Carlos Savasini
Viver um pouco mais
Tentar, jamais desfalecer
Nunca dizer nunca mais
Nem olhar para trás
Se não for por sangrar
Gotejar o desejo de amanhã
Marcar necessidade de ar
Carência de sentido, norte, morte, remorso e raiz
Fome de futuro e algo além.
Viver sempre um pouco mais
Buscar, ousar e romper em apnéia
Romper a traquéia em gritos, sussurros e gemidos
Romper em suspiros, desejos e ais de amor
Desejos de ser e nunca, nunca desejos de ter
Nunca ilusão e arrotos de arpão
Nunca morrer pela falta, por pouco e por falta
Nunca morrer pelo pouco querer
Pelo pouco poder
Pelo pouco viver.
Viver um pouco mais
Sempre um pouco mais
Viver sempre
Um pouco
E mais.
(27/05/2007)
segunda-feira, 28 de maio de 2007
SECULAR
Carlos Savasini
Mestres de voz e tambor
Copo de pinga na mão
Mastros de boça e chicote
Campos de branco e açúcar
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
Mestres de voz e violão
Copo de scotch na mão
Mastros de boça e chicote
Campos de branco algodão
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
Mestres de som e canção
Copo de rum e charuto
Mastros de boça e chicote
Campos de açúcar, tabaco
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
Blues, vudu e samba dão as mãos
Campos de mãos negras semeiam a fonte
Rock, bolero e bossa dão as mãos
Brancos montados, cangote, bebem e fazem sucesso
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
(27/05/2007)
Mestres de voz e tambor
Copo de pinga na mão
Mastros de boça e chicote
Campos de branco e açúcar
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
Mestres de voz e violão
Copo de scotch na mão
Mastros de boça e chicote
Campos de branco algodão
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
Mestres de som e canção
Copo de rum e charuto
Mastros de boça e chicote
Campos de açúcar, tabaco
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
Blues, vudu e samba dão as mãos
Campos de mãos negras semeiam a fonte
Rock, bolero e bossa dão as mãos
Brancos montados, cangote, bebem e fazem sucesso
Mãos de negro e branco a cavalo
Branco montado em negro cangote.
(27/05/2007)
domingo, 27 de maio de 2007
RECEITA
Carlos Savasini
Elege-se o tema
Gente viva ou morta
Listam-se os livros, os feitos, os fatos
Listam-se os discos, os nomes, as datas
Cola-se tudo com cola de gosto pessoal
Dedica-se (melhor se for com epígrafe)
Está feita a elegia.
(26/05/2007)
Elege-se o tema
Gente viva ou morta
Listam-se os livros, os feitos, os fatos
Listam-se os discos, os nomes, as datas
Cola-se tudo com cola de gosto pessoal
Dedica-se (melhor se for com epígrafe)
Está feita a elegia.
(26/05/2007)
MÁSCARA DE BAILE
Carlos Savasini
Sempre num baile a fantasia
Repetição de ritos de passagem
O único palco verdadeiro não é o da vida
A única máscara eterna na face, a mortuária.
(26/05/2007)
Sempre num baile a fantasia
Repetição de ritos de passagem
O único palco verdadeiro não é o da vida
A única máscara eterna na face, a mortuária.
(26/05/2007)
A LIMPO
Carlos Savasini
Frouxo, bobinho e sem jeito
A vida passou em branco
O amor passou ao largo
Os dias não renderam história.
Frouxo, bobinho e sem jeito
Mito que nunca foi feito
Riso que nunca foi dado
Jovem que nunca fez arte.
Frouxo, bobinho e sem jeito
Treino que nunca foi jogo
Meio que nunca foi fim
Vida que nunca foi viva.
Frouxo, bobinho e sem graça.
(26/05/2007)
Frouxo, bobinho e sem jeito
A vida passou em branco
O amor passou ao largo
Os dias não renderam história.
Frouxo, bobinho e sem jeito
Mito que nunca foi feito
Riso que nunca foi dado
Jovem que nunca fez arte.
Frouxo, bobinho e sem jeito
Treino que nunca foi jogo
Meio que nunca foi fim
Vida que nunca foi viva.
Frouxo, bobinho e sem graça.
(26/05/2007)
ÉPOCA DE CAÇA
Carlos Savasini
O ciclo da vida busca o elo da corrente
Erigir pirâmide no prumo da vida
Pato que afoga o ganso que come o marreco
Domador que descabela o palhaço que canta a trapezista
Cego que sempre leva gato por lebre.
(26/05/2007)
O ciclo da vida busca o elo da corrente
Erigir pirâmide no prumo da vida
Pato que afoga o ganso que come o marreco
Domador que descabela o palhaço que canta a trapezista
Cego que sempre leva gato por lebre.
