terça-feira, 30 de outubro de 2007

CHORINHO

Carlos Savasini

Da boça e do samba
Do banzo e da pele
Da noite e do sangue
Rolou a primeira lágrima
Nasceu a primeira nota
Criou-se o chorinho.

(27/10/2007)

NA MARESIA

Carlos Savasini

Notas dobradas na areia
Quiosque e noitada na praia
Lual jazzístico fora dos clubes
Fora do scotch, bourbon e cowboy
Sax de areia, maresia, hoje é praiana
A boemia nas noites de jazz
Noites de lua
Maré e poesia.

(27/10/2007)

COLTRANE

Carlos Savasini

Valeu, mestre, a presença
O fulgor, fervor, existência marcante
Valeu a cadência das notas
Toda presença de cena
Na cena mudada por ti
Valeu, mestre, a presença.

(27/10/2007)

AGORA

Carlos Savasini

Agora sim
Chega de sorrisos falsos e gestos marcados
Risos amarelos, dentadura de vampiro
Máscara, pó de arroz e tapinha nas costas.

Agora sim
Permito o sorriso escandaloso
O transbordar de ternura e atenção
Tensão de carinho e gentil preocupação.

Agora foi a hora de manter a compostura
Chega de floreios, petulância e covardia
Chega de ousadia medida e busca
O verdadeiro chegou e está ao lado.

Erudição, profissionalismo e grana
Chefe, horário e camisa vestida
Desrespeito, despeito, falsidade e medo
Agora não.

Verdade seja rara, rica ou chula
Brilhos, risos, olhos e pele do rosto
Amante, amigo, amor, abraço e ser sincero
Agora sim.

(26/10/2007)

PSIQUE

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol e Marisa del Santo

Alma lavada
Esperança de novo
Raio X de dentro
Escrita,
Redenção,
Furacão sem olho cego
Visão de olho gama
Trama sem lavanda, entendimento,
Cerrada de cortinas
A alma se eleva
Jovem e certeira
Plaina
E nós, filhos todos
De deus
Nunca falamos a mesma língua
E nós, todos filhos de deus
Sempre urramos a mesma
Língua
Negamos o filho do pai
Aceitamos o filho do falo,
Do falo,
Gênese daquele e da cona
Do ser e do meio
De tudo e toda psique,
Rumor e mente
Religião e eras
Nudez e gritos,
Filhos da psique,
Vazio presente
Razões dementes
Motivos displicentes,
Filhos da psique.

(20/10/2007)

FUGAZ

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol, Marisa del Santo, Osvaldo Pastorelli, Rosangela de Oliveira e Samara Sieber

Rápido !
A banda não espera,
A vida não espera,
Nem mais um copo !

Vivemos
Num só dia
Todas as noites
Num só mote
Todas as vidas
Antes
Que seja tarde.

A morte : que seja fácil.
O mundo : que seja inteiro.
A vida : que seja vívida.

Vivemos
Num só dia
Todas as vidas,
Todos os dias,
Toda morte é indolor.

O fim é fim e basta-se.

(20/10/2007)

SE EU FIZESSE

Por Carlos Savasini, Marisa del Santo, Osvaldo Pastorelli, Rosangela de Oliveira e Samara Sieber

Sabe, gente, se eu visse
Se eu soubesse a carência do mundo
Se eu soubesse o desejo daqueles
Eu poderia falar da minha falta
Da ausência dos sentimentos
Das palavras que não são rimadas
Das palavras jogadas no papel branco
Entremeadas de conversa
Cerveja e risos noturnos
Sob o céu estrelado como pedrinhas
De brilhante, iluminando meus
Pensamentos.

Sabe, gente, se de sofrimento
Eu fizesse música
Se das tripas eu fizesse
Coração
(de verdade)
Sabe gente, se da vida
Eu fizesse poesia
Faria pedrinhas de sangue e lágrimas
Cristais de corpo, língua e falas
Faria poesia de pedras, pernas, tropeços
E das pedras eu faria cores
Dos cristais geraria palavras
E dos tropeços criaria mais vida
Que seriam vidas vividas
Em todos os sentidos
Com couraça de alegria,
Pariria mais amor para o mundo.

Sabe, gente,
Se eu morresse
Ninguém saberia
Que eu abdiquei da vida
Para ser mortal,
Para ser mortal.

Sabe, gente,
A vida é imensa
Íntima
Insana.

