domingo, 13 de julho de 2008

FEIÇÃO

Carlos Savasini

Feito o conto de fadas
leve, lustrosa e faceira
feito a fada de contas
linda, gasosa e pontual
feito o canto das sereias
febre, medusa e gestual
feito a sereia do canto
cela, prisão e eco
feito a queda, feito a máscara, feito espelho
feito o conto de fadas
feito o canto das sereias
feito o fato :
a solidão é verdadeira
e dói.

(21/06/2008)

PARADOXO

Carlos Savasini

Silêncio analfabeto
se uma voz me falasse
diria o que ?
Apenas que eu me vá
neste monte de letras
mudas.

(20/06/2008)

A BUSCA

Carlos Savasini

E o musico calou
as mesas seguem num só nem aí
no tom da lorota que segue
em conversas a beira mar
em histórias de além mar
subindo a serra do além.

E o musico calou
cansou do que vai sem ó nem dó
pois coloque a vida no saco e segue
persegue o seu dom por ouvidos
que ouvem além do mar
que querem mais que o beira mar
e busquem de fato o além.

(20/06/2008)

A PAGA

Carlos Savasini

Recuso o convite calado
o recado está dado :
mudez com mudez se paga.

(20/06/2008)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

E TUDO É DESERTO

Carlos Savasini

Seara, Saara
o deserto a galope
cavalga robusto
em cascos bem fortes

Seara, Saara
o caminho deserto
ilude um oásis
plantando miragens.

Seara, Saara
o ego a caminho
errando sozinho
na busca do acaso.

Seara, Saara
o caminho deserto
ilude os passantes
milhares de errantes.

Seara, Saara
o deserto a galope
te cala, te enlaça
o certame é certeiro.

Seara, Saara
o caminho deserto
ilude e promete
a flor da estação.

Seara, Saara
do ego de um só
te envolve, te engole
o caminho é deserto.

Seara, Saara
teu rumo é só pó.

(19/06/2008)

NOVAS

Carlos Savasini

Não há mais providências
o morro já tem seu governo
e não é o mesmo que o seu.

(18/06/2008)

TRAVADO

Carlos Savasini

Ficaste
estrela aberta em negro e fel
em nada feito a luz ausente.

Ficaste
floreira murcha em cinza e cal
em tudo feito a flor ausente.

Ficaste
caneta seca em fleuma e fúria
em nada feito o verso ausente.

Ficaste
poema certo em grito e dor
em todo feito a verve ausente.

Ficaste, sempre
ausente,
agora do passado.
– congela-te em qualquer conjugação.

(18/06/2008)

NO PRELO

Carlos Savasini

O teu poema está escrito
todos os tons dispostos dos ombros
aos veios reumáticos dos dedos dos pés
na dança do corpo que açula teu baile.

O teu poema está vestido
todos os tipos que marcam a pele
aos berros rasgados do fluido viscoso
na cor do caldo que tinge o que falas.

O teu poema está transcrito
todos os poros figuram translúcidos
aos poços que ousam leitura na pele
no braile que impele entendimento profundo.

O teu poema está escrito
todos os trilhos cravados ao tempo
aos poucos marcados nas curvas
nas baias precisas das linhas que és.

(17/06/2008)

BIS

Carlos Savasini

Alguns sabores conquistam antes
outros depois
repeteco ausente.

(10/06/2008)

domingo, 29 de junho de 2008

PORTA DESEJO

Carlos Savasini

Vida transportada em vida
ventre transportado em pernas
feto alimentado em corpo
espera de um infante feliz
desejo transportado sempre.

(07/06/2008)