sábado, 14 de agosto de 2010

TANGERINA (segunda versão)

Carlos Savasini

Todo dia acorda em flor
quer roxa ou blues em tanta cor
no morro a luz do alvorecer
em gosto e cheiro de laranja
perfuma o ar de seu café
e desce o morro em sono e pé.

O tombo e tranco a chacoalham
nos trilhos que a cingem e coalham
os trens que sentem seu perfume
de flor em cor alaranjada
cor de carne e curva incendeiam
pele e pessoas do morro (o seu morro)
na face da gente que vive a vida.

Todo dia acorda em flor
quer roxa ou blues em tanta cor.

O tranco, o trampo e a questão
o dia cobra sempre o seu quinhão
de flecha e alvo e meta, enfim
o corpo, a flor, o fruto certeiro
cobra sempre o louro em pencas
dando em troco a dúzia, ou meia.

Todo dia encara o mito e certa
sopra sempre a senha exata
todo dia acorda em flor
quer roxa ou blues em tanta cor
quer roxa ou banzo em tanto ardor
a cor dos pés é sempre a mesma.

Todo dia acorda em flor
quer roxa ou blues em tanta cor
quer roxa ou banzo em tanto ardor
a cor dos pés é sempre a mesma.

(17/01/2010)

PS : sei que já está musicada com melodia de Fabrício Siqueira, mas ainda não tive a honra de ouvir esta parceria musical.

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