Carlos Savasini
Vida transportada em vida
ventre transportado em pernas
feto alimentado em corpo
espera de um infante feliz
desejo transportado sempre.
(07/06/2008)
domingo, 29 de junho de 2008
DECIFRA-ME
Carlos Savasini
não me finja, finjo
não me esculpi, culpo
não me iluda, iludo
não me questione, esfinge
não me devore, mordo
não devolva, vomito
não me desculpe, cuspo
não me ilumine, iludo
não me questione
jamais
(07/06/2008)
não me finja, finjo
não me esculpi, culpo
não me iluda, iludo
não me questione, esfinge
não me devore, mordo
não devolva, vomito
não me desculpe, cuspo
não me ilumine, iludo
não me questione
jamais
(07/06/2008)
PAUSA
Carlos Savasini
Que o mundo descanse de mim
dê-me trégua de pensá-lo todo dia
dê-me trégua de pensá-lo imenso, imundo, indestrutível
dê-me trégua de pensá-lo indefeso, insosso, irreparável.
Que o mundo descanse de mim
e torne-se grão de nostalgia
e torne-se grão de pedreira, de pedra, pedregulho
e torne-se grão de piedade, pureza, predição.
Torna-te gota de fogo, de fato, fascínio
torna-te gota de gozo, de falo, felação
torna-te gota de vida
e dá-me paz de tê-lo em mim
e dá-me paz de vê-lo estável, esterco, esperança
e dá-me paz de sê-lo breve, brusco, benevolente.
Que o mundo descanse de mim.
(07/06/2008)
Que o mundo descanse de mim
dê-me trégua de pensá-lo todo dia
dê-me trégua de pensá-lo imenso, imundo, indestrutível
dê-me trégua de pensá-lo indefeso, insosso, irreparável.
Que o mundo descanse de mim
e torne-se grão de nostalgia
e torne-se grão de pedreira, de pedra, pedregulho
e torne-se grão de piedade, pureza, predição.
Torna-te gota de fogo, de fato, fascínio
torna-te gota de gozo, de falo, felação
torna-te gota de vida
e dá-me paz de tê-lo em mim
e dá-me paz de vê-lo estável, esterco, esperança
e dá-me paz de sê-lo breve, brusco, benevolente.
Que o mundo descanse de mim.
(07/06/2008)
ESPERA
Carlos Savasini
Promessas vãs não valem
aguardo-vos todos em casa
na mesa dos amigos todos
verdadeiros e bons.
(04/06/2008)
Promessas vãs não valem
aguardo-vos todos em casa
na mesa dos amigos todos
verdadeiros e bons.
(04/06/2008)
CEGUEIRA
Carlos Savasini
Corpos se amam na TV.
Por solidão ou compulsão ou algo
olhares olham corpos que se amam
por solidão ou compulsão ou algo
olhares feitos os meus, os dele, os outros
olhares feito os dela, os seus e todos
olhares de corpos que não se cruzam
nem por solidão, por compulsão ou nada.
Olhares olham a TV
de corpos que se amam
cegos feitos eu e você
por solidão.
(04/06/2008)
Corpos se amam na TV.
Por solidão ou compulsão ou algo
olhares olham corpos que se amam
por solidão ou compulsão ou algo
olhares feitos os meus, os dele, os outros
olhares feito os dela, os seus e todos
olhares de corpos que não se cruzam
nem por solidão, por compulsão ou nada.
Olhares olham a TV
de corpos que se amam
cegos feitos eu e você
por solidão.
(04/06/2008)
NEON
Por Carlos Savasini, Fábio Santos, Luciana do Valle, Osvaldo Pastorelli, Rita, Rosangela Aliberti, Rosangela Oliveira, Samara Sieber e Tyta.
Há apenas o homem
mas que imenso esse ser – só – homem !
O coração escreve sobre linhas
confusas desenhadas no branco
sobre nossas imensas angústias.
Mas, tão sublime esse construir
castelos de palavras mágicas !
Nódoas de desenhar choro eclipsado
palavras sob a mesa
uma palavra perfumada
um sorriso torto de terra
letras prenhas se fundem
jorram nossa sobremesa
a salvação tem mil sabores
e descansa lúdica na esquina
solidão de pombas chutadas te chamam.
Aceito o chamado !
É a vida : aquilo que eu abortei,
aquilo que eu já morri,
aquilo que eu tenho vivido –
sangrado, sangrando –
aquilo que eu tento semear.
