quinta-feira, 27 de setembro de 2007

HÁ - CONTRAPONTO

Pessoal,

Veja o contraponto que a Lisieux, poeta de BH, fez sobre o poema HÁ, postado recentemente :


lisieux

Há coisas, que só aos poetas pertencem:

o silêncio sepulcral da noite e os barulhinhos diários
que contam milhares de histórias de vida

a solidão da lua no alto céu de outono
cravejado de estrelas cintilantes
e o brilho derramado nas calçadas
pelo astro-rei em tardes quentes de verão

Também são deles as gigantescas vagas do oceano
em dia de inverno, tempestuoso
e o doce correr de águas doces e serenas
de riozinho em município interiorano.

Há coisas, que só aos poetas pertencem:

a pena, que é injeção de amor nas veias,
o papel, palco vazio a ser tomado por figuras
personagens no teatro da existência

Aos poetas pertencem: o cálice da dor e da saudade,
sangue corrente pelas veias da paixão...
e o pão em forma de desejos saciados
em oferendas nos altares da ilusão.

Há coisas que só aos poetas pertencem
e que ninguém "de fora" pode compreender...

as letras que se tornam versos livres
causa e efeito deste ofício de escrever.

BH - 26.09.07

SARAU EM DOSE DUPLA

Pessoal,

Nesta sexta, 28 de Setembro, sarau em dose dupla :

1. SARAU DO RASCUNHOS POÉTICOS : 19:30, na Alceu Amoroso Lima (Av Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo, SP, esquina com a Cardeal Arcoverde) - tragam seus poemas para ler

2. SOPA DE LETRINHAS : 21:00, no Vila Teodoro / Clube Caiubi (Rua Teodoro Sampaio, 1229, Pinheiros, São Paulo, SP, quase esquina com a Henrique Schaumann) - o poeta homenageado será Luiz Roberto Guedes, leitura de poemas autorais e do homenageado

Até lá !

Bjs e abçs
CS

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

MANDINGA

Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol e Osvaldo Pastorelli

Se eu soubesse fazer poesia
Gritava alto
Pedia muito
Soltava as bruxas
Voava de vassoura
Fazia mandinga
Macumba na esquina
Acendia um charuto
E baixava o santo
Pedia pro alto
Mostrava as veias
Bancava o assalto
Atava teias
Prendia o assassino
E fechava a cadeia
Do destino.

(22/09/2007)

MODERNIDADE

Carlos Savasini

Quem não quebra, se quebra
Na quebrada do mundo
Quebra – quebra, cospe – cospe
Quirelas a reboque
Se correto, fecha os olhos
Se no esquema, esquema
Quebra tudo, sem problema.

(24/09/2007)

PROPONENTE

Carlos Savasini

Contraditório, algema, dor
Conflito, angústia, fim
Não somente liberdade
Amplitude do horizonte
Singeleza de uma flor.

A leitura, sim, liberta
Autores rompem celas
Propõe revolução
Evolução
Contraponto ao ímpio, ínfimo e efêmero ser.

(23/09/2007)

BRANDY

Carlos Savasini

Fruta em cachos, se não filhos,
Se não suco em refrescos pueris,
Se não passa em doces natalinos
Fermenta e seca em barris senis
Fruta Baco somente para adultos
Fruta das boas, casca e tanino, tinta e branca,
Nem tente tirá-la do mosto,
Deixe o vinho, a grapa e o conhaque em paz !

(22-23/09/2007)

FLOR EM MASSA - PLANTAÇÃO

Carlos Savasini

Flor que floresce uma vez na vida
Se bem quista, obra-prima
Se não vista, artista – multidão.

(22/09/2007)

AQUILO - AQUELE

Carlos Savasini

Sou o que não conheço, aquilo que não se é
Se dizem, os outros, que sou poeta
Desconfio
Sou o verso que vaza até quando não quero.

