Carlos Savasini
O passado bate à porta
Quase sem pedir licença
Toca, bate, esmurra
Fuça e esmiúça o fim do dia
Surra
Bate à porta e
Surra
Bate à porta e
Fuça
Força o buraco da fechadura
E olha
Busca a seqüência da história
Chafurda
Embosteia o que sobrou do rescaldo
Regurgita o lodo do vaso sanitário
Pulula
Escorre e baba e cospe e bate
O passado esmurra quente à porta
Sangra
Corta o corte já fechado
Busca
Saudade em pesadelo já sonhado
Saudade em pesadelo já vivido
Solta gosma escrota por debaixo da porta
Busca
Ver com olhos de Deus o que vem depois
Com olhos de cão o que não é seu.
O passado bate à porta
Cerrada ao que não é de bem.
(19/03/2006)
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