos, dançar, cálices passam
........................no teu escapulo
entre cálices e copos de cerveja
sua presença não passa em vão
se esconde
por onde nem o vento vai
de onde nem o tempo escapa
e se esconde nas fibras da pele amada.
(09/02/2008)
Luzes, cozer, copos transitam
..............................no teu corpo
gozos, dançar, cálices passam
........................no teu escapulo
entre cálices e copos de cerveja
sua presença não passa em vão
se esconde
por onde nem o vento vai
de onde nem o tempo escapa
e se esconde nas fibras da pele amada.
(09/02/2008)
DESOPILAÇÃO
Carlos Savasini
No cantinho amontoado da mente,
barraco de cachola suburbana,
não tem jeito não :
dá nó nos neurônios, enovela tudo,
dá choque, convulsões, insônia, pira,
força o crânio para fora,
vulcão que jamais se controla.
(09/02/2008)
No cantinho amontoado da mente,
barraco de cachola suburbana,
não tem jeito não :
dá nó nos neurônios, enovela tudo,
dá choque, convulsões, insônia, pira,
força o crânio para fora,
vulcão que jamais se controla.
(09/02/2008)
ALÉM DO VENTO
Carlos Savasini
Ainda mudo-me para as bandas do lado de lá
depois do canto aonde o vento faz a curva
bem depois do varal em que Judas deixou as cuecas
lá, bem longe, aonde ninguém pode importunar
o meu sussurro e meu enlace ao meu amor.
Ainda vou e levo só você, meu grande amor.
(09/02/2008)
Ainda mudo-me para as bandas do lado de lá
depois do canto aonde o vento faz a curva
bem depois do varal em que Judas deixou as cuecas
lá, bem longe, aonde ninguém pode importunar
o meu sussurro e meu enlace ao meu amor.
Ainda vou e levo só você, meu grande amor.
(09/02/2008)
BILHETE
Carlos Savasini
Estamos aqui de passagem
na lama nossos passos se apagam
as pegadas deixadas não marcam
a chuva que lava e leva tudo
as marcas fugazes deixadas na terra.
Estamos aqui de passagem
melhor marcarmos firme a dura pedra
grafar papéis de notas, versos e tintas
deixar aos céus as marcas que não se lavam
que não se apagam, que não deixam morrer.
Estamos aqui de passagem
feitos de pó e de barro
lascando pedras, grafando letras, dedilhando
buscando alguma forma de tornar estrelas
o cuspe de nada que somos na terra.
Estamos aqui de passagem.
(09/02/2008)
Estamos aqui de passagem
na lama nossos passos se apagam
as pegadas deixadas não marcam
a chuva que lava e leva tudo
as marcas fugazes deixadas na terra.
Estamos aqui de passagem
melhor marcarmos firme a dura pedra
grafar papéis de notas, versos e tintas
deixar aos céus as marcas que não se lavam
que não se apagam, que não deixam morrer.
Estamos aqui de passagem
feitos de pó e de barro
lascando pedras, grafando letras, dedilhando
buscando alguma forma de tornar estrelas
o cuspe de nada que somos na terra.
Estamos aqui de passagem.
(09/02/2008)
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
EXISTE
Carlos Savasini
a verve insiste
a noite é curta
o dia existe
o compromisso
o fim
o amanhã
(06/02/2008)
a verve insiste
a noite é curta
o dia existe
o compromisso
o fim
o amanhã
(06/02/2008)
A DOR DA ESPERA II
Carlos Savasini
Ai ! Que agonia ...
a espera alucina
e você que não chega.
(06/02/2008)
Ai ! Que agonia ...
a espera alucina
e você que não chega.
(06/02/2008)
FUTE (BOL)
Carlos Savasini
Futebol por aqui é best-seller.
Logo calo-me logo
e deixo a poesia de lado.
(06/02/2008)
Futebol por aqui é best-seller.
Logo calo-me logo
e deixo a poesia de lado.
(06/02/2008)
A CHUVA
Carlos Savasini
A chuva chega discreta
reta cai e escorrega
escorre e cai de teto em teto
de teto em toldo
e da lona ao chão.