Sabe, gente,
Viver é real.

(20/10/2007)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

TAINÁ

.
.
Carlos Savasini
.
E nasceu a estrela
Não a primeira da noite
Nem a falsa que anuncia manhãs.

Nasceu a estrela de olhos abertos
Sorriso no canto dos lábios e cabelo
...................................(quase longo)
.................................. : negro.

Nasceu a estrela sorrateira
Surpresa da espera
De brilho esperado e sempre, sempre
....................................surpreendente.
.
(19/10/2007)

MESCLADA

Carlos Savasini

Acarajé encharcado de shoyo
Tacacá regado ao azeite
Bacalhau nos bolinhos de tofu
O caldo de tantas raças numa só
Sobrevive apenas ao sul do Equador
Na terra tupi de santos e orixás
No fim e confins desta terra latina.

(20/10/2007)

ORAÇÃO

Carlos Savasini

Em breve o local de minha prece
Em breve a cerimônia que desce
Em rodadas ao redor da mesa da Távola
De fiéis e cavaleiros em romaria ao boteco :
Um brinde ao primeiro passe, à primeira comunhão
Rodando até que venha a extrema unção da derradeira saideira,
É hoje que me acabo
Mais uma vez,
Amém.

(20/10/2007)

COMEDORES

Carlos Savasini

Lampejo de luz sobre a mesa
Garfos e facas
Boca e esôfago.

Lampejo de breu sobre a mesa
Grito e horror
Garras e dentes.

Lampejo de luz sobre a mesa
Um corpo estendido no chão
Do verbo à ação sem um piu.

E o sangue ainda escorre.

(20/10/2007)

BEIJO

Carlos Savasini

Vou te contar um segredo
Ouça em teus lábios o meu
E boca em juras de amor.

(19/10/2007)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

BRASILIDADE - de Osvaldo Pastorelli

No bar saturado
A sinuca rola
Sobre o pano verde da vida
Rolam bolas amarelas
Em seu desespero
Rolam as pretas
No dolorido escurecer
Rolam as vermelhas
A pulsar o vermelho sangue

No bar saturado
Desta noturna brasilidade
São feitas grandes tacadas
Nesta vida delirante

A cidade meio verde
................meio vida
................meio opaca
Melancolicamente espaçosa
Tem o vermelho
A pulsar violentamente

Discussões jogadas
Explodem frustrações frustradas
Nas discussões das sextas
Não há sorte
Há homéricas bebedeiras
A rolar vida verdejante
Tentativa de enrolar
O interessante desinteressante
Desenrolar jogo
Desta vida insignificante

CHINÊS

Carlos Savasini

Transponham-me a outro idioma
Re-poetem meus versos íntimos
Verdades não têm língua
Dialogam
Tanto em mandarim quanto em galego, catalão ou português.

(14/10/2007)

EM DESTAQUE

Carlos Savasini

E morreu assim a inocência
Junto ao último copo de leite
Em contexto nem sempre aprazível.

(14/10/2007)

PALMAS

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Risos se esparramam na palmeira
Lábios se espalham nas faces
Truncando a alegria em cada sulco
Cada veio de tempo e alegria
Remoendo a solidão ferina
Dentes compondo sorrisos
Em cada copo cristalino
Cachos de olhos e gotas
Lágrimas de saudades
Choro de lembrança e memória
Nos retratos pendurados na parede
Nas fotos, filigranas da mente
Lembranças que se esquecem somente
Não mentem, não deixam lacunas
Nos desvios fugindo dos abismos
Risos que escorrem palmeiras
Nos lábios que espalham alegrias.

(13/10/2007)

NA LIDA

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

A última, a breve
Breve na última vida
Na última gota de sal
Que do suor rola do corpo
Que cai na labuta do verso
Construindo a rima do inverso
Som, catapulta do verbo
Ditando a palavra certa
A rima perfeita
Eleita dos poetas sonetistas
Mito dos poetas livres
Se perdendo nas regras e sem conteúdo
A poesia sobrevive nas entranhas
Da alma sobrepujando as entrelinhas
Vivendo expressas nas linhas da vida
Que conduzem os passos dia a dia
Ditando o que se faz na poesia
Ditando o que se faz na vida
Na arte, na breve, na simples lida
Fechando em cada um a vida.

