terça-feira, 6 de março de 2007

SECA - DOR

Carlos Savasini

Tão belas mulheres
Tão cheias de cachos
Tão belas amantes
Tão cheias de abraços

Tão belas mulheres
Tão cheias de si
Tão belas nas mechas
Tão cheias de pressa

Tão belas mulheres
Tão cheias de arpejos
Tão belas, tão prontas
Tão cheias de dedos

Tão belas mulheres
Tão cheias de toques
Tão belas, carentes
Tão cheias, cuidados

Já disse o dito popular :
Quem gosta de mulher feia
É salão de beleza.

(03/03/2007)

PSICO

Carlos Savasini

Maquinem o verso mas não o poema
Escrita não automática
Cria des–psicografada
Criação.

(03/03/2007)

TAC

Carlos Savasini

Tec – tec – tec
Tique – taque
Tec – tec – tec
Tique – taque
Tec – tec – tec
Taque – tique
Tec – tique – taque
Tec – tec – tec
Tique – taque
Tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim
Tec – tec – taque
Tuuuuuuuuuuuuum
CU – CO
Psiu !
Tec – tec – tec.

(03/03/2007)

COLA

Carlos Savasini

Sinuosa, sibilante e suja
Água suja, negra e borbulhante
Casco rústico, não fosco e não lúdico
Primórdio remédio, coca e cafeína
Droga
Marca de qualquer boteco
Iconografia.

(03/03/2007)

domingo, 4 de março de 2007

TRAMELA

Carlos Savasini

O passado bate à porta
Quase sem pedir licença
Toca, bate, esmurra
Fuça e esmiúça o fim do dia
Surra
Bate à porta e
Surra
Bate à porta e
Fuça
Força o buraco da fechadura
E olha
Busca a seqüência da história
Chafurda
Embosteia o que sobrou do rescaldo
Regurgita o lodo do vaso sanitário
Pulula
Escorre e baba e cospe e bate
O passado esmurra quente à porta
Sangra
Corta o corte já fechado
Busca
Saudade em pesadelo já sonhado
Saudade em pesadelo já vivido
Solta gosma escrota por debaixo da porta
Busca
Ver com olhos de Deus o que vem depois
Com olhos de cão o que não é seu.

O passado bate à porta
Cerrada ao que não é de bem.

(19/03/2006)

COLHEITA DA PEDRA

Carlos Savasini

Pedra
Sê terna
Materna de outras pedras na terra,
Mãe terra
Sê pedra no grão de pedra
Grão de terra
Cuspe de pedra
Gosma de terra
De pedra
E terra
De pedra
Eterna,
Pedra
Sê terna
Materna de outras pernas na terra
Pernas de pedra
Pernas de barro
Terra
Pernas de chuva
Pedras de perna
Barro de pedra
Gosma de terra
De perna,
Pedra
Sê serra
E fera na marra e na terra,
Pedra
Sê serra
E serra pedras da pedra
Pedras de terra
Terra de grãos de migalhas de pedra,
Sê fera
Deflora e desfolha
Floresça flor de pedras
Flor de flora
Flor de grão
Flor de terra
Flor de pedra,
De pedra,
Flor que despenca na terra
Flor de pedreira
Botão de pedra e areia
Pedra de pedra e botão,
Semeia.

(15/11/2006)

ASSIM

ASSIM
CARLOS SAVASINI

TUDOSIM
–COMEÇA
ATÉOFIM

(03/01/2007)
VARAL DE POESIA
“Cada poema tem sua cor.”


Uma corrente poética voltada para a Avenida, contra a falta de poesia. Não apenas a poesia declamada é música. “Ver e ouvir o movimento do vento.”
Existência, beleza, espaço, presos por alfinetes, em camisetas.

A poeta Sandra Ciccone Ginez convida para sua instalação de poesia outros dezenove poetas contemporâneos.
O espaço é a Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.
Abertura: dia 14 de março de 2007 - Dia Da Poesia
Às 19:00 hs.
Haverá uma apresentação da violoncelista Vana Bock.


Frederico Barbosa, Donizete Galvão, Glauco Mattoso, Ana Rüsche, Cláudio Daniel, Alice Ruiz, Donny Correia, Andréa Catropa, Sandra Ciccone Ginez, Carlos Savasini, Elisa Andrade Buzzo, Diniz A. Gonçalves Junior, ABittar, Del Candeias, Maria Augusta de Medeiros, Renan Nuernberger, Victor Del Franco, Rubens Augusto, Madalena Barranco, Wiliam Celestino.

Curadoria : Sandra Ciccone Ginez


O projeto pretende se estender para outros locais da Casa das Rosas, cada vez com uma proposta diferente, e dar espaço para outros poetas.


Patrocínio : Neltur Assessoria Turística
FONE 3814.5745

sexta-feira, 2 de março de 2007

DIRETA

Carlos Savasini

De cor a cor salta
De corpo cromático
Afônica de nome
Ao corpo da cor.


(01/03/2007)

SILVO

Carlos Savasini

O surto aplaca mudo
A fala iridescente cala
Tudo em nada
Verborrágico silêncio


(01/03/2007)