quinta-feira, 9 de outubro de 2008

5 MINUTOS PARA QUALQUER COISA

Carlos Savasini

Cinco vozes, cinco temas, cinco dentes
cinco garras nos pés, cinco plumas nas asas
cinco palavras descasadas
cinco tentativas desperdiçadas
cinco horas que não chega
cinco porres que não derrubam
cinco doses
cinco gotas de vômito
cinco tripas que não viram
cinco patas que não me seguram
cinco garras que não me cravam
cinco dentes que não me bicam
cinco asas
cinco nada que não me elevam
cinco horas que não chega
cinco goles
cinco porres
cinco gotas
cinco ciscos que não me levam além
cinco minutos de nada e silêncio e nenhum.

(06/09/2008)

INEFÁVEL

Carlos Savasini

Na busca da palavra impossível
vive o verbete inexistente
a página rasgada, o dicionário ausente
as letras que voam aquém
as notas que sorvem alguém
os poemas perdidos
a verve escondida
e a rima que não vem.

A palavra indizível
eclode
sem dizer a que veio.

(06/09/2008)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

desculpas ...

... pela desatualização do blog !
Não por falta de escrita, mas por falta de digitação, mesmo.
Semana que vem as coisas devem estar mais tranqüilas (ainda com trema) e devo colocar as postagems em ordem.
Abçs
Cs

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

AL CAPONE

Carlos Savasini

Conte as argolas que conto quem és
latas vazias não param de pé
o bucho vazio não deixa pensar
o coco bem louco reflete melhor
o sóbrio não vê o que o ébrio é capaz
palavras molhadas de whisky Al Capone
um louco bem louco propõe a caçada às bruxas
neurônio encharcado de Velho Barreiro
o puro jamais macula papéis
escafandro repleto de vodka Alcatraz
e filhos da puta que não me deixam beber
HIC
abaixo à lei seca !

(30/08/2008)

MADONA

Carlos Savasini

Leio-te em braile assim
página por página, letra por letra
curva por curva, pele por pele
camada por camada e me perco
quando leio em teus pelos
segredos profanos.

(30/08/2008)

SERIA ?

Carlos Savasini

Fosse a pele, o que seria ?
O nervo impuro, a ossatura,
o calo, a cútis, a carne esponjosa
o pelo encravado, a unha disforme,
a língua sedenta
o cravo
e a fome.

Fosse a roupa, o que seria ?
O corpo disforme, a carne suja,
o rombo, a veia, o sangue escuro
a pele rasgada, o peito marcado
a boca da mente
o dente
e a fome.

Fosse a lixa, o que seria ?
O sonho roubado, o pesadelo acordado,
a febre, o estorvo, o desejo escondido
o pé calejado, a mão encardida
o nó desatado
o laço
e a fome.

Fosse a vida, o que seria ?

(30/08/2008)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

HAY QUE SER

Carlos Savasini

Dicen que hay un océano
dicen que hay un caldero de sal
dicen que hay un mundo de azul
de añil inerte y sin vida
pero digo que soy el profundo
que soy las torturas de la miente
que soy las figuras que alcanzan
más del abismal que del añil
más del profundo que de la cáscara
este soy yo.

(30/08/2008)

BOCA LOUCA

Carlos Savasini

Cala-te boca maldosa
todas as coisas que falas
tombam na poça lodosa
marcas em breve tão caras.

Pensa na teia que marca
mosca no enrosco da língua
ranho no cuspe da farsa
morte nas pernas da íngua.

Cala-te boca maldosa
toda de brilho, vistosa
toda de bosta marcada.

Rasga daqui mal-cheirosa
peste biscate e lodosa
raspa no tacho entalada.

(28/08/2008)

SOUVENIR

Carlos Savasini

Angústia, aguardos
esperas comuns
desejos
e cartas marcadas
migalhas iguais
miçangas
búzios marcados
dados
de lados iguais
agruras, angústias
miçangas
soldos iguais
desejos
e cartas marcadas
migalhas
dias comuns
e dados iguais
miçangas
saldos iguais
de vida
e migalhas
angústias, agruras
dias iguais
desejos
búzios marcados
cartas comuns
e dados
esperas iguais
aguardos
miçangas comuns
e todos desejos
iguais
iguais
iguais.

(28/08/2008)

FÊNIX URBANA

Carlos Savasini

Toda segunda tenho o mesmo desejo :
o de morrer até o fim do dia
e só não dou conta disto com as mãos
pelo trabalho que não quero ter.

Amanhã renasço das cinzas.

(25/08/2008)