(13/10/2007)

CADENCIADAS VIDAS

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Atividade consome
Come e degusta a energia
Elevando a intelectualidade
Consumindo o tico e teco, o neurônio
Corpo, músculo e febre
A lebre que corre puxando a cenoura
Da terra, vida natural
Constituindo outra vida
Energia, ígnea, magma, terrena
Semente que brota e consome
Atividade que ferve
Vida em cada camada
Que constrói a terra
Solidificando vidas
Em cada ser natural
Cada gota de chuva cai e condensa
Contraste que vem, intensifica
Vai na força, no veio, na febre, na veia
Na corda, no corpo, na forca, no tempo
Que dita nos passos
Cadenciados
Morosos
Perigosos
Enfrentando
O abismo do tempo
A sede de amanhã
O desejo de futuro
A vontade de tempo
Cadência e vida,
Vida cadenciada nos passos de cada um.

(13/10/2007)

FOGUEIRA

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Balanço da rede na praça
Quintal de mangas e jabuticabas
Perfume de café e pão com manteiga.

No curral o leite quente
Tirado na hora,
Espuma formando bigode.

Cheiro de frutas, sol escaldante,
Varanda de sombra, telhas, xaxim,
Cadeiras, calçadas, ruas sem fim.

Brinquedos, folguedos, crianças,
Gente humilde sorrindo
Em conversas com as estrelas.

Solfejos, violas, notas e fogos
Quentão e pipoca ao redor da fogueira,
Preguiça, sofá e banquinhos na praça.

Morre ao longe a saudade
Na fogueira das vaidades.

(13/10/2007)

NO FUNDO DO COPO

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

O vermelho segura
No semáforo a vida
Fluida no fluxo do dia.

O amarelo, nostalgia
Na espera da sina.

O verde que fascina
Liberdade acima
De qualquer coisa
Revelando nossa sina.

Miscelânea toda cor
Espera – nostalgia
Siga – sina – via
Vida fluida no fluxo do dia
Que se encerra
A cada vermelho
No semáforo
Enaltecendo a vida
Contrapondo o tempo
O semáforo
O caminho desejado das coisas
Onde cada um encontra
A sua sina
O seu destino
Nesta vida peregrina
Escorregadia
De desejo e vontade
Morrendo no fundo
Do copo de cerveja gelada.

(13/10/2007)

POESIA PESADA

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Mamãe matou meu irmãozinho
Corpinho jogado em saco preto
Saco boiando em ribeirão
Boiando entre espumas
Dejetos e podridão
De carne e felicidade inútil
Carne feliz em certos momentos
Carne podre em outros instantes
Mamãe matou meu irmãozinho.

Pois vamos enterrar a sociedade
Viver todos sem preconceitos
Viver sempre a liberdade
Do sexo, do rock e das drogas
No amor livre e total.

(13/10/2007)

EXPANDIR AZUL

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Balde transborda
Quentes amizades
Alegria, felicidades,
Gelo pouco para tanto calor
O frágil metal trinca em solidão
Contraste à união dos amigos
Sorri nos carros tresloucados
À margem do rio de sábado
Reflete a vida azul
Da tarde sonora
Que som ... oras bolas !
Forró – sertanejo à margem de nós
À margem do papo, do verso, do riso
Transcendendo as fibras poéticas
Em cada verso
Em cada rima livre
Nos copos gelados
Quentes das conversas
No expandir da vida
Sonora e única.

(13/10/2007)

sábado, 13 de outubro de 2007

REFLUXO

Carlos Savasini

Passos pesados
Olhar carregado
Maré
Rede sedenta
Poros cadentes
Corpo
Braços carentes
Beijo pedinte
Corpo
Ar mascarado
Boca escancarada
Maré.

(12/10/2007)

CHORO A TANGO

Carlos Savasini

E as terras se estendem maiores que o peito
Horizonte mais brilhante que olhos baços
Saudades do seio dos pampas
Gardel na terra do samba.

(12/10/2007)

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O SONO, O GÊNIO, O SONHO

Por Carlos Savasini, Ernani Fraga, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle e Roberto Messias.

Enquanto você dormia
Eu andei até longe demais
Pensando em como é
Que você me veria
Assim que agente acordasse.

Enquanto você sonhava, eu
Estava perdido demais
Olhando pro escuro
Sem poder dizer nada
Como um anjo da guarda
Só seu.