A chuva chega e cai
escorre pelo piso
calçada e sarjeta
asfalto e bueiro
nas rugas do chão.
A chuva chega e acalma
resgata o cheiro da terra
cala e aplaca os gritos da alma
fala silenciosa e pinga
gota por gota o gosto do céu.
A chuva chega displicente
certa como sempre se fez
presente como sempre se faz
eternamente instintiva
certeira e molhada.
A chuva chega presente
certa como tudo que é certo
lisa, precisa e cheia
completa de todo encantamento
justa, precisa e verdadeira.
(06/02/2008)
A chuva chega discreta
reta cai e escorrega
escorre e cai de teto em teto
de teto em toldo
e da lona ao chão.
A chuva chega e cai
escorre pelo piso
calçada e sarjeta
asfalto e bueiro
nas rugas do chão.
A chuva chega e acalma
resgata o cheiro da terra
cala e aplaca os gritos da alma
fala silenciosa e pinga
gota por gota o gosto do céu.
A chuva chega displicente
certa como sempre se fez
presente como sempre se faz
eternamente instintiva
certeira e molhada.
A chuva chega presente
certa como tudo que é certo
lisa, precisa e cheia
completa de todo encantamento
justa, precisa e verdadeira.
(06/02/2008)
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
HAIKAI SEM KIGO ?
Carlos Savasini
Flor de outono agora
toda fora de estação
mata o meu kigo.
(06/02/2008)
Flor de outono agora
toda fora de estação
mata o meu kigo.
(06/02/2008)
TRILHO SEM ESTAÇÃO
Carlos Savasini
Quaresmeiras e manacás,
flores de abril,
florescem agora
em fevereiro,
em pleno carnaval.
Em julho, quem sabe, nada
de hortênsias e azaléias,
de frio e garoa,
somente flamboyãs e orquídeas
sem quentão nem São João.
O clima, agora, niño e niña
chicos malucos no eixo da terra
dizem : terremotos, vulcões e tsunamis
se acertem nos trilhos do mundo
e nos livrem dos meteoros, amém.
(06/02/2008)
Quaresmeiras e manacás,
flores de abril,
florescem agora
em fevereiro,
em pleno carnaval.
Em julho, quem sabe, nada
de hortênsias e azaléias,
de frio e garoa,
somente flamboyãs e orquídeas
sem quentão nem São João.
O clima, agora, niño e niña
chicos malucos no eixo da terra
dizem : terremotos, vulcões e tsunamis
se acertem nos trilhos do mundo
e nos livrem dos meteoros, amém.
(06/02/2008)
É NOITE, É NOITADA
Carlos Savasini
Noites em claro
noitadas em vão
conversas vazias se estendem por horas
promessas, provérbios, lições de moral
reflexões sobre a relatividade das coisas
sobre a liberdade das pessoas
sobre o acho sem nunca um grão de certeza
por dentro das noites vãs, dos abraços ocos,
dos beijos secos e olhares sem brilho.
Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodopios, volteios, retomada de assuntos
que vão e que voltam sempre à caráter
sempre com ar de nunca já vistos
sempre com gosto de almoço requentado
e sempre com nódoa de molho agora azedo
por dentro das noites vãs, dos peitos ocos,
das vozes roucas e línguas sem brilho.
Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodadas e gritos, toda sorte de algazarras,
vozes berrando verdades, ouvidos surdos,
tiques, trejeitos, posturas manjadas,
nas caras e bocas faltam peito e retaguarda
e tudo se desnuda, nivela e revela
por dentro das noites vãs, das faces ocas,
das mentes frouxas e corpos sem vida.
(06/02/2008)
Noites em claro
noitadas em vão
conversas vazias se estendem por horas
promessas, provérbios, lições de moral
reflexões sobre a relatividade das coisas
sobre a liberdade das pessoas
sobre o acho sem nunca um grão de certeza
por dentro das noites vãs, dos abraços ocos,
dos beijos secos e olhares sem brilho.
Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodopios, volteios, retomada de assuntos
que vão e que voltam sempre à caráter
sempre com ar de nunca já vistos
sempre com gosto de almoço requentado
e sempre com nódoa de molho agora azedo
por dentro das noites vãs, dos peitos ocos,
das vozes roucas e línguas sem brilho.
