Carlos Savasini
pasmos
pés descalços no asfalto
espasmos
mãos descuidadas no orvalho
falsos
dentes dormentes no espaço
calmos
fósseis pingando de azul
manchas de mata borrão
nanquim na cor deste verso
e jamais
teu poema esquecido no espasmo
......................................no espaço
......................................no orvalho
(31/07/2008)
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
MARATONA
Carlos Savasini
Nem mais um minuto sem você
nem mais um instante sonso e só
corro atrás da hora da chegada
corro atrás do trem a jato, embalo
corro atrás de ti sem alça e mala
corro atrás de ti sem tino e fala
corro e corro e corro e corro e corro
corro atrás de ti, mulher amada
corro e chego agora, enfim, aqui.
(28/07/2008)
Nem mais um minuto sem você
nem mais um instante sonso e só
corro atrás da hora da chegada
corro atrás do trem a jato, embalo
corro atrás de ti sem alça e mala
corro atrás de ti sem tino e fala
corro e corro e corro e corro e corro
corro atrás de ti, mulher amada
corro e chego agora, enfim, aqui.
(28/07/2008)
PRECE
Carlos Savasini
Por línguas, culturas e povos
além do que alcança o tambor
a dor é a mesma na busca
na cria e desenho de um deus.
A fé e o mistério concebem
narciso espelhado no céu
herói de HQ poderoso
de voz e contornos humanos.
Na dor, no vazio e na busca
nas carnes humanas tão fracas
no medo e na face da morte
surgiu um alento dos céus.
Por certo o que é certo é aqui
por certo o que é fato acontece
que deus, se ele houver, que me escute
e deixe que o homem se acerte.
(28/07/2008)
Por línguas, culturas e povos
além do que alcança o tambor
a dor é a mesma na busca
na cria e desenho de um deus.
A fé e o mistério concebem
narciso espelhado no céu
herói de HQ poderoso
de voz e contornos humanos.
Na dor, no vazio e na busca
nas carnes humanas tão fracas
no medo e na face da morte
surgiu um alento dos céus.
Por certo o que é certo é aqui
por certo o que é fato acontece
que deus, se ele houver, que me escute
e deixe que o homem se acerte.
(28/07/2008)
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
MANEQUIM
Carlos Savasini
I
não me visto na camisa da poesia
sequer ela me veste
não paga minhas contas
nem dá-me pão sem manteiga sequer
não me visto na camisa dos outros
sequer eles me vestem
mas pagam minhas contas
e não o sagrado (impagável) que não me veste
não visto nada que não me convença
que não me contenha
que não me liberte
que não me queira bem
visto apenas o que creio
o que se amolda
o que liberta
o que é do bem
II
visto-a somente
de plumas e cinzas
(27/07/2008)
I
não me visto na camisa da poesia
sequer ela me veste
não paga minhas contas
nem dá-me pão sem manteiga sequer
não me visto na camisa dos outros
sequer eles me vestem
mas pagam minhas contas
e não o sagrado (impagável) que não me veste
não visto nada que não me convença
que não me contenha
que não me liberte
que não me queira bem
visto apenas o que creio
o que se amolda
o que liberta
o que é do bem
II
visto-a somente
de plumas e cinzas
(27/07/2008)
domingo, 3 de agosto de 2008
SULCOS
Carlos Savasini
Jamais é demais o desejo
a unha que arrepia a pele
agulha que acaricia os sulcos
o frisson dos seus ouvidos
do cone ao martelo, o sussurro
agudos e sub-graves no corpo
nas coxas
nas ancas
nas dobras
nas capas jogadas no chão
de papelão e vinil
dois corpos largados
e jamais, nunca mais
um corpo sem garras
um disco sem unhas
e desejo sem som.
(26/07/2008)
Jamais é demais o desejo
a unha que arrepia a pele
agulha que acaricia os sulcos
o frisson dos seus ouvidos
do cone ao martelo, o sussurro
agudos e sub-graves no corpo
nas coxas
nas ancas
nas dobras
nas capas jogadas no chão
de papelão e vinil
dois corpos largados
e jamais, nunca mais
um corpo sem garras
um disco sem unhas
e desejo sem som.
(26/07/2008)
A QUEDA
Carlos Savasini
após o pós-guerra
pólos congelados
em curto-circuito
fechado
caribe murado
a leste do mundo
cortina de ferro
indelével
o pólo apagado
o gigante dorme
o mito do oposto
falece
qual a lança que agora fere ?
qual martelo ceifa o céu ?
qual águia segue só
pólo do pós-guerra
pólo incompleto
sem oposto
balança
e cai
(26/07/2008)
após o pós-guerra
pólos congelados
em curto-circuito
fechado
caribe murado
a leste do mundo
cortina de ferro
indelével
o pólo apagado
o gigante dorme
o mito do oposto
falece
qual a lança que agora fere ?
qual martelo ceifa o céu ?
qual águia segue só
pólo do pós-guerra
pólo incompleto
sem oposto
balança
e cai
(26/07/2008)
DESTRONADA
Carlos Savasini
Jaz a certeza ao longe, pequena e fria
arrasada e arrastada feita um meliante
sem cova, sem nome, sem pétalas de rosas
na alcova incerta de uma vala comum.
E segue feliz o inexato, a dúvida e o depois de amanhã.
(26/07/2008)
Jaz a certeza ao longe, pequena e fria
arrasada e arrastada feita um meliante
sem cova, sem nome, sem pétalas de rosas
na alcova incerta de uma vala comum.
E segue feliz o inexato, a dúvida e o depois de amanhã.
(26/07/2008)
CATACUMBA
Carlos Savasini
Entre Nagasaki e Hiroshima
o meu coração
implode.
Ogiva de querer.
(21/07/2008)
Entre Nagasaki e Hiroshima
o meu coração
implode.
Ogiva de querer.
(21/07/2008)
CAI, CAI BALÃO
Carlos Savasini
Desejo momentâneo
frustração instantânea
pensamento
e bolhas de sabão.
(21/07/2008)
Desejo momentâneo
frustração instantânea
pensamento
e bolhas de sabão.
(21/07/2008)
SINAL FECHADO
Carlos Savasini
Placas mudas nas ruas
mais limitam e proíbem minha busca
não levam meus passos aos teus
meus caminhos aos teus
: cruzamento inexistente.
(21/07/2008)
Placas mudas nas ruas
mais limitam e proíbem minha busca
não levam meus passos aos teus
meus caminhos aos teus
: cruzamento inexistente.
(21/07/2008)
Assinar:
Postagens (Atom)