Carlos Savasini
Em tantos materiais e suportes
Foto em papel e tecido
Gemas em ouro, prata e titânio
Mosaico cerâmico, suporte e grafite
O poeta estátua não faz arte
A palavra vaza cega pelos cotovelos
– Se vaza pelo canto da boca
Venta e não se prende na sala,
Se vaza pelos cantos do mundo
Manda notícias imateriais –
Ouvidos cegos não sustentam suportes
Não escutam fotos, papéis e tecidos
Não chocam gemas de ouro, prata e titânio
Não fazem estátuas de ninfas e musas
Não fazem pastilha em parede grafite.
Na Vila da arte, a poesia
Rameira, Madalena, se vende por migalhas.
(27/03/2007)
terça-feira, 27 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
domingo, 25 de março de 2007
BLOCO
Carlos Savasini
São demais os perigos desta vida
São tantas e tamanhas emoções
São causos e casos e histórias
Causos e lembranças
Quase lendas, quase mitos.
São demais os perigos desta vida
São tantas e tamanhas tentações
Jamais fechadas pra balanço
Jamais esquecidas nas teias da mente
Jamais por falta de atenção.
Se falta tentação
Se falta comoção
Se faltam emoções
Salve o bloco das hienas
ka ka ka qui ko ko
he he he.
(24/03/2007)
São demais os perigos desta vida
São tantas e tamanhas emoções
São causos e casos e histórias
Causos e lembranças
Quase lendas, quase mitos.
São demais os perigos desta vida
São tantas e tamanhas tentações
Jamais fechadas pra balanço
Jamais esquecidas nas teias da mente
Jamais por falta de atenção.
Se falta tentação
Se falta comoção
Se faltam emoções
Salve o bloco das hienas
ka ka ka qui ko ko
he he he.
(24/03/2007)
CALA
Carlos Savasini
Cova rasa, sete palmos,
A morte não fala
Simplesmente cala
Sem bater palmas.
(24/03/2007)
Cova rasa, sete palmos,
A morte não fala
Simplesmente cala
Sem bater palmas.
(24/03/2007)
BATISMO
Carlos Savasini
Receita diária de fogo
Óleo, gás e cachaça
Incêndio, fritura e pensamentos
[ou falta]
Receituário de óbito aos poucos
Banho em óleo fervente
Gás de botijão
Ou cirrose hepática
[comunhão]
Ópio em cálices de papoula
Relicário de poetas mortos
Batismo em pia barrenta
[iniciação]
(24/03/2007)
Receita diária de fogo
Óleo, gás e cachaça
Incêndio, fritura e pensamentos
[ou falta]
Receituário de óbito aos poucos
Banho em óleo fervente
Gás de botijão
Ou cirrose hepática
[comunhão]
Ópio em cálices de papoula
Relicário de poetas mortos
Batismo em pia barrenta
[iniciação]
(24/03/2007)
sábado, 24 de março de 2007
MAÇÃ
Carlos Savasini
Tranço meu braço em teu corpo,
Tranco meu beijo em teu lábio,
Toco meu corpo em teu tronco,
Faço do amor desvario.
Beijo o teu rosto, a maçã,
Busco em teu beiço a saliva,
Faço no toque matreiro
Fogo carente que mina.
Busco tocar em teu G,
Tento atentar teu pudor,
Tento driblar tua dor,
Faço teu ventre encharcar.
Faço gozar esta carne,
Faço tremer este corpo,
Deixo profundo meu toque,
Deixo saudade em teu ventre.
(02/05/2004)
Tranço meu braço em teu corpo,
Tranco meu beijo em teu lábio,
Toco meu corpo em teu tronco,
Faço do amor desvario.
Beijo o teu rosto, a maçã,
Busco em teu beiço a saliva,
Faço no toque matreiro
Fogo carente que mina.
Busco tocar em teu G,
Tento atentar teu pudor,
Tento driblar tua dor,
Faço teu ventre encharcar.
Faço gozar esta carne,
Faço tremer este corpo,
Deixo profundo meu toque,
Deixo saudade em teu ventre.
