terça-feira, 25 de março de 2008

É FATO

Carlos Savasini

Se disser que não choca, choco,
pior que o contrário, silêncio,
de fato o que foi marcou e digo
que permaneço impressionado.

(21/03/2008)

PROGRAMA DE EXPORTAÇÃO

Carlos Savasini

Salve o país das maravilhas
das bundas carnudas
do passo dobrado,
repique :
teu carnaval faz sucesso por aqui
enfeitiça e ecoa de leste a oeste
trava o calendário de um ano inteiro :
tudo é fevereiro na terra do Rio de Janeiro.

(20/03/2008)

SOMENTE UMA DOSE

Carlos Savasini

Despeito ?
Talvez.
Da segunda vez rejeito.

(19/03/2008)

PICCOLO

Carlos Savasini

Sobre seres humanos
abismo e contraste
desfaz-se em sutileza e detalhes.

(18/03/2008)

FRESCO

Carlos Savasini

Poucos são os prazeres da carne,
muitos talheres, lençóis,
o sangue escorre somente uma vez.

(17/03/2008)

FOSCO

Carlos Savasini

Belas paragens
belas miragens :
o que resta do tempo é pó
da vida, lembranças,
da liberdade, grilhões.

(16/03/2008)

sexta-feira, 14 de março de 2008

A DOR DA ESPERA III

Carlos Savasini

A porta entreaberta
e a calçada vazia
não trazem você.

(10/03/2008)

CARENTE

Carlos Savasini

A certeza da falta de tempo
carece de tempo
para faltar e virar certeza.

(10/03/2008)

ETERNAMENTE EM CRISE

Carlos Savasini

Rasgado, embora vivo,
salgado, embora fértil,
amargo, embora doce.

Sigo assim em conflito
buscando a certeza de cada passo dado.

(10/03/2008)

VIRÁ

Carlos Savasini

A saudade, alimento da vontade
que transborda nos poros do desejo
nos transporta aos pilares da verdade
e conspira na falta que não vejo.

O futuro, artesão do sem idade,
sedimenta o passado em azulejo
em paisagem que vive sem bondade,
o de fato é aquilo que eu almejo.

Ao que foi, ao já era, na lembrança
tudo fica do jeito que a criança
que já foi e que busca o que virá.

Ao passado, por tudo que passou
eu não guardo miçangas, pois eu dou
o meu sangue ao que vem, ao que virá.

(09/03/2008)

CASO

Carlos Savasini

Ao poema do acaso
pode a palavra ser usada
sempre ao acaso ?

(09/03/2008)

DOBRADO

Carlos Savasini

O princípio sempre e dúbio
duplo no conflito em dobro
sopro de um no ouvido do outro
sombra que esconde e protege
ergue a coluna dobrada
curvada na base de dois
pois par é sempre mais que um,
que qualquer um.

O princípio sempre é dúbio
sim ou não
até que um prevaleça.

(08-09/03/2008)

quarta-feira, 12 de março de 2008

SENTA

Carlos Savasini

“Senta que lá vem a história !”
Que nóia !
Prefiro eu mesmo fazê-la.

(08/03/2008)

É NA CAMA

Carlos Savasini

Se quem casa quer casa,
quem ama quer cama
e nada mais.

(08/03/2008)

SINHÁ

Carlos Savasini

Sem bandeira e bandeirola
pipoca, sanfona e quentão
nosso amor pulou a fogueira
e sobrevive ao São João.

Nosso amor, assim, é tão bom
que a festa pára para ver-nos passar
dançando a marchinha, pra lá e pra cá,
donzela minha, sinhá, é bom demais te amar.

(08/03/2008)

FIADO

Carlos Savasini

Fiando, fiando e fiando
seus fios entremeando meu peito
fizeram dele tua nova morada.

(08/03/2008)

O SILÊNCIO

Carlos Savasini

Poetas, artistas e afins
quando não estiverem a fim
deixem meus ouvidos em paz.

(08/03/2008)

terça-feira, 11 de março de 2008

O AMOR

Carlos Savasini

Feito mel com gotas de limão
café com notas de açafrão
surpresa que deve ser provada.

(07/03/2008)

O POEMA

Carlos Savasini

Não tão forte, nem tão bruto
apenas certeiro
preciso feito o fim.

