quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Carlos Savasini

Há coisas que só aos boêmios pertencem
O silêncio da madrugada e o burburinho dos bares
As notas dos clubes de jazz e a naipe das luzes no céu
O gosto do trago certo e o ponto do acepipe correto
O gesto ao amigo garçom, o respeito ao boteco
O tempo em solidão e o momento de algazarra
O copo que é cálice, a hóstia porção e o brinde que é benção
Instante em que gente é gente seja lá qual for a seita.

Há coisas que só aos boêmios pertencem
O período laico do mundo
O brilho dos corpos, dos olhos, da mente
O período em que tudo é luz no breu
Em que todo encontro entre gente é permitido
Em que todo momento de solidão é opção
Em que até os deuses, que hão de haver, se sentam ao lado
Brindando conosco do gole dado aos santos.

Há coisas que só aos boêmios pertencem.

(20/09/2007)

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