(22/09/2007)

CALDO

Carlos Savasini

Sopa se pouca e rala
Dá-lhe letras de macarrão
Poema se leve e sonso
Dá-lhe pedras e versos roucos
Criação se não dá caldo
Dá-lhe o peso da própria mão.

(22/09/2007)

CARDÁPIO

Carlos Savasini

Sexo nas esquinas
Cardápio de vaginas
Cada tara tem seu preço
Atrás da moita o fast-food
Casa iluminada e tradição a qualquer preço
Recinto de luxo e lupanares high-tech
Modelos nas capas de revista
Senhoras na Praça da Luz
Cada qual tem seu fetiche
Cada tara tem seu preço
Cardápio de oral, anal e vaginal
Pimenta sadomasoquista
Sexo nas forquilhas
Nas esquinas
Nas meninas.

(22/09/2007)

BALA

Carlos Savasini

Pontualmente nunca falta
Bate cartão nas horas mais ingratas
Melancolia que rasga fundo o peito
Tristeza que arregaça a pele do corpo
Volúpia que frustra o desejo impróprio
Solidão que impõe os pedidos mais vazios
Momento que chega em clausura e breu
Ponto que aplaca no corpo a ponta da bala
Vale que afunda e arrasa a alma
Tiro certeiro em disparo preciso
Foco de angústia, humanidade e falta.

(22/09/2007)

REMAKE

Carlos Savasini

Folha branca de novo não
Caderno pautado de novo não
Caneta em papel de novo não
Poema reciclado de novo
Não

(21/09/2007)

PASSAPORTE

Carlos Savasini

3 doses depois de 4 garrafas
3X4 alucinado
O herói engarrafado
Fuma uma bola de orégano
Mata a bituca branca na sinuca do palco
Depois das 7 manda 9 ou 12
10 ou qualquer 15
Enquadra a foto esfera no gargalo
Desce elipse helicoidal
No pé redondo da garrafa
Garante o passaporte
5X7
Passagem ao além.

(20/09/2007)

Carlos Savasini

Há coisas que só aos boêmios pertencem
O silêncio da madrugada e o burburinho dos bares
As notas dos clubes de jazz e a naipe das luzes no céu
O gosto do trago certo e o ponto do acepipe correto
O gesto ao amigo garçom, o respeito ao boteco
O tempo em solidão e o momento de algazarra
O copo que é cálice, a hóstia porção e o brinde que é benção
Instante em que gente é gente seja lá qual for a seita.

Há coisas que só aos boêmios pertencem
O período laico do mundo
O brilho dos corpos, dos olhos, da mente
O período em que tudo é luz no breu
Em que todo encontro entre gente é permitido
Em que todo momento de solidão é opção
Em que até os deuses, que hão de haver, se sentam ao lado
Brindando conosco do gole dado aos santos.

Há coisas que só aos boêmios pertencem.

(20/09/2007)

É NA MARÉ

Carlos Savasini

Mata-me aos poucos
Aos tropeços e socos
Marcha lenta e CO2
Metropolitanamente
Afogamento em mar de carros.

(20/09/2007)

LAPIÃO DE GÁS

Carlos Savasini

Crianças alegram
Quando nascem e quando brincam
Quando tropeçam e choramingam
Crianças enchem o tempo
Preenchem espaços
Tomam nosso colo e atenção
Tomam nosso corpo e tensão
Ocupam o lapso do que somos e fomos
Crianças iluminam lamparinas
No gás que já nos falta e raciona
Gás que delas nos consome e nos queima
Tomando nosso posto no amanhã
Crianças ...

(16/09/2007)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

PALAVRIANDO

Já está no ar o site Palavriando (http://www.palavriando.com.br/).

Leiam, em particular, os seguintes textos :

- Poesia Social, reportagem de Gabriela Cuzzuol sobre a Cooperifa e o Rascunhos Poéticos
(link direto http://www.palavriando.com.br/?pg=noticia&id=10210)

- O significado das palavras, crônica de Gabriela Cuzzuol
(link direto http://www.palavriando.com.br/?pg=noticia&id=10211)

Nem preciso dizer de minha alegria, não é mesmo ?