Por dentro das noites em claro
noitadas em vão
rodadas e gritos, toda sorte de algazarras,
vozes berrando verdades, ouvidos surdos,
tiques, trejeitos, posturas manjadas,
nas caras e bocas faltam peito e retaguarda
e tudo se desnuda, nivela e revela
por dentro das noites vãs, das faces ocas,
das mentes frouxas e corpos sem vida.
(06/02/2008)
O QUE NÃO É
Carlos Savasini
Por debaixo da porta
o perfume de café,
na mesa o aroma da noite
muito após a hora do jantar.
O ronco do motor do ônibus ronrona
rompe o silêncio da janela,
o galo ainda sequer cantou na esquina,
os cães continuam a ladrar.
A ponta da caneta desliza sobre o papel
o som que surge é quase inaudível,
apita o vigia sobre a ruidosa bicicleta,
a labuta do poeta é quase sempre inglória,
nunca vive ou faz a glória em vida,
pouco canta o canto feito para a voz.
O poeta, infelizmente, é criador
daquilo que quiçá um dia vingue.
(04/02/2008)
Por debaixo da porta
o perfume de café,
na mesa o aroma da noite
muito após a hora do jantar.
O ronco do motor do ônibus ronrona
rompe o silêncio da janela,
o galo ainda sequer cantou na esquina,
os cães continuam a ladrar.
A ponta da caneta desliza sobre o papel
o som que surge é quase inaudível,
apita o vigia sobre a ruidosa bicicleta,
a labuta do poeta é quase sempre inglória,
nunca vive ou faz a glória em vida,
pouco canta o canto feito para a voz.
O poeta, infelizmente, é criador
daquilo que quiçá um dia vingue.
(04/02/2008)
O QUE É, O QUE É ?
Carlos Savasini
Define-se poesia ?
Não !
Muito menos em poemas.
Em prosa ?
Talvez.
O risco é muito grande.
(04/02/2008)
Define-se poesia ?
Não !
Muito menos em poemas.
Em prosa ?
Talvez.
O risco é muito grande.
(04/02/2008)
domingo, 10 de fevereiro de 2008
TROPEÇO
Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli
Respira o ar da tarde
toma o lanche
e sai
rola ladeira abaixo
tropeça no meio fio
tropica na guia da sarjeta
bate a cachola no pé da mesa
reclama, bate o pé, clama
se levanta no meio da lama
pára no próximo bar
e vai embora
ao anoitecer
deita no regaço de Nix
na cabeça estrelas e astros
faz uma prece à Ogum
trocando o band-aid da testa
toma o remédio, fecha a porta
dorme e sonha respirando a tarde.
(03/02/2008)
Respira o ar da tarde
toma o lanche
e sai
rola ladeira abaixo
tropeça no meio fio
tropica na guia da sarjeta
bate a cachola no pé da mesa
reclama, bate o pé, clama
se levanta no meio da lama
pára no próximo bar
e vai embora
ao anoitecer
deita no regaço de Nix
na cabeça estrelas e astros
faz uma prece à Ogum
trocando o band-aid da testa
toma o remédio, fecha a porta
dorme e sonha respirando a tarde.
(03/02/2008)
ARADO
Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli
Se a semente é dura, a semeadura
dura muito mais que a falta de chuva
escorre no caminho a vida dura
entre seixos e pedras pontiagudas
pesada trajetória
e expectativa seca
a terra esconde tesouros
segredos não revelados na aparente aridez
o horizonte é seco, a semente é dura
o caule ereto é firme e verde
no resplandecer do céu lúcido
onde a vida semente sempre perdura
existe pranto e acalento
os dois lados da moeda
céu e inferno
convergem no horizonte : crepúsculo.
(03/02/2008)
Se a semente é dura, a semeadura
dura muito mais que a falta de chuva
escorre no caminho a vida dura
entre seixos e pedras pontiagudas
pesada trajetória
e expectativa seca
a terra esconde tesouros
segredos não revelados na aparente aridez
o horizonte é seco, a semente é dura
o caule ereto é firme e verde
no resplandecer do céu lúcido
onde a vida semente sempre perdura
existe pranto e acalento
os dois lados da moeda
céu e inferno
convergem no horizonte : crepúsculo.
