terça-feira, 29 de abril de 2008

MORTE NO FRONT

Carlos Savasini

Arte
Marte e guerra nas trincheiras
Face
Trace as guelras de Vespúcio e Camões
Cace
Cate a gonorréia da verdade e caminha
Mate
Rasgue o gozo da língua e babe
Feche
Largue o que foi e que há de vir
Mate
E morra gostoso naquilo que crê
Na guerra
Dês-arte, desastre e morte no front da luta
No luto
Apenas seu

(25/04/2008)

BRIGA DE GALO

Carlos Savasini

cala
se lasca
e sozinha
na rinha
morra

(25/04/2008)

PARA TI

Carlos Savasini

A certeza te assola
e por certo nos frustra
em teu ser de arrogância.

(25/04/2008)

ANTES SÓ

Carlos Savasini

Antes assim, em silêncio
pleno e repleto de mim
ereto e seguro, mudo
certo que o mal é teu nome.

(25/04/2008)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

(A)temporal

Carlos Savasini

Não que o sucesso incomode
luzes e nódoas completam
jogos de claro e escuro.

(22/04/2008)

O TEMPO E AS HORAS

Carlos Savasini

Não é pelo tempo de sonho
mas sim pelas horas que acordam
que o sono persiste presente.

(22/04/2008)

RAIAR

Carlos Savasini

Bom dia, querida
o sol raiou em teus olhos
e acordou-me feliz.

(21/04/2008)

domingo, 27 de abril de 2008

LUTO

Carlos Savasini

Àquele que não veio

Faltam teus passos pela casa
e sempre faltarão
teu choro escondido na cama
teu riso incontido na sala
todas as manhas, as birras, as pequenas trapaças
todos os mínimos gestos que copias sem saber que foram nossos.

Faltam teus pés pela casa
pegadas
e os rastros do sonho.

Faltam teus passos pela casa
e sempre faltarão.

(20/04/2008)

CONCESSÃO

Carlos Savasini

À Frederico Barbosa

É verdade, compadre, eu não sabia
nem sequer suporia teu passado
se não fosse o presente do convívio
de uma sala, da Casa e da leitura.

Pois, compadre, a verdade apresentou-se
e nos trouxe o respeito que hoje existe
em proposta, contraste e contra-ponto.

O respeito conquista-se e não cede-se.

(20/04/2008)

DEITADO

Carlos Savasini

Nem sempre querer é poder
buscando nem sempre se alcança
as uvas tão verdes maduram
despencam dos galhos ao chão
a sombra na luz se desfaz
no sol que desbota mistérios
nem todo trabalho engrandece
o lixo dos outros é podre
mistério é mistério somente
até que um olhar o desvende
o velho deitado morreu
o velho ditado também.

(20/04/2008)