Bjs e abçs
CS

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

AGENDA

Pessoal,

Hoje à noite (21:30) tem show do Ricardo Soares no Vila Teodoro (Rua Teodoro Sampaio, 1229, Pinheiros, São Paulo, SP). Quem for, não vai se arrepender.

E preparem-se : semana que vem tem dobradinha poética na sexta feira, dia 28 de Setembro, com o Sarau do Rascunhos Poéticos na Biblioteca Temática Alceu Amoroso Lima (Av Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo, SP - esquina com a Cardeal Arcoverde), às 19:30, e o Sopa de Letrinhas, no Vila Teodoro, às 21:00. O poeta homenageado deste Sopa de Setembro será, nada mais e nada menos, que Luiz Roberto Guedes.

Nos vemos em algum destes evetnos.

Abreijos,
CS

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

TÁ LENTO

Carlos Savasini

Talento lento tá
Não me agüento
Agüenta vai
Tá lento
Agüenta
Quanto alento
Talento
Agüenta
Tá ...
Que tá, talento
... lento
... tá.

(15/09/2007)

PRRRIIIMMM

Carlos Savasini

“Depois do sinal
Diga seu nome
E a cidade de onde está falando”
Alô !
RRRRRRR
Alô !
RRRRRRR
Quem tá falando ?
RRRRRRR
Quem ?
RRRRRRR
Alô !
RRRRRRR
Vai tomar no cu !
RRRRRRR
TUM – TUM – TUM -
- TUM -
- TUUUMMMMMMM

(15/09/2007)

SLIDE

Carlos Savasini

Lembranças positivas
Na tela que brilha
Projetando saudades
Memórias da vida
Passado sem volta
Emoldurado em negativos
Prisão de lembranças

(15/09/2007)

CONTRA PONTO

Carlos Savasini

O mundo sonoro muda e evolui
Do tambor ao áudio digital
Do som ao vivo ao gramofone
Do bolachão ao CD e DVD
Somente lamento dizer
Que meu ouvido é analógico
A fidelidade é som ao vivo
Mais vinil que MP3
Com todo respeito ao internetês

O mundo sonoro muda e evolui
Só falta ainda conquistar
Meus ouvidos muito mal acostumados
Ao som cristalino do cristal
E não do lavado som digital

(15/09/2007)

domingo, 16 de setembro de 2007

NADA BANAL

Carlos Savasini

Amanheceu um dia normal
Mais um como tantos na vida
Foi, fluiu, passou e refluiu
Trouxe-te para perto de mim feito ressaca
Feito mar e seus tesouros proibidos
Feito brilho que jamais se apaga dos olhos
Foi passado, passando, pisando e não
Não foi feito um dia qualquer
Anoiteceu um dia especial
Dormiu abraçado ao futuro
Ao presente de tê-la trazido
E tê-la deixado assim, todinha pra mim.

(14/09/2007)

FLECHA LANÇADA

Carlos Savasini

Nem por telefone ou e-mail
Carta ou celular
O melhor meio de se falar
É olho no olho e cara a cara
Sentindo o cheiro da palavra
Que sequer precisa ser dita
Nem sequer balbuciada.

(14/09/2007)

sábado, 15 de setembro de 2007

PESCA DE VARA

Carlos Savasini

Da sombra fez-se o caos
Fez-se dela, a esperança, podridão
Fez-se do plano o não sei, nem saberia
Fez-se cego o vôo sem visão
Fez-se pesca em alto mar sem sonda nem sonar
Fez-se o molusco que ofusca e fisga lula (lelé)
Filé que fala sempre sobre o que não sabe
Que rasteja pelo chão
E mente mais que pescador.

O sonho do pobre dura mesmo muito pouco
O do povo, então, melhor nem dizer nada.

