segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O BEIJO

Por Carlos Savasini, Ernani Fraga, Fabio Santos, Gabriela Cuzzuol, Luciana do Valle, Osvaldo Pastorelli e Roberto Messias.

Cala em mim o beijo que te digo
Estás bem, estás aqui, agora, comigo.
Que será de mim nesta noite sem vento ?

O vento sopra
Na distância do futuro
Com o beijo de teu olhar
– amigo –
Que alcança o meu umbigo
Como um navio
Deixa o cais e vai
No cio do encontro
Ao tempo que virá e onde
Eu vou te encontrar
Então vou beijá-lo ainda que renegue
Vou tentá-lo ainda que todo
Vou amá-lo ainda que contra.

Tanta objeção, injeção nas veias
Que veias, que vaias, que vão ...
Sabor de paradoxo em vão,
Mas será que vão ?
Não vão, não vão em vão, se vão, se foi,
Já era, mas não digam não ao tesão,
Desejo em si, no meio do teu calor, perdido
Na tua pele, encontro meu mundo, quente
E ardente
No teu beijo que me deixa nu
Na pele que nunca ardeu
No vento que nunca soprou
A noite
Cio da noite que nunca sangrou
Uivo que chora e sente falta
Beijo que pede toque, pele e contato
Beijo que te diz e cala
Beijo que está aqui, noite sem vento.

Disseste palavras cruas
Sem som, sem força e o quanto
Me pedes te dou
Eu, tão vulnerável ao eco da noite,
Eu, tão flexível ao sestro desta dor,
Beija-me, beija-me, que ainda é noite
E o dia – este sol impiedoso e breve –
Estaremos longe, longe, muito longe ao amanhecer ...
A nau é o meu coração
Que irá e estará
Onde você estiver
E vou levar comigo
A intensidade em luz
Do meu amor
E Deus vai nos abençoar
Nos honrar
A eternidade em poemas
Vai multiplicar-se ao infinito
Como um mantra
Abençoado
Que vai chegar.

Chegastes às vezes tão ausente
Ausento-me aqui
Para viver livre
E em qualquer lugar
Como alguém que sabe aonde quer chegar.

(06/10/2007)

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