(03/02/2008)
SEMENTE
Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli
Na dança do sol, girassóis inclinam-se para a vida
vida-sol, vida flores e frutos
espalham a semente procriação
versificação de pétalas e raios.
Na dança do vento, ondas verdejantes semeiam o amanhã,
o amanhã sorriso e planos
na beleza dos girassóis inclinando-se para a vida,
para o sol que arde sem queimar.
(03/02/2008)
Na dança do sol, girassóis inclinam-se para a vida
vida-sol, vida flores e frutos
espalham a semente procriação
versificação de pétalas e raios.
Na dança do vento, ondas verdejantes semeiam o amanhã,
o amanhã sorriso e planos
na beleza dos girassóis inclinando-se para a vida,
para o sol que arde sem queimar.
(03/02/2008)
EFÊMERO
Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli
Entre uma linha e outra vive-se
bem ou mal, depende da opção,
felicidade não envelhece
não se vende, dá ou empresta.
Entre um linha e outra morre-se
vive-se mal e envelhece,
encerra-se o ciclo, renovação,
não se enterra, corrói ou apodrece.
Entre uma linha e outra faz-se o ciclo.
(03/02/2008)
Entre uma linha e outra vive-se
bem ou mal, depende da opção,
felicidade não envelhece
não se vende, dá ou empresta.
Entre um linha e outra morre-se
vive-se mal e envelhece,
encerra-se o ciclo, renovação,
não se enterra, corrói ou apodrece.
Entre uma linha e outra faz-se o ciclo.
(03/02/2008)
SATISFAÇÃO
Por Carlos Savasini, Marisa Del Santo e Osvaldo Pastorelli
Andanças e compras,
passeio entre amigos,
presentes e no almoço
conversa e descontração
numa boa
a vida boa
bateu à nossa porta
sentou à mesa do almoço
comeu, bebeu e dormiu sentada
entre um copo e outro
entre risos e pacotes
na pequena cidade
que respira arte
amanhece arte
dorme na arte
e no céu limpo
há o sorriso arte
da arte comércio
arte medida em cifrões.
(03/02/2008)
Andanças e compras,
passeio entre amigos,
presentes e no almoço
conversa e descontração
numa boa
a vida boa
bateu à nossa porta
sentou à mesa do almoço
comeu, bebeu e dormiu sentada
entre um copo e outro
entre risos e pacotes
na pequena cidade
que respira arte
amanhece arte
dorme na arte
e no céu limpo
há o sorriso arte
da arte comércio
arte medida em cifrões.
(03/02/2008)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
SEM MAQUIAGEM
Carlos Savasini
Novas imagens, sondagens,
fotos de nós, amigos, lugares,
nunca e jamais foto-montagens,
pores-do-sol, tremidas fora,
somente as boas e com força as mais ou menos,
mais de nós e menos as outras.
Nossa história se refaz
nos clicks-memórias da vida
sem flash-maquiagem de nós.
(02/02/2008)
Novas imagens, sondagens,
fotos de nós, amigos, lugares,
nunca e jamais foto-montagens,
pores-do-sol, tremidas fora,
somente as boas e com força as mais ou menos,
mais de nós e menos as outras.
Nossa história se refaz
nos clicks-memórias da vida
sem flash-maquiagem de nós.
(02/02/2008)
NA BALADA
Carlos Savasini
I
Momentos fazem milagres :
numa hora tudo vale,
na outra, quem sabe ?
II
Deram-te um número, você liga :
“Quem ?
Não mora mais aqui.”
III
Num sábado apático o reencontro :
“Eu te conheço !”
“Nunca te vi mais gorda.”
IV
O passado se renova :
que venha
o próximo milagre.
(02/02/2008)
I
Momentos fazem milagres :
numa hora tudo vale,
na outra, quem sabe ?
II
Deram-te um número, você liga :
“Quem ?
Não mora mais aqui.”
III
Num sábado apático o reencontro :
“Eu te conheço !”
“Nunca te vi mais gorda.”