(12/09/2007)

SERPENTÁRIO

Carlos Savasini

Deu novamente em pizza
Meia desgosto e meia decepção
Meia canalha e meia jeitinho
Fornalha congresso, covil de vaidades.

(12/09/2007)

SEM VERGONHA

Carlos Savasini

Ervas daninhas
Danem-se
Floresçam sem mim.

(12/09/2007)

MADAMENTO

Carlos Savasini

Há desejos que proíbem gente
Momentos em que a solidão reclama
Pede, desmanda e grita por silêncio
E não cala o que vem de dentro
Suspiro em meio à convulsão.

(12/09/2007)

DO CONTRA

Carlos Savasini

Parte-se e reparte-se
Uns que vão e outros que voltam
Fluxo fluido de gente e amigos
Gelo salgado e cerveja
Pão e café – SOU DO CONTRA
Partidário da carne e do contra-filé
Contra qualquer coisa que vele e coíba
Proíba que valha o encontro
Proíba que valha o encanto
Sou todo do contra ao que é contra a vida
Sou partidário até do prazer que mata
Simpático ao prazer
À morte – JAMAIS.

(09-12/09/2007)

MANTIQUEIRA

Carlos Savasini

Montanhas de seios
Muitos seios
Texturas vegetais
Pele em verde e véu
Vales.

Carne em terra
Serra em corpo
Veio em vermelho
Pulso viscoso
Magma.

Cursos fluidos d’água
Gotas de gozo
Jogo de encantos
Fogo em quedas e jorro
Regozijo.

(09/09/2007)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

ÚLTIMA CEIA

Carlos Savasini

Veludo vermelho, luzes, taboa de carvalho
Estrobo, globo e auto-falante
Assim será o meu caixão
Palco da última ceia
Em que sirvo meu corpo,
O prato principal.

(01/09/2007)

LODO

Carlos Savasini

Sem lastro, sem fundo,
Passado sem húmus
Que foi, foi, em lodo arenoso.

(01/09/2007)

TACAPE

Carlos Savasini

Será de pedra
Não uma pedra qualquer
Uma pedra polida
Pedra pontuda
Sisuda
Pedra de sangue
De lança
De aresta
Pedrada de pedra
De corpo
De ódio
Pedra minério bruto
Nunca uma pedra qualquer

(01/09/2007)

E ... PAPÉIS

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

Vozes se entrelaçam nas mãos ávidas
Que ásperas envolvem objetos na mesa
Tomando da vida o prazer da conversa
Brilhando papéis, palitos, brilhos e gotas
Nos gestos contidos onde cada um diz o que sente
Onde cada um diz o que pensa
E nesse pensar e nesse dizer cria-se amizade consistente
Cria-se história, lembrança e memória
Que serão lembradas em todos os tempos de nossas vidas
Que serão relicário de nós ao além.

(01/09/2007)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

SAUDAÇÃO

Carlos Savasini

Boas novas : chegou a primeira
Ao primeiro aniversário !
É pic, é verso, é pic, é poesia !

(30/08/2007)

AOS TRANCOS

Carlos Savasini

Cheguei a pouco, aos poucos
Fui ficando, agora
Quem ousa tirar-me daqui ?

(30/08/2007)

FRESCOR DE CINZA

Carlos Savasini

Lado a lado mito e mentes
Folhas mudas, versos frescos
Cria feita em meio a livros.

(30/08/2007)

ALCEU

Carlos Savasini

No templo armado em ferro e aço
Em pedra, cal, papel e lata
O rito é feito em voz e livros.

(30/08/2007)

TORRE DE BABEL

Carlos Savasini

Não há no mundo que bata
O acesso dela à cultura
De folhas, tinta e clausura
Carne de livros que traça.

(30/08/2007)

GOTEJAR

Carlos Savasini

Olhar em desejo e brilho
Derrama-se
Em letras, encontro e livros.

(30/08/2007)