(02/05/2004)
SETA
Carlos Savasini
Exático e extático
Firme
Erético e rijo
Firme
Corpo de cabeça e seta
Firmes
Corpo de sangue e caverna
Firmes
Corpo exático e rijo
Extático
Corpo de cabeça e caverna
Seta
Erético e sangue
Firme
(25/11/2006)
Exático e extático
Firme
Erético e rijo
Firme
Corpo de cabeça e seta
Firmes
Corpo de sangue e caverna
Firmes
Corpo exático e rijo
Extático
Corpo de cabeça e caverna
Seta
Erético e sangue
Firme
(25/11/2006)
SANTUÁRIO
Carlos Savasini
Bem me quer ou mal me quer
A flor linda de teu corpo ?
Meu lagarto quer te ver,
Degustar a tua rosa,
Quer beijar teu fino pólen,
Extrair teu fino mel
Saciando o paladar
Extraindo teu suspiro
Sucumbindo na entrega
Do tesouro bem guardado
Ladeado pelas torres
Que sustentam teu pudor
Ladeando a linda flor,
Santuário deste amor.
Bem me quer ou mal me quer ?
Teu sorriso te entregou-me,
É resposta concedendo
Permissão para beijar-te
No lugar mais cobiçado
Pela língua do lagarto,
Beijo, língua, pólen, flor.
Bem me quer ou mal me quer,
Tu me envolves com as pétalas,
Com as pernas, torres, lábios,
No folículo sedoso
Concedendo ao teu lagarto
Frenesi de língua’e mel.
(06/02/2005)
Bem me quer ou mal me quer
A flor linda de teu corpo ?
Meu lagarto quer te ver,
Degustar a tua rosa,
Quer beijar teu fino pólen,
Extrair teu fino mel
Saciando o paladar
Extraindo teu suspiro
Sucumbindo na entrega
Do tesouro bem guardado
Ladeado pelas torres
Que sustentam teu pudor
Ladeando a linda flor,
Santuário deste amor.
Bem me quer ou mal me quer ?
Teu sorriso te entregou-me,
É resposta concedendo
Permissão para beijar-te
No lugar mais cobiçado
Pela língua do lagarto,
Beijo, língua, pólen, flor.
Bem me quer ou mal me quer,
Tu me envolves com as pétalas,
Com as pernas, torres, lábios,
No folículo sedoso
Concedendo ao teu lagarto
Frenesi de língua’e mel.
(06/02/2005)
GOZO
Carlos Savasini
Corpos em transe
Catarse
Busca de essência e prazer
Concedem
Mescla de braços e pernas
Seios e peitos
Pênis e vulva
Gozos e carne
Perdem
A virgindade casta já cedida
Consumida
Entregam voluptuosidade e luxúria
Lascívia, libido e loucura
Vivem deleite e derramamento
Presenteiam desejo
Fluido, flato e fornicação
Re-descobrem pureza na entrega.
(03/10/2006)
Corpos em transe
Catarse
Busca de essência e prazer
Concedem
Mescla de braços e pernas
Seios e peitos
Pênis e vulva
Gozos e carne
Perdem
A virgindade casta já cedida
Consumida
Entregam voluptuosidade e luxúria
Lascívia, libido e loucura
Vivem deleite e derramamento
Presenteiam desejo
Fluido, flato e fornicação
Re-descobrem pureza na entrega.
(03/10/2006)
CERRADO
Carlos Savasini
Fez-se noite ao fim do amor
Olhos cerrados
Corpos deitados, alinhados, muito amados
Serpenteia no corpo o frisson frenético
Elétrico monocórdio uníssono de nossa língua
Nossa boca
Não cabe mais em nós tamanho êxtase
Apagando no crepúsculo iluminado
Corpos de luz e sombras
Olhos cerrados
E tato.
(25/11/2006)
Fez-se noite ao fim do amor
Olhos cerrados
Corpos deitados, alinhados, muito amados
Serpenteia no corpo o frisson frenético
Elétrico monocórdio uníssono de nossa língua
Nossa boca
Não cabe mais em nós tamanho êxtase
Apagando no crepúsculo iluminado
Corpos de luz e sombras
Olhos cerrados
E tato.
(25/11/2006)
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