(07/03/2008)

segunda-feira, 10 de março de 2008

REBENTO

Carlos Savasini

I

ao rebento da noite
arrebenta o meu peito
o grito é difuso

II

na sombra do mundo
assombrado me deito
acordado e confuso

III

ao soar do badalo
assoando o catarro
o gemido vem fundo

IV

na sombra do passo
assombrado me vejo
escancarado e sujo

V

ao rebento do dia
arrebenta o meu corpo
no balsamo duro

VI

ao rebento da vida

(03/03/2008)

A QUEDA EM TRÊS ATOS

Carlos Savasini

I

O duro do edifício
é olha-lo debaixo
sem nunca ter se jogado.

II

O duro do edifício
é depois do suicídio
ainda olha-lo de baixo.

III

Seja grande o edifício,
o terraço, o paraíso,
o duro é vê-lo ainda vivo.

(03/03/2008)

POR NADA

Carlos Savasini

Coiotes e lobos
Serpentes e corvos
Coruja e caixão
.............Nada disto dá-me medo,
............somente o teu desprezo.

(03/03/2008)

NO CORPO

Carlos Savasini

nada nas mãos e nos dedos
nem unhas
somente uma marca e desejos

(03/03/2008)

NUANCES

Carlos Savasini

nada depois dos cabelos
seus medos
morreram nas pontas dos dedos

(03/03/2008)

sábado, 8 de março de 2008

CERTEZAS

Carlos Savasini

apenas um músculo
apenas
bomba que mata quando para

(02/03/2008)

SEGREDOS

Carlos Savasini

que não gosto mais de ti
mentira
: o amor tem suas cegueiras

(02/03/2008)

GAIA

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

O vinho do porto
desce redondo
na tarde doce
forte feito a fé
firme feito o fruto
fortuito feito o futuro
hoje e sempre
marcando o tempo
na taça que desce
suave na tarde
sublime no Porto.

(02/03/2008)

O TEMPO

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

O brinde circunda
mesa quadrada
estrelas
brilham nos olhos
vinho na tarde
rubi
gotas de sangue na taça
corpo molhado no copo
seco
refletindo amarelo sol
no tempo voraz
que não para
cala.

(02/03/2008)

quinta-feira, 6 de março de 2008

REBENTO

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

No brilho da noite
me encanto com o sorriso
estras de estrelas nos dentes
boca de amores dormentes
resplandece nos trilhos
onde a vida cultua a fome
distorce o ventre e os braços
o bom é ter carne e ter corpo
alimento ao prazer
nasce uma criança ao relento
sem brilho, estrela e destino
sem carne, encanto, acalento
dorme num filho
nas marquises dos sonhos.

(29/02/2008)

CARMIM

Por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli

no vermelho da mesa
discorrem vozes trafegando ruas
cheirando a gasolina e fogo de palavras
incêndio verbal de conceitos, idéias
teorias metafísicas transformando
a realidade em sonhos
e sonhos em realidade
concretude
a mesa de vermelho incendeia
fogueira de vozes e almas
sentimentos novelando
a trama do dia a dia
na taboa, na lenha, toalha
pano de vermelho e branco

(29/02/2008)

terça-feira, 4 de março de 2008

USA (e abusa)

Carlos Savasini

Já morreram todos os soldados
a língua das balas calou
as línguas que ficam, todas
falam somente à do arsenal
em inglês.

(01/03/2008)

A COISA DO NOME

Carlos Savasini

Tudo via e nada sentia
à cada coisa que lhe convinha
nome próprio, história e dicionário
às outras, estado de coisa.

(01/03/2008)

domingo, 2 de março de 2008

ALVORECER

Carlos Savasini

A intensidade da falta revela o desejo,
a dimensão da saudade expõe a grandeza passada,
o sonho
(resgate do tempo perdido)
ata o vazio ao punhal que mata
e cede ao corpo um despertar a mais.

(25/02/2008)

VAZIO

Carlos Savasini

tudo passa e nada
fica guardado em meu corpo –
somente a saudade e a falta

(25/02/2008)

MENTAL

Carlos Savasini

Se o hormônio não cuida
a vontade prevalece e manda
dita o futuro e as ordens
e a mente toma conta do corpo,
das rédeas, do mundo, desejo.
(O futuro sucumbe ao eu mesmo.)

(24/02/2008)

A FALTA QUE MATA

Carlos Savasini

Cheguem logo, amigos,
se a saudade não faz o trabalho
a fome se encarrega do ofício.

(24/02/2008)