(26/05/2007)
sexta-feira, 25 de maio de 2007
CABRA AMARELA
Carlos Savasini
Avise-me o dia que eu não vou. Juro por tudo que há de mais sagrado que eu não vou. Nem tente convidar-me para um passeio à toa, para tomar um chopp, para um dedinho de prosa, para tomar a fresca. Não tente vir com aquele papo, com aquela onda, com aquele ‘já que estamos mesmo na rua’, ‘já que estamos perto mesmo’, ‘já que é meio caminho andado’. Não me venha com meias verdades e nenhuma mentira inteira.
Não vou e já disse que não vou. Quem mandou aquela cabra não cair na minha graça? Só para manter a aparência? Só para tirar foto junto e ainda pedir autógrafo no livro? Não vou e não gasto nem um centavo. Se ganhar um exemplar é bem capaz que vá para o fundo da estante, atrás do dicionário, que é para ver se esqueço de me lembrar.
Não vou mesmo, está bem entendido? Se não está, não se faça de desentendido, não me faça repetir setecentas e oitenta e nove vezes que eu não vou. Mais vale a minha sanidade que rasgar um sorriso amarelo.
Qual é mesmo o nome daquela cabra?
(24/05/2007)
Avise-me o dia que eu não vou. Juro por tudo que há de mais sagrado que eu não vou. Nem tente convidar-me para um passeio à toa, para tomar um chopp, para um dedinho de prosa, para tomar a fresca. Não tente vir com aquele papo, com aquela onda, com aquele ‘já que estamos mesmo na rua’, ‘já que estamos perto mesmo’, ‘já que é meio caminho andado’. Não me venha com meias verdades e nenhuma mentira inteira.
Não vou e já disse que não vou. Quem mandou aquela cabra não cair na minha graça? Só para manter a aparência? Só para tirar foto junto e ainda pedir autógrafo no livro? Não vou e não gasto nem um centavo. Se ganhar um exemplar é bem capaz que vá para o fundo da estante, atrás do dicionário, que é para ver se esqueço de me lembrar.
Não vou mesmo, está bem entendido? Se não está, não se faça de desentendido, não me faça repetir setecentas e oitenta e nove vezes que eu não vou. Mais vale a minha sanidade que rasgar um sorriso amarelo.
Qual é mesmo o nome daquela cabra?
(24/05/2007)
ENCONTRO
Por Carlos Savasini, Leonice Tronco, Lu e Mavot Sirc
Vida, tardes ensolaradas
Vinho, verde, sal e doce
Amizade, doce enlace
Tinta, ternura e tesão
Vêm e vão
Quando permanecem, nos nutrem
Alimentam a alma
Iluminam a vida
Firmamento, pão e paixão
Sem espaço para solidão
O encontro, o trago, o som, a emoção
Criam laços de afeto e amizade
Sustentam o corpo, sopram o sopro
Enraízam a alma
Em outras almas, acalmam
Do amanhecer ao crepúsculo, luz
Do almoço, vespertino, rubro, lilás e luar,
Viver, entardecer e partir.
(20/05/2007)
Vida, tardes ensolaradas
Vinho, verde, sal e doce
Amizade, doce enlace
Tinta, ternura e tesão
Vêm e vão
Quando permanecem, nos nutrem
Alimentam a alma
Iluminam a vida
Firmamento, pão e paixão
Sem espaço para solidão
O encontro, o trago, o som, a emoção
Criam laços de afeto e amizade
Sustentam o corpo, sopram o sopro
Enraízam a alma
Em outras almas, acalmam
Do amanhecer ao crepúsculo, luz
Do almoço, vespertino, rubro, lilás e luar,
Viver, entardecer e partir.
(20/05/2007)
MOLDE
Por Carlos Savasini, Gabriela Cuzzuol, Leonice Tronco e Osvaldo Pastorelli
A imagem enquadrada na moldura
Revela em sua estrutura
A condição humana
Que pouco perdura
Que pouco prossegue
Se sem conteúdo
Se sem tinta, papel e quadratura,
Remove a sujeira obscura,
Re-molda o retrato contido,
Reforma a estrada, curvatura,
Rediz ser humano remido
Conduzindo seus passos
Ao infinito dos abraços
Braços de quadro emoldurado
Braços madeira, vida e porão
Braços vingados em sons,
Descompassos,
Braços contritos em gestos,
Velados,
Braços distintos em seres humanos,
Revelados.
(19/05/2007)
A imagem enquadrada na moldura
Revela em sua estrutura
A condição humana
Que pouco perdura
Que pouco prossegue
Se sem conteúdo
Se sem tinta, papel e quadratura,
Remove a sujeira obscura,
Re-molda o retrato contido,
Reforma a estrada, curvatura,
Rediz ser humano remido
Conduzindo seus passos
Ao infinito dos abraços
Braços de quadro emoldurado
Braços madeira, vida e porão
Braços vingados em sons,
Descompassos,
Braços contritos em gestos,
Velados,
Braços distintos em seres humanos,
Revelados.