IV
O passado se renova :
que venha
o próximo milagre.
(02/02/2008)
GÊMEOS
Carlos Savasini
Sou humano e humanos são dúbios :
a tradição mantém-me ereto,
a novidade mantém-me vivo.
(02/02/2008)
Sou humano e humanos são dúbios :
a tradição mantém-me ereto,
a novidade mantém-me vivo.
(02/02/2008)
IMPÉRIO DO SENTIDO
Carlos Savasini
Reinado de aromas no pastel,
ou melhor : os do Empório do Pastel,
amanhã os do Embu, aromas de Minas por aqui,
segunda, quiçá, os da maresia em Boracéia,
terça o dos dentes das serpentes do Butantã,
quarta no aroma e recantos do centro.
O reino dos aromas é aqui
onde tudo se mistura, nostalgia e futuro,
descobrindo sempre um novo perfume.
(02/02/2008)
Reinado de aromas no pastel,
ou melhor : os do Empório do Pastel,
amanhã os do Embu, aromas de Minas por aqui,
segunda, quiçá, os da maresia em Boracéia,
terça o dos dentes das serpentes do Butantã,
quarta no aroma e recantos do centro.
O reino dos aromas é aqui
onde tudo se mistura, nostalgia e futuro,
descobrindo sempre um novo perfume.
(02/02/2008)
MASMORRA
Carlos Savasini
Quando nada perturba o meio
nada estabelece a convulsão,
olhares se cruzam, mãos tamborilam,
corpos se assentam, bocas bocejam.
Quando nada perturba o meio
o sono chega e faz morada,
o olho tonto titubeia e cai,
o corpo sonso encosta e dorme.
Quando nada perturba o meio
nada, nem a voz se escuta bem,
tudo atordoa e zune feito zumbido de mosca,
feito os tropeços do ronco da moça.
Quando nada perturba o meio
o menor gracejo ouve-se ao longe,
a festa parece do lado,
a balburdia invade sorrateira.
Quando nada perturba o meio
resta turbinar o volume do som,
ou ele ou algo mais ácido,
átono, impetuoso ou rock’n’roll.
Quando nada perturba o meio
e nada perturba o meio,
só o grito salva,
irmãos !
: só o grito salva.
(02/02/2008)
Quando nada perturba o meio
nada estabelece a convulsão,
olhares se cruzam, mãos tamborilam,
corpos se assentam, bocas bocejam.
Quando nada perturba o meio
o sono chega e faz morada,
o olho tonto titubeia e cai,
o corpo sonso encosta e dorme.
Quando nada perturba o meio
nada, nem a voz se escuta bem,
tudo atordoa e zune feito zumbido de mosca,
feito os tropeços do ronco da moça.
Quando nada perturba o meio
o menor gracejo ouve-se ao longe,
a festa parece do lado,
a balburdia invade sorrateira.
Quando nada perturba o meio
resta turbinar o volume do som,
ou ele ou algo mais ácido,
átono, impetuoso ou rock’n’roll.
Quando nada perturba o meio
e nada perturba o meio,
só o grito salva,
irmãos !
: só o grito salva.
(02/02/2008)
sábado, 2 de fevereiro de 2008
FLOREIRA
Carlos Savasini
A floreira, hoje, está mais completa
o destino trouxe a flor em semente
e germina em cor que sempre acarreta
fluidez de amor de um astro cadente.
O sentido vivo pede descente
expressão de amor, carinho e seleta
a floreira, hoje, está mais completa
o destino trouxe a flor em semente.
A pequena fala não se aquieta
pois enquanto cala fica dormente
e destrava juras lindas e certas
palavras de amor tão belas, não mente,
a floreira, hoje, está mais completa.
(01/02/2008)
A floreira, hoje, está mais completa
o destino trouxe a flor em semente
e germina em cor que sempre acarreta
fluidez de amor de um astro cadente.
O sentido vivo pede descente
expressão de amor, carinho e seleta
a floreira, hoje, está mais completa
o destino trouxe a flor em semente.
A pequena fala não se aquieta
pois enquanto cala fica dormente
e destrava juras lindas e certas
palavras de amor tão belas, não mente,
a floreira, hoje, está mais completa.
