domingo, 23 de agosto de 2009

CAIADA

Carlos Savasini

Da página caiada de nada
pureza indistinta e deslavada
ofusca o poeta mais que a luz do dia
e cega mais que a noite em lua nova.

Da página caiada de pureza
organdi de fibra e celulose,
há saudade de seiva e raiz.

Da página caiada que ofusca
mente apenas o sentido que não pulsa.

Da página caiada e cega
enxerga e nasce ao primeiro rabisco.

(28/03/2009)

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