domingo, 31 de agosto de 2008

SOBRE A ARCA E O ARCO-ÍRIS

Carlos Savasini

Se for para ser, que sê,
bebe na fonte e respira
almeja nada senão o cume nublado
o ápice audaz que roga destrezas.

Se for para ir, que vai,
rasga os percalços, sublima o desprezo,
busca o pote que esconde o segredo,
o longe que alcança quem faz por merecer.

Se for para ser, que vale,
merece os louros, as luzes, olhares,
sê antes de tudo o grão,
a borboleta que bate o furacão.

Se for para rir, que sê,
masca o pudor, morde o rancor,
sopra o correto e chuta a miragem,
todo presidente, embaixador e o raio que o parta.

Se for para ser, que sê
cisco na vista e colírio
tapa na cara e carinho,
essência, verdade, objeto e pão.

(24/08/2008)

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