Palavras me salvam –
essas linhas me enforcam e depois –
ah, depois me ressuscitam :
linhas mágicas
cordas suspendem o nó
sufocam angústia, tontura, tormenta
mordem garganta, veias, jugular
o ar
que descobre caminhos impossíveis nas esquinas
sufoca o pulmão de sangue
o sangue de esperança
e a esperança de vida.
A vida que há nas sílabas
nas fibras dos edifícios
na carne da cidade
evoluindo em vidas
transmitindo amor
em cada sorriso, abraço
que dos amigos recebo
como ondas magnéticas
que transbordam sonoros sinais
no sentido da vida
quando há silêncio, evoco ao vento
toque-me, toque-me, sinta-me
veja-me e faça-me estremecer
até os confins do infinito para que
o inferno zodiacal revele através
de seus mistérios
todo ser – homem que te chama,
que sangra, na jugular
sangra como o trânsito de células
e de sonhos sem início, sem paradeiro,
é infinito esse perder-se no horizonte ...
onde está você ? Quando só a voz
se faz pouca, louca, rouca ...
mas, pelo menos, tenho a sua mão
me guiando para além deste nosso inferno.
Ah ! Inferno que me inspira
me engrandece
me enobrece :
me torna um deus
um deus – além –
um deus – nas entrelinhas –
um deus – nas linhas –
um deus – nas palavras –
um deus – sozinho –
um deus – tão humano.
Uma sombra no sorriso de deus me chama
chove gozos e sussurros
meu deus grego, meu Orpheu
que acorda-me de um sonho
tenebroso onde não tenho seu corpo
sou uma alma solta na cidade
sem um complemento ...
não tenho a sua carne enrijecida
penetrando a minha ...
busco murmúrios de prazer nos bares
da esquina ...
sozinha, à noite tocando meu corpo
procuro você.
Me engravido de um pernilongo que saracutica
longa noite sozinha, eterna – eu
nasce de mim um ser alado
ao lado o zum zum zuns de outra existência
sim, eu existo, tenho libido e me masturbo
afinal, sou alguém que vibra,
que emudece,
que entristece,
mas que está viva em cores
de neon metamorfoseante.
(31/05/2008)
Há apenas o homem
mas que imenso esse ser – só – homem !
O coração escreve sobre linhas
confusas desenhadas no branco
sobre nossas imensas angústias.
Mas, tão sublime esse construir
castelos de palavras mágicas !
Nódoas de desenhar choro eclipsado
palavras sob a mesa
uma palavra perfumada
um sorriso torto de terra
letras prenhas se fundem
jorram nossa sobremesa
a salvação tem mil sabores
e descansa lúdica na esquina
solidão de pombas chutadas te chamam.
Aceito o chamado !
É a vida : aquilo que eu abortei,
aquilo que eu já morri,
aquilo que eu tenho vivido –
sangrado, sangrando –
aquilo que eu tento semear.
Palavras me salvam –
essas linhas me enforcam e depois –
ah, depois me ressuscitam :
linhas mágicas
cordas suspendem o nó
sufocam angústia, tontura, tormenta
mordem garganta, veias, jugular
o ar
que descobre caminhos impossíveis nas esquinas
sufoca o pulmão de sangue
o sangue de esperança
e a esperança de vida.
A vida que há nas sílabas
nas fibras dos edifícios
na carne da cidade
evoluindo em vidas
transmitindo amor
em cada sorriso, abraço
que dos amigos recebo
como ondas magnéticas
que transbordam sonoros sinais
no sentido da vida
quando há silêncio, evoco ao vento
toque-me, toque-me, sinta-me
veja-me e faça-me estremecer
até os confins do infinito para que
o inferno zodiacal revele através
de seus mistérios
todo ser – homem que te chama,
que sangra, na jugular
sangra como o trânsito de células
e de sonhos sem início, sem paradeiro,
é infinito esse perder-se no horizonte ...
onde está você ? Quando só a voz
se faz pouca, louca, rouca ...
mas, pelo menos, tenho a sua mão
me guiando para além deste nosso inferno.
Ah ! Inferno que me inspira
me engrandece
me enobrece :
me torna um deus
um deus – além –
um deus – nas entrelinhas –
um deus – nas linhas –
um deus – nas palavras –
um deus – sozinho –
um deus – tão humano.