Eis que aí despertei pro mundo,
Mergulhei no fundo, senti falta
De oxigênio, oxigênio – gênios são
Pessoas que não tem o que
Fazer !
Gênios não existem, são promessas
De uma vida às pressas,
São promessas
Esperanças, prêmios, bilhete ao portador
Sonhos, pedidos, três gotas na lâmpada
Três doses à tarde, à noite três litros,
À noite o sono em que você dormia.

O meu sonho agora
O meu sonho é só
Dormir
O meu sonho, um pedaço,
O meu sonho é alucinação,
O meu sonho transcursado
Em quadrados, em cores de
Azuis, retratos
Brancas nuvens
E frustrações catalãs.

Quais são as origens destas dúvidas ?
Dúvidas vãs,
Às vezes não, dúvidas certeiras
Muito menos que eu mesma
Muito menos.

O sono dorme intenso.

(06/10/2007)

O BEIJO

Por Carlos Savasini, Ernani Fraga, Fabio Santos, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle, Osvaldo Pastorelli e Roberto Messias.

Cala em mim o beijo que te digo
Estás bem, estás aqui, agora, comigo.
Que será de mim nesta noite sem vento ?

O vento sopra
Na distância do futuro
Com o beijo de teu olhar
– amigo –
Que alcança o meu umbigo
Como um navio
Deixa o cais e vai
No cio do encontro
Ao tempo que virá e onde
Eu vou te encontrar
Então vou beijá-lo ainda que renegue
Vou tentá-lo ainda que todo
Vou amá-lo ainda que contra.

Tanta objeção, injeção nas veias
Que veias, que vaias, que vão ...
Sabor de paradoxo em vão,
Mas será que vão ?
Não vão, não vão em vão, se vão, se foi,
Já era, mas não digam não ao tesão,
Desejo em si, no meio do teu calor, perdido
Na tua pele, encontro meu mundo, quente
E ardente
No teu beijo que me deixa nu
Na pele que nunca ardeu
No vento que nunca soprou
A noite
Cio da noite que nunca sangrou
Uivo que chora e sente falta
Beijo que pede toque, pele e contato
Beijo que te diz e cala
Beijo que está aqui, noite sem vento.

Disseste palavras cruas
Sem som, sem força e o quanto
Me pedes te dou
Eu, tão vulnerável ao eco da noite,
Eu, tão flexível ao sestro desta dor,
Beija-me, beija-me, que ainda é noite
E o dia – este sol impiedoso e breve –
Estaremos longe, longe, muito longe ao amanhecer ...
A nau é o meu coração
Que irá e estará
Onde você estiver
E vou levar comigo
A intensidade em luz
Do meu amor
E Deus vai nos abençoar
Nos honrar
A eternidade em poemas
Vai multiplicar-se ao infinito
Como um mantra
Abençoado
Que vai chegar.

Chegastes às vezes tão ausente
Ausento-me aqui
Para viver livre
E em qualquer lugar
Como alguém que sabe aonde quer chegar.

(06/10/2007)

SUOR

Por Carlos Savasini, Ernani Fraga, Fabio Santos, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle, Osvaldo Pastorelli e Roberto Messias.

Na mesa o suor da cerveja
Fala mais alto que as vozes,
Na musa o suor da paixão
Dança mais passos que a dança,
Na mesa o suor desses desejos
Navegam outros mares, são tantos cais ...
Então meu coração
Como um navio
Desliza pelo mar aberto
Suave, mas intenso
Como um olhar
Derretendo de paixão,
Arde em mim esse teu fogo
Desliza em minha garganta
Teu sabor áspero, gelado,
Grita em mim o que renego
Insiste em mim o que desdigo
Fala em mim o que repete
Fala e cala
Cala e se agasalha
Procura um calor
Onde reside o torpor,
Torpor, desejo, mar, momentos que se repetem
E repetem e repetem quase como nada e o
Nada se torna absoluto preenchendo o espaço
Os corpos, os copos, sedentos de uma
Musculatura forte, flexível e resistente aos
Tempos antigos, modernos e presentes
Como a mesa suarenta
De vozes e cerveja silente.

(06/10/2007)

domingo, 7 de outubro de 2007

ARRUDA

Carlos Savasini

Nem com mandinga e quizomba
Vudu e atabaque
Angu, talismã e encruzilhada,
Nem perguntando ao Orixá,
Xangô, Ogum, Iemanjá,
Nem com charuto, galinha e cachaça
Consegui resgatar seu amor,
Simpatia, já não mais deste ator.

