Carlos Savasini
“Artífice do caos
de quem é a mão
que me rascunha ?”
Fabio Santos
A mão que me rascunha enforca
rabisca o corpo em traços tortos
conduz a mente em tempo insone
e rasga o verso em pés disformes.
A mão que me atormenta entorta
o traço do carvão que borra
induz à falta, ao medo, à culpa
e traz ao verso toda angústia.
A mão que me devora instiga
provoca tontura e tormenta
produz o clandestino verbo
e masca o verso com desprezo.
A mão que me rascunha mata
prediz o que será de mim
conduz o tempo, a obra, o fim
e faz do verso alguma fala.
(04/05/2008)
domingo, 18 de maio de 2008
DILEMA
Carlos Savasini
Uns com vontade de ir
e eu de nunca ter vindo.
Às vezes é melhor sumir.
(05/05/2008)
Uns com vontade de ir
e eu de nunca ter vindo.
Às vezes é melhor sumir.
(05/05/2008)
É CLARO, CLARÍSSIMO
Carlos Savasini
Fosse fácil não seria tão difícil,
é óbvio !
Só não a solução.
(05/05/2008)
Fosse fácil não seria tão difícil,
é óbvio !
Só não a solução.
(05/05/2008)
PONTO
Carlos Savasini
Quem sabe um dia acerte a mão
e faça do ponto final
eterna exclamação.
(04/05/2008)
Quem sabe um dia acerte a mão
e faça do ponto final
eterna exclamação.
(04/05/2008)
PARA NOSSAS CRIANÇAS
Carlos Savasini
Nos pés descalços do asfalto
o tênis marca de furto
a cola cheira sapatos
a boca come maconha
o corpo iletrado dorme
forrado em folhas e letras
barriga d’água tem fome
vazia de arroz e feijão
tempero fixo de morte
o fim que cuide do resto.
(04/05/2008)
Nos pés descalços do asfalto
o tênis marca de furto
a cola cheira sapatos
a boca come maconha
o corpo iletrado dorme
forrado em folhas e letras
barriga d’água tem fome
vazia de arroz e feijão
tempero fixo de morte
o fim que cuide do resto.
(04/05/2008)
domingo, 4 de maio de 2008
(Des)caso
Carlos Savasini
À meia luz esqueço o passo
caço o descaso e tiro um sarro
paro, coço a cabeça e falo :
dane-se o maldito descaso !
(03/05/2008)
À meia luz esqueço o passo
caço o descaso e tiro um sarro
paro, coço a cabeça e falo :
dane-se o maldito descaso !
(03/05/2008)
CROMATISMO
Carlos Savasini
Só por um motivo as flores brotam
brancas, roxas, vermelhas, amarelas e rosas
e nós sequer nos lembramos porque.
(03/05/2008)
Só por um motivo as flores brotam
brancas, roxas, vermelhas, amarelas e rosas
e nós sequer nos lembramos porque.
(03/05/2008)
NA MESA
Carlos Savasini
sobre a mesa, desertos
acéticos
falsos poemas nascem
céticos
brilham pequenas luzes
acéfalas
cospem verdades pudicas
impuras
cosem pó com areia
sereias
frágeis feito cristal
acéticos
sobre a mesa, desertos.
(03/05/2008)
sobre a mesa, desertos
acéticos
falsos poemas nascem
céticos
brilham pequenas luzes
acéfalas
cospem verdades pudicas
impuras
cosem pó com areia
sereias
frágeis feito cristal
acéticos
sobre a mesa, desertos.
(03/05/2008)
sábado, 3 de maio de 2008
O NADA
Carlos Savasini
cego feito o dia cinzento
turvo feito a chuva cadente
olhar em busca de horizonte
e nada
o céu fechado pra balanço
o riso encostado num canto
o disco pulando no solo
e nada
gotas e pingos no ouvido
cinzas e gris na visão
chuvas e poças na vida
e nada
nada que diz aonde ir
que diz o que buscar
que diz o que fazer
além do nada
(02/05/2008)
cego feito o dia cinzento
turvo feito a chuva cadente
olhar em busca de horizonte
e nada
o céu fechado pra balanço
o riso encostado num canto
o disco pulando no solo
e nada
gotas e pingos no ouvido
cinzas e gris na visão
chuvas e poças na vida
e nada
nada que diz aonde ir
que diz o que buscar
que diz o que fazer
além do nada
(02/05/2008)
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A NAU DO MAR SALGADO
Carlos Savasini
O mar é para poucos
azul, perigo, imensidão.
A nau é para poucos
casco, deriva e solidão.
O sal é para poucos
preciso, forte e corrosão.
O certo é para poucos
verdade, fato e retidão.
O mar, a nau, o sal
azul, deriva e corrosão
figuras vivas da verdade
de poucos, de loucos e só.
(28/04/2008)
O mar é para poucos
azul, perigo, imensidão.
A nau é para poucos
casco, deriva e solidão.
O sal é para poucos
preciso, forte e corrosão.
O certo é para poucos
verdade, fato e retidão.
O mar, a nau, o sal
azul, deriva e corrosão
figuras vivas da verdade
de poucos, de loucos e só.
(28/04/2008)
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