Uma sombra no sorriso de deus me chama
chove gozos e sussurros
meu deus grego, meu Orpheu
que acorda-me de um sonho
tenebroso onde não tenho seu corpo
sou uma alma solta na cidade
sem um complemento ...
não tenho a sua carne enrijecida
penetrando a minha ...
busco murmúrios de prazer nos bares
da esquina ...
sozinha, à noite tocando meu corpo
procuro você.
Me engravido de um pernilongo que saracutica
longa noite sozinha, eterna – eu
nasce de mim um ser alado
ao lado o zum zum zuns de outra existência
sim, eu existo, tenho libido e me masturbo
afinal, sou alguém que vibra,
que emudece,
que entristece,
mas que está viva em cores
de neon metamorfoseante.
(31/05/2008)
GRAÇA
Por Carlos Savasini, Fábio Santos, Osvaldo Pastorelli, Rita, Rosane Gaspar, Rosangela Aliberti e Samara Sieber.
Celebro a vida, este ritual
de trafegar astros e pedras
e, entanto, tingir com a íris
dos olhos o vento e o cristal.
Celebro o estar – aqui, o sonhar
de viver intensamente e presença
e estando com as cores da vida
brindar com amigos, queridos, parceiros.
Celebro alegria e passagem
entre nuvens e luzes
e sorrisos e belezas
nas ondas de amor.
Celebro cada percepção
sentida, banida, lembrada
celebro o agridoce no coração
a espera – o futuro recriando asas.
Celebro você, meu amigo, a sua intensidade
sua consistência e acima de tudo
seu talento !
(meus versos estão mortos ...
mas eu vou aprender a celebrar a vida ...
embora tão bem conheça a morte)
Somos todos poetas
somos tanto
somos muito
exagerados, veias abertas
corações desatados, flores de espinho à pele.
Amamos.
Pulsamos.
Ventamos.
Rasgamos.
Somos poetas.
Somos rascunheiros.
E graças a quem ?
Graças ao Carlos Savasini.
(31/05/2008)
Celebro a vida, este ritual
de trafegar astros e pedras
e, entanto, tingir com a íris
dos olhos o vento e o cristal.
Celebro o estar – aqui, o sonhar
de viver intensamente e presença
e estando com as cores da vida
brindar com amigos, queridos, parceiros.
Celebro alegria e passagem
entre nuvens e luzes
e sorrisos e belezas
nas ondas de amor.
Celebro cada percepção
sentida, banida, lembrada
celebro o agridoce no coração
a espera – o futuro recriando asas.
Celebro você, meu amigo, a sua intensidade
sua consistência e acima de tudo
seu talento !
(meus versos estão mortos ...
mas eu vou aprender a celebrar a vida ...
embora tão bem conheça a morte)
Somos todos poetas
somos tanto
somos muito
exagerados, veias abertas
corações desatados, flores de espinho à pele.
Amamos.
Pulsamos.
Ventamos.
Rasgamos.
Somos poetas.
Somos rascunheiros.
E graças a quem ?
Graças ao Carlos Savasini.
(31/05/2008)
domingo, 8 de junho de 2008
RECICLAGEM
Carlos Savasini
não mais carpinteiro
não mais estivadores
não mais lavadoras
não mais meretrizes
o mundo recicla
revolve a terra
e aduba histórias
mantendo as raízes
hoje pedreiros
motoristas
diaristas
e prostitutas
(31/05/2008)
não mais carpinteiro
não mais estivadores
não mais lavadoras
não mais meretrizes
o mundo recicla
revolve a terra
e aduba histórias
mantendo as raízes
hoje pedreiros
motoristas
diaristas
e prostitutas
(31/05/2008)
MAREADO
Carlos Savasini
pupilas latentes
maré de teu corpo
de cores improváveis
e tentação doce
a verdade – escrachada – pede
fumaça do corpo distante
(31/05/2008)
pupilas latentes
maré de teu corpo
de cores improváveis
e tentação doce
a verdade – escrachada – pede
fumaça do corpo distante
(31/05/2008)
TANTO E TÃO BOM
Carlos Savasini
A surpresa supera
em emoção e marcas
a previsão ferrenha.
Esperava
nem tanto e jamais tão pouco
chorei.
As marcas ficam
o desejo instaura
espera de novas surpresas
tão boas.
(02/06/2008)
A surpresa supera
em emoção e marcas
a previsão ferrenha.
Esperava
nem tanto e jamais tão pouco
chorei.
As marcas ficam
o desejo instaura
espera de novas surpresas
tão boas.
(02/06/2008)
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