sexta-feira, 14 de março de 2008

VIRÁ

Carlos Savasini

A saudade, alimento da vontade
que transborda nos poros do desejo
nos transporta aos pilares da verdade
e conspira na falta que não vejo.

O futuro, artesão do sem idade,
sedimenta o passado em azulejo
em paisagem que vive sem bondade,
o de fato é aquilo que eu almejo.

Ao que foi, ao já era, na lembrança
tudo fica do jeito que a criança
que já foi e que busca o que virá.

Ao passado, por tudo que passou
eu não guardo miçangas, pois eu dou
o meu sangue ao que vem, ao que virá.

(09/03/2008)

Um comentário:

FÁBIO SANTOS disse...

Carlos, já te admiro como pessoa, há muito tempo, e como poeta, desde sempre. Mas, como esse "Virá", você se mostra um poeta maior, não por usar uma forma metrificada, por lidar com uma forma fixa. Mas por consolidar aquilo que já vinha se mostrando na sua trajetória: você trabalha o sentimento de maneira sublime com a palavra, ou vice-versa. Parabéns!!!