(01/02/2008)
MEA CULPA
Carlos Savasini
Se cometi erros, vivi,
expus-me à tomada de decisões,
aflorei toda minha humanidade,
toda minha incapacidade
de ser correto e justo e sempre bom.
Se vivi e cometi erros,
expressão máxima da condição humana,
arrependi-me ou irei no tempo devido
e buscarei o perdão daqueles que fiz sofrer
por ser o certo, o justo, o necessário.
Se vivi e vivi, errei e cometi
toda sorte de mazelas, toda sorte de absurdos,
o tempo corre e por sorte clareia e mostra cada tropeço,
cada excesso, cada face da expressão humana
que vivi, que cometi, que fez-me ser gente
nos tempos, contratempos e tropeços desta vida.
(01/02/2008)
Se cometi erros, vivi,
expus-me à tomada de decisões,
aflorei toda minha humanidade,
toda minha incapacidade
de ser correto e justo e sempre bom.
Se vivi e cometi erros,
expressão máxima da condição humana,
arrependi-me ou irei no tempo devido
e buscarei o perdão daqueles que fiz sofrer
por ser o certo, o justo, o necessário.
Se vivi e vivi, errei e cometi
toda sorte de mazelas, toda sorte de absurdos,
o tempo corre e por sorte clareia e mostra cada tropeço,
cada excesso, cada face da expressão humana
que vivi, que cometi, que fez-me ser gente
nos tempos, contratempos e tropeços desta vida.
(01/02/2008)
COLAÇÃO DE PATENTE
Carlos Savasini
“Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia”
(Toni Bellotto)
Os desembargadores são pessoas de respeito. Os novos, então, merecem toda reverência. O momento é único. O lugar também tem que ser. A cerimônia tem que ser preciosa.
Até polícia tem que estar presente. Afinal, desembargador é gente muito importante. Convidado de desembargador é gente distinta. Família de desembargador ganha o céu sem escalas. Sem dízimo. Sem esmola.
Só não tem distinção gente como agente. Não temos nem polícia para brincar de polícia e ladrão. Somente ladrão.
(28/01/2008)
“Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia”
(Toni Bellotto)
Os desembargadores são pessoas de respeito. Os novos, então, merecem toda reverência. O momento é único. O lugar também tem que ser. A cerimônia tem que ser preciosa.
Até polícia tem que estar presente. Afinal, desembargador é gente muito importante. Convidado de desembargador é gente distinta. Família de desembargador ganha o céu sem escalas. Sem dízimo. Sem esmola.
Só não tem distinção gente como agente. Não temos nem polícia para brincar de polícia e ladrão. Somente ladrão.
(28/01/2008)
PALAVRAS
Carlos Savasini
Minh’alma divaga jazzisticamente
juntando palavras precisas no ar
cambiando o tema, no tema, partindo e voltando,
mutando a partir do mundo real
nas voltas, volteios, no vértice do tema,
do lema,
inquieto surto quando o corpo contorce
quando o pensamento exige mais que as mãos
quando a tensão exige mais que o pensamento
quando o fôlego exige mais que as palavras
quando o sopro exige mais que as notas
quando a voz exige mais que os pulmões
quando o nada exige mais que o silêncio
........................................................quando
o pensamento exige mais que o verso
não cabendo em palavras.
Minh’alma divaga
volteia
jazzisticamente
muda
e se cala
sem
(27/01/2008)
Minh’alma divaga jazzisticamente
juntando palavras precisas no ar
cambiando o tema, no tema, partindo e voltando,
mutando a partir do mundo real
nas voltas, volteios, no vértice do tema,
do lema,
inquieto surto quando o corpo contorce
quando o pensamento exige mais que as mãos
quando a tensão exige mais que o pensamento
quando o fôlego exige mais que as palavras
quando o sopro exige mais que as notas
quando a voz exige mais que os pulmões
quando o nada exige mais que o silêncio
........................................................quando
o pensamento exige mais que o verso
não cabendo em palavras.
Minh’alma divaga
volteia
jazzisticamente
muda
e se cala
sem
(27/01/2008)
Assinar:
Postagens (Atom)