Por Carlos Savasini, Fábio Santos, Luciana do Valle, Osvaldo Pastorelli, Rita, Rosangela Aliberti, Rosangela Oliveira, Samara Sieber e Tyta.
Há apenas o homem
mas que imenso esse ser – só – homem !
O coração escreve sobre linhas
confusas desenhadas no branco
sobre nossas imensas angústias.
Mas, tão sublime esse construir
castelos de palavras mágicas !
Nódoas de desenhar choro eclipsado
palavras sob a mesa
uma palavra perfumada
um sorriso torto de terra
letras prenhas se fundem
jorram nossa sobremesa
a salvação tem mil sabores
e descansa lúdica na esquina
solidão de pombas chutadas te chamam.
Aceito o chamado !
É a vida : aquilo que eu abortei,
aquilo que eu já morri,
aquilo que eu tenho vivido –
sangrado, sangrando –
aquilo que eu tento semear.
Palavras me salvam –
essas linhas me enforcam e depois –
ah, depois me ressuscitam :
linhas mágicas
cordas suspendem o nó
sufocam angústia, tontura, tormenta
mordem garganta, veias, jugular
o ar
que descobre caminhos impossíveis nas esquinas
sufoca o pulmão de sangue
o sangue de esperança
e a esperança de vida.
A vida que há nas sílabas
nas fibras dos edifícios
na carne da cidade
evoluindo em vidas
transmitindo amor
em cada sorriso, abraço
que dos amigos recebo
como ondas magnéticas
que transbordam sonoros sinais
no sentido da vida
quando há silêncio, evoco ao vento
toque-me, toque-me, sinta-me
veja-me e faça-me estremecer
até os confins do infinito para que
o inferno zodiacal revele através
de seus mistérios
todo ser – homem que te chama,
que sangra, na jugular
sangra como o trânsito de células
e de sonhos sem início, sem paradeiro,
é infinito esse perder-se no horizonte ...
onde está você ? Quando só a voz
se faz pouca, louca, rouca ...
mas, pelo menos, tenho a sua mão
me guiando para além deste nosso inferno.
Ah ! Inferno que me inspira
me engrandece
me enobrece :
me torna um deus
um deus – além –
um deus – nas entrelinhas –
um deus – nas linhas –
um deus – nas palavras –
um deus – sozinho –
um deus – tão humano.
Uma sombra no sorriso de deus me chama
chove gozos e sussurros
meu deus grego, meu Orpheu
que acorda-me de um sonho
tenebroso onde não tenho seu corpo
sou uma alma solta na cidade
sem um complemento ...
não tenho a sua carne enrijecida
penetrando a minha ...
busco murmúrios de prazer nos bares
da esquina ...
sozinha, à noite tocando meu corpo
procuro você.
Me engravido de um pernilongo que saracutica
longa noite sozinha, eterna – eu
nasce de mim um ser alado
ao lado o zum zum zuns de outra existência
sim, eu existo, tenho libido e me masturbo
afinal, sou alguém que vibra,
que emudece,
que entristece,
mas que está viva em cores
de neon metamorfoseante.
(31/05/2008)
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