(06/10/2007)

RASCUNHO (A LIMPO)

Carlos Savasini

Vida jamais passada a limpo
Eternamente rascunho vivo
Garrancho de lida, de sina, por dias
Rascunhos
Na morte se passa tudo a limpo.

(06/10/2007)

FACEIRA

Carlos Savasini

Quando a morte morreu
Sequer gota rolou pelas faces
Rolou festa por toda cidade
Batuques, quizombas, alforria enfim.

Quando no sétimo dia,
Dia maior de qualquer alegria,
Surgiu de manto e brilho nos olhos
Aquela que jamais seria enterrada.

Quando a morte morreu
Morreu de sorriso nos dentes
Mangando e zombando somente
Do fim, que sem fim, é fim em si mesmo.

(06/10/2007)

PERSONA

Eliana Mora

Lavar o rosto, enxugar.
E pendurar de novo a imagem
- no mesmo lugar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

EMBEVECIDAS PALAVRAS

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Onde o sorriso se esconde
Nos trilhos da vida
Acolhe os passos soturnos
Abraça os olhos insones
Colhe os frutos no ponto
Na ponte dos olhos límpidos
Vívidos
Escorrendo lágrimas felizes
Aos pés dos montes cálidos
Montes de hálitos lúgubres
Corrimento rubro na face
Corre o sangue na vista
Grito puro, fundo, forte e fétido
Na cloaca do mundo
Brilhando na estrela
Da paz nunca alcançada
Na busca nunca conseguida
Busca de pele, pêlo, fala e espera
Fálica
Busca e sentimento
Tempo que aguarda e que força
Outros dias, outros tempos
Aqui estaremos novamente
Na mesa de amigos
Vinhos musicais
E conversas cheias de poesia
Cheia de falas
Cheias de gritos.

(30/09/2007)

NADA MELHOR

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Nada melhor que após o dia a dia
Um domingo especial
Regado a peixe
Cerveja, vinho
E primavera fria

Nada melhor que após as quatro estações
A quinta essência
Da vida elevando
A essência poética
Aos quatro cantos
Da vida esperança

Nada melhor que um riso especial
Sorriso essencial
Iluminando a noite
Dentro dos lustres
Musicais da solidão

Nada melhor que uma mesa de amigos
Surpresas sutis
Embalada pelo Pedro Camargo
Marcelino, Clara Nunes
Madeira e Mamonas
Ah ! a vida é bela
A vida é nossa
Viva a vida
Minha e nossa
Para sempre

(30/09/2007)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

CANTA, POETA, CANTA

Carlos Savasini

Miríade deles
Muitos milhares
Por todos os cantos
Todos os lados
Centenas de vozes
Plêiade anônima
Segura de si
Dona das vozes
De muitos milhares
Muitos olhares
Sem ter uma estrela
Uma sequer
Nem mesmo a cadente
Plêiade anônima
Por todos os cantos
Todos os lados
Enxame de vozes

(02/10/2007)

GRIS

Carlos Savasini

Memória em preto e branco
Nuances de vermelho e verde musgo
Fleuma de cetim e casulo
Escuro em preto e meio pardo
Cinza em tons de branco e quase negro
Branco em tons de gris e tanto cinza
Intenso em luz argêntea e asas
Pasta de celeuma e casca
Poros de tesouro e pele
Corpo interferente, interferência e outros
Poucos, ou nenhum, imunes, outros
Poucos, ou nenhum, inertes, outros
Serão todos brancos, todos negros, todos tons de gris
Tons de rubro, musgo, tons de gente
Tons de dúbios, duplos, muitos, tantos
Tons de seres humanos
Tons de pretos e brancos
Cores de memória e gente
Cor de corpo em preto e branco
Todos tons de gente e gente em nós
Todos duplos, dúbios, pretos e brancos
Ossos e pele
Carne e dentes
Pretos e brancos
Tons de gris.

(30/09/2007)

SE

Carlos Savasini

É, não fosse o sim era o não
Fosse o não, não teria você
É, se não tivesse o seu sim
Teria, talvez sim, o seu não
Não seria mais de ninguém
Se não fosse para ser seu
Não seria mais de ninguém
Se não fosse para ser seu.

(29/09/2007)

SEM LIMITES

Carlos Savasini

Plantação de morangos e parreiras
Nogueira, cedro, figo e jacarandá
Plantação de amizades duradouras, saborosas
Capinada de urtigas, pragas e ervas daninhas
Livre de danos, de dolos, de sal e maus agouros.