(19/05/2007)
terça-feira, 22 de maio de 2007
FLAP 2007
FLAP 2007: CONTAMINAÇÕES
Blog: http://flap2007.zip.net
Contato: flap@projetoidentidade.org
Dias 30 de junho e 1º de julho de 2007
Espaço dos Satyros I
Pça. Roosevelt, nº 214 - São Paulo
Realização
Projeto Identidade
Apoio
O Casulo
Os Satyros
Sebo do Bac
PROGRAMAÇÃO
(sujeita a modificações)
Sábado, dia 30 de junho
[1] 10h às 11:30h - Abre-alas: Contaminações
Mediação: Andréa Catropa, poeta
- Antonio Vicente Pietroforte, escritor e Prof. Dr. Depto. Lingüística, FFLCH-USP
- Glauco Mattoso, poeta
- Anselmo Luis, o Bactéria
- Marcelino Freire, escritor
[2] 13h às 14:30h - Turma do Fundão: A Literatura na Sala de Aula
Mediação: Ivan Antunes, poeta
- Maria Elisa Cevasco, Profa. Dr. Depto. Letras Modernas, FFLCH-USP
- Maria Nilda Mota de Almeida, Dinha, escritora e educadora
- Representante da APOESP (a confirmar)
- Adilson Miguel, editor de literatura juvenil
- Representante da Revista Nova Escola (a confirmar)
[3] 14:30h às 17h - E quem vive disso?
Mediação: Ana Paula Ferraz, jornalista e escritora
- Jorge de Almeida, Prof. Dr. Teoria Literária, FFLCH-USP (a confirmar)
- Santiago Nazarian, escritor
- Maria Luíza Mendes Furia, poeta
- Andrea Del Fuego, escritora
Domingo, dia 1º de julho
[4] 12h às 13:30h - O Além Livro
Mediação: Del Candeias, poeta
- Alberto Guzik, crítico, escritor e dramaturgo
- Lourenço Mutarelli, escritor e cartunista
- Mario Bortolotto, escritor e dramaturgo (a confirmar)
- Eduardo Rodrigues, escritor e cartunista
[5] 14:30h às 16h - Influenza: Soy loco por ti America
Mediação: Vanderley Mendonça, editora Amauta
- Horacio Costa, poeta e Prof. Dr. Depto. Letras Clássicas
- Marcelo Barbão, editora Amauta - Alfredo Fréssia, poeta e tradutor
- Joca Terron, escritor - Angélica Freitas, poeta (a confirmar)
Blog: http://flap2007.zip.net
Contato: flap@projetoidentidade.org
Dias 30 de junho e 1º de julho de 2007
Espaço dos Satyros I
Pça. Roosevelt, nº 214 - São Paulo
Realização
Projeto Identidade
Apoio
O Casulo
Os Satyros
Sebo do Bac
PROGRAMAÇÃO
(sujeita a modificações)
Sábado, dia 30 de junho
[1] 10h às 11:30h - Abre-alas: Contaminações
Mediação: Andréa Catropa, poeta
- Antonio Vicente Pietroforte, escritor e Prof. Dr. Depto. Lingüística, FFLCH-USP
- Glauco Mattoso, poeta
- Anselmo Luis, o Bactéria
- Marcelino Freire, escritor
[2] 13h às 14:30h - Turma do Fundão: A Literatura na Sala de Aula
Mediação: Ivan Antunes, poeta
- Maria Elisa Cevasco, Profa. Dr. Depto. Letras Modernas, FFLCH-USP
- Maria Nilda Mota de Almeida, Dinha, escritora e educadora
- Representante da APOESP (a confirmar)
- Adilson Miguel, editor de literatura juvenil
- Representante da Revista Nova Escola (a confirmar)
[3] 14:30h às 17h - E quem vive disso?
Mediação: Ana Paula Ferraz, jornalista e escritora
- Jorge de Almeida, Prof. Dr. Teoria Literária, FFLCH-USP (a confirmar)
- Santiago Nazarian, escritor
- Maria Luíza Mendes Furia, poeta
- Andrea Del Fuego, escritora
Domingo, dia 1º de julho
[4] 12h às 13:30h - O Além Livro
Mediação: Del Candeias, poeta
- Alberto Guzik, crítico, escritor e dramaturgo
- Lourenço Mutarelli, escritor e cartunista
- Mario Bortolotto, escritor e dramaturgo (a confirmar)
- Eduardo Rodrigues, escritor e cartunista
[5] 14:30h às 16h - Influenza: Soy loco por ti America
Mediação: Vanderley Mendonça, editora Amauta
- Horacio Costa, poeta e Prof. Dr. Depto. Letras Clássicas
- Marcelo Barbão, editora Amauta - Alfredo Fréssia, poeta e tradutor
- Joca Terron, escritor - Angélica Freitas, poeta (a confirmar)
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