sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

REFLEXÃO ACERCA DO VERSO

Carlos Savasini

Nenhum dia em vão,
que nada escape do alcance dos dedos
e nada escorra vazio pelo chão,
que tudo deixe os próprios rastros
nas mãos e na pele
nas folhas de papel,
que tudo vire versos monocromáticos
na cor de cada palavra tingida
na cor de cada som esculpido
na cor de cada poema entalhado.

Que nada se perca das mãos
toda estória, história, fala e conclusão
toda escória, glória, sentimento ou não
que tudo se transforme e transmute
e mereça seu novo formato
carapaça de versos, palavras
contorno de sons e de pés
conversa em que a fala e o ritmo
cantem por si o que foi
e valham assim o que há.

(01/01/2009)

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