(29/09/2007)

SEMEADURA

Carlos Savasini

Viver é melhor que sonhar
Que dormir para nunca mais lembrar
Melhor é o sonho de olhos bem abertos
Pés no chão e cabeça nas nuvens
Corpo aberto, coração imenso, extenso, escancarado
Alma expressa sem medo de dor e alegria
Pisar no céu de cabeça para baixo
Melhor é sonhar, sonhar, sonhar e viver
Viver o sonho acordado
Viver sem pestanejar
Sem dormir, sem esquecer
Que sonhar é viver
É semente
É plantação de amanhã.

(29/09/2007)

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

CASA DAS ROSAS - ESPECIAL DURANTE A CAD BRASIL

A CASA DAS ROSAS - ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA convida para:

LANÇAMENTO: "AS MULHERES DE NELSON", de Petra Ramalho Souto
Dia 4 de outubro, a partir das 19hs
Em seu livro, fruto de sua tese de mestrado, Petra Ramalho faz uma análise da obra do dramaturgo com enfoque para a importância dos personagens femininos. "Ao notar a importância que as personagens femininas têm na obra rodriguiana e o valor de Os sete gatinhos para o entendimento da dramática de Nelson, escolhi como tema para esse trabalho investigativo a representação da mulher no teatro de Nelson Rodrigues e estabeleci como principal objetivo a busca das respostas para as seguintes perguntas: quais são as representações sociais das mulheres que este autor registra/veicula em seu Os sete gatinhos? E as representações disseminadas na sociedade brasileira da década de 1950 e na mencionada obra coincidem ou não?".
Apresentação do músico Pedro Osmar e dos poetas Frederico Barbosa e Ademir Assunção
Retirar ingresso, gratuitamente, com 30 minutos de antecedência. ____________________________________________________

VISITA EM VERSOS
Com Frederico Barbosa, Carolina Splendore e Mitty Nakamura
De 2 a 5 de outubro, às 15h
A Mostra CAD Brasil é uma exposição que celebra poetas universais e brasileiros por meio da decoração, neles inspirada, de cada cômodo da Casa das Rosas. Durante esta semana, o professor e poeta Frederico Barbosa guiará os visitantes da mostra por cada um dos cômodos, oferecendo um panorama, com o auxílio de Carolina Splendore e Mitty Nakamura, da poesia presente no evento. A visita culmina numa micro-palestra sobre os poetas Gregório de Matos, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Augusto de Campos, um em cada data: 02/10 – Gregório de Matos
03/10 – Carlos Drummond de Andrade
04/10 – João Cabral de Melo Neto
05/10 – Augusto de Campos
Retirar ingresso, gratuitamente, com 30 minutos de antecedência .
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POESIA VIVA ESPECIAL
Sábado, 6 de outubro, às 18hs
Local: Restaurante
Durante a Mostra CAD Brasil, a Casa das Rosas convidou poetas de diferentes décadas e tendências para promover um encontro de gerações através de breves recitais. Passaram pelo Poesia Viva, em setembro, dentre outros, Cláudio Willer, Renata Pallottini, Virna Teixeira e Glauco Matoso.
No último recital deste ciclo, convidamos os poetas Carlos Felipe Moisés, Frederico Barbosa, Eduardo Lacerda, Fábio Aristimunho Vargas, Gustavo Assano, Carlos Savasini e Renan Nuernberger para leituras de 10 minutos em que o espectador tomará contato com a pluralidade da poesia contemporânea.
Retirar ingresso, gratuitamente, com 30 minutos de antecedência.

CASA DAS ROSAS - ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
Av. Paulista, 37 - Bela Vista
Tel: 3285-6986
http://www.apaacultural.org.br/

PRESENTE

Pessoal,

Vejam que presente recebi :


QUE FAÇAS.


Para: Carlos Savasini (que escreve poesia com os pulsos)

POR:GABRIELA CUZZUOL EM 29 DE SETEMBRO DE 2007.


Desejo;

Que faças poesia de alma;
Com asas;
Por nada;

Espero;

Que brades poesia
O quanto;
Enquanto;
Portanto;

Almejo;

Que grites poesia;
Em pranto;
No antro;
Do canto;

Respeito;

Que entoes poesia;
Do jeito;
No peito;
Direito.

Obrigado Gabi !